22/07/2026

Berlim decola com prata da casa Tom Tykwer

Com o novo filme do alemão Tom Tykwer, The Light, a Berlinale abre nesta quinta (13-2) sua 75ª edição. A raridade de uma prata da casa inaugurar o festival, e o próprio Tykwer o fez outras duas vezes com Paraíso (2002) e Trama Internacional (2009), aponta ao que vem a nova diretora do evento, a norte-americana Tricia Tuttle. Não apenas no que se refere diretamente à seleção de filmes. Em recente entrevista ao jornal inglês The Guardian, ela manifestou preocupação pelo possível cerceamento a que diretores possam falar e expor nas telas em função do conflito Israel-Gaza. Diz ter ouvido com frequência esse medo dos realizadores e teme que a forte polarização na Alemanha leve as opiniões a serem consideradas como anti-semitismo. A conferir até o final da programação, dia 23, o que pode ocorrer.

São quase trezentos filmes nas diversas seções, dezenove em competição, e nesta, um brasileiro. O pernambucano Gabriel Mascaro participa pela primeira vez da competitiva com O Último Azul, depois de ter integrado o Panorama em 2019 com Divino Amor. Terá como concorrentes nomes badalados e alguns deles frequentes na Berlinale, como o romeno Radu Jude (Kontinental), o mexicano Michel Franco (Dreams), o premiado sul-coreano Hong Sangsoo (What Does That Nature Say to You), Richard Linklater (Blue Moon) e Vivian Qu (Girls on Wire). A julgá-los, um time presidido por Todd Haynes.

Como é habitual, a direção artística mescla veteranos com novatos, senão mesmo estreantes. Mascaro abre alas para uma significativa comitiva brasileira, tradicional no olhar mais atento da Berlinale se comparado a Cannes e Veneza, com mais 11 títulos, entre curtas e longas-metragens. Na representação veterana está Lucia Murat com o documentário Hora do Recreio (foto à esquerda), programado para a Generation 14plus, mesma seção de De Menor, de Caru Alves de Souza, versão em formato de série de seu longa homônimo anterior, e do curta Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho. Já se pode considerar veterana Anna Muylaert, que volta a Berlim com A Melhor Mãe do Mundo, na Berlinale Special, assim como Jorge Bodanzky, trazendo a versão restaurada do clássico Iracema, Uma Transa Amazônica (1974) em sessão especial na Forum. No Panorama, Marcio Reolon e Filipe Matzembacher exibem Ato Noturno.

Curiosa participação é a do carioca Gabraz Sanna, também artista visual, com o média Cartas do Absurdo, parte da Forum Expanded, assim como Felipe Bragança com o curta Zizi, ou Oração da Jaca Fabulosa. Por fim, a estreante em longa Rafaela Camelo exibe A Natureza das Coisas Invisíveis na abertura da Generation Kplus, que como sua similar 14plus, é dedicada a filmes com temática infanto-juvenil. Nessa mesma mostra, figura ainda a coprodução entre Brasil, Chile e Colômbia Atardecer en América, de Matías Rojas Valencia. Outro curta com DNA brasileiro é Anba Dio, de Luzia Calazian e Rosa Caldeira, coprodução entre Cuba, Haiti e Brasil.

E nessa edição ainda, temos uma brasileira como jurada. A documentarista Petra Costa (Democracia em Vertigem) avalia seus colegas na representação, claro, de documentários.