Festival termina com documentário indígena e homenagem a Lázaro Ramos
- Por Neusa Barbosa, de Vitória
- 25/07/2024
- Tempo de leitura 3 minutos
Vitória - O festival chegou à reta final com o documentário pernambucano Sekhdese, das diretoras Graciela Guarani e Alice Gouveia, que traz para o centro das atenções os testemunhos de diversas lideranças indígenas do Nordeste. Representando várias nações e línguas, esses entrevistados ressaltam a luta essencial pela terra, a defesa da cultura e do meio ambiente e a absoluta necessidade de autodefesa contra investidas cada vez mais agressivas de igrejas pentecostais - que praticam um verdadeiro etnocídio ao engajar-se num processo massivo de conversões dos indígenas ao cristianismo, colocando no ostracismo e até ameaçando, em alguns casos, aqueles que resistem, insistindo em manter a própria identidade ancestral e suas crenças.
Se o filme tem limitações formais - inclusive admitidas pela produtora Carla Francine*, que aqui representou o documentário -, decorrentes, em boa parte de uma limitação orçamentária (o longa foi feito com apenas R$ 180.000,00), não é menos verdade que ele traz informações urgentes e figuras extremamente carismáticas, dos povos pankararu, fulni-ô e outros, demonstrando uma consciência cristalina do lugar que ocupam no Brasil e no mundo e sua inabalável disposição para sobreviver. Só por isso o filme mereceu seu lugar na aliás bem-cuidada seleção de longas do festival neste ano.
Nesta noite de quinta (25), o festival terá seu encerramento, com uma homenagem ao ator e diretor Lázaro Ramos e a exibição do média docudrama Não se aproxime, de Tati Rabelo e Rodrigo Linhales, focalizando a figura da escritora Carmélia M. de Souza, seguida da premiação.
Curtas
A última noite registrou a passagem de Pássaro Memória, novo curta do premiado Leonardo Martinelli (Fantasma Neon) que, mais uma vez, recorre a números musicais, desta vez para focalizar a jornada de Lua (Ayla Gabriela), uma mulher trans em busca de um perdido pássaro chamado Memória pelas ruas do Rio de Janeiro.
Exibido em Berlim, na mostra Forum Expanded, Quebrante, de Janaína Wagner (SP), explora as ruínas da Transamazônica e revela a personagem da professora Erismar Sousa, moradora de Rurópolis (PA), que descobriu as cavernas existentes naquela região, numa linguagem poética.
Exibido e premiado no mais recente Festival de Brasília, Axé meu amor, de Thiago Costa (PB), inspira-se mais uma vez no universo do candomblé, expondo a trajetória de Mãe Bené (Mãe Remilda), que deve completar suas obrigações, 21 anos depois de sua iniciação, para prosseguir em suas missões sagradas.
Finalmente, Deusa menina, de Juane Vaillant (ES), descortina um universo mágico para retratar a jornada de Catarina (Lavínia Serafim), uma menina negra que foi a primeira a nascer no planeta Ilha e passa a ser acompanhada pelas entidades do Tempo e do Destempo, que acreditam que ela possa tornar-se uma nova deusa.
* Debate: Carla Francine (produtora do longa "Sekhdese"); Thiago Costa (diretor do curta "Axé meu amor"); Janaína Wagner (diretora do curta "Quebrante"); Juane Vaillant (diretora do curta "Deusa menina"); Leonardo Martinelli (diretor do curta "Pássaro Memória") e a mediadora Viviane Pistache Crédito:
Neusa Barbosa
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