O eterno charme de Alain Delon
Cannes – Há coisas que certos atores têm, mas muito poucos. Não só a beleza, como o carisma. É o caso de um dos homenageados desta edição de Cannes, Alain Delon, prestigiando uma sessão da cópia restaurada de O Sol por Testemunha (1960), de René Clément.
Aos 77 anos, o homem continua carismático e com senso de espetáculo. Com ar sedutor, subiu o tapete vermelho de mãos dadas com a ministra da Cultura e da Comunicação, Aurélie Filippetti – que virou um verdadeiro arroz de festa por aqui, num esforço concentrado de relações públicas a favor da combalida imagem do governo François Hollande, detonado pelas dificuldades econômicas e por pressões de setores reacionários contra o casamento gay.
Dentro da enorme sala Debussy, lotada para vê-lo (inclusive com várias pessoas que compraram ingresso para isso), Delon subiu ao palco e lembrou que o filme de Clément foi que o lançou, há 54 anos atrás. “Eu não era ninguém até fazer este filme”. Vendo-o aqui, Luchino Visconti decidiu chamá-lo para protagonizar Rocco e seus Irmãos. “Achei meu italiano do sul”, teria dito Visconti ao ver Delon em O Sol por Testemunha.
Fora os aplausos, o que emocionava mesmo Delon era a falta dos amigos que já morreram, como Maurice Ronet, seu colega em cena em O Sol por Testemunha, morto aos 55 anos, em 1983. “Apesar de sermos os melhores amigos, nos filmes eu sempre tinha que matá-lo, o que nos fazia rir muito”.
Restaurado com perfeição, o filme trouxe de volta um Delon muito jovem, que fazia todo mundo perder o fôlego. Os belos olhos azuis, porém, não perderam o brilho. Continuam impecáveis.

Cannes – Parece até ironia fazer este comentário num dia como esta última sexta do 66º festival (24-5), em que brilha o sol, apesar de um ventinho gelado. Mas, já em clima de balanço, dá para dizer: este foi o ano do pior clima em Cannes. Faz 13 anos que venho aqui – e há colegas jornalistas que vêm há 20 e me dão razão. A meteorologia também: foi a primavera mais fria da França desde 1987. Com todo o frio, toda a chuva, tornou-se um inferno encarar as demoradas filas obrigatórias para as várias sessões de uma programação verdadeiramente insana, em que se manifestou o domínio massacrante do digital.
Ele parece que nunca vai perder o ar de garoto. Ou a vontade de divertir. Quentin Tarantino faz 50 anos no próximo dia 27.
Então, o esperado