22/07/2026

Anna Muylaert retoma sua mãe-coragem em novo filme em Berlim

Anna Muylaert e suas mães-coragem. São duas ao menos, ou três ou quatro se se quiser considerar as que rivalizam em Mãe Só Há Uma. Em Que Horas Ela Volta?, Val (Regina Casé) é a doméstica que trabalha para uma família média alta e se orgulha das conquistas da filha universitária (Camila Márdila). Ambos os longas foram exibidos na Berlinale, que agora acolhe a diretora na seção Special com A Melhor Mãe do Mundo.

A da vez se chama Gal (Shirley Cruz), recolhe lixo para reciclagem e, como muitas mulheres, sofre violência do marido, ou melhor, do parceiro com quem não é casada oficialmente (Seu Jorge) e de quem tenta fugir com os dois filhos pequenos. Coloca-os no seu carrinho de trabalho e inventa a fantasia de uma aventura para conseguir chegar na casa de uma prima na periferia. No caminho, tem apoios inesperados, mas também decepção.

A força e empatia de Shirley Cruz ao interpretar essa mulher negra sofrida e otimista faz toda a diferença. O que só aumenta o ruído de um certo tom complacente, vindo de um entorno afável de acolhimento e apoio por figuras no caminho de Gal, mas pouco crível no universo rude das ruas. Fica a impressão de um roteiro formatado em contexto de iniciativas solidárias, no caso do trabalho com a reciclagem, e depois da moradia provida por movimentos sociais, para então estruturar um drama que, aí sim, está presente na realidade com a qual nos defrontamos todos os dias nas grandes cidades.

O filme tem estreia prevista nos cinemas brasileiros em agosto.