19/06/2026

É Tudo Verdade começa com retratos de dois ícones da cultura brasileira

É curioso que o É Tudo Verdade abra a edição de 2025, sua trigésima, com documentários sobre duas artistas brasileiras que têm tantos pontos em comum. Ritas (foto ao lado), de Oswaldo Santana, e Viva Marília (foto abaixo), de Zelito Viana e codirigido por Esperança Motta, serão exibidos nas sessões inaugurais para convidados de SP (em 02/04) e RJ (03/04), respectivamente, trazendo retratos de duas mulheres plurais, que se destacaram cantando e atuando.

Há algumas coincidências entre elas: as duas interpretaram Carmen Miranda – inclusive Rita Lee compôs e interpretou uma música chamada La Miranda, tema de abertura de uma novela protagonizada por Marília Pêra – , dividiram palco com Elis Regina e até atuaram juntas em Dias Melhores Virão, de Cacá Diegues, de 1989. Mas os filmes sobre cada estrela são bem diferentes, embora sejam construídos primordialmente em torno de entrevistas de ambas – novamente, com coincidências, como Marília Gabriela entrevistando as duas em momentos distintos. Viva Marilia é um pouco mais comportado, mais hagiográfico, quase sisudo, embora haja momentos de humor nas falas e trabalhos da atriz. Já Ritas segue mais a mirada caleidoscópica de Rita Lee, num filme quase caótico, num sentido positivo, cheio de energia na intenção de captar a pluralidade da cantora que, como mostram as imagens, nunca parava. De qualquer forma, os dois documentários transbordam em carinho e destacam a importância dessas duas artistas.

Depois de abrir o evento com esses dois retratos cinematográficos, o festival segue até 13 de abril, trazendo um panorama não apenas da produção documental nacional e internacional em longas e curtas, mas um retrato do estado das coisas, para citar o nome de uma das mostras do ETV. De enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 (Rua do Pescador, nº 6) à invasão da Ucrânia (A Invasão), passando por IA (Sobre um herói) e arquitetura e ocupação urbana (Copan, Quando éramos modernistas), além de filmes sobre temas sociais candentes no Brasil (Pau d’Arco, Reconhecidos e Minha Terra Estrangeira) e artistas (Bruscky: um autorretrato e Lan - o Caricaturista) são alguns dos assuntos presentes nos filmes em competição e exibições especiais.
Vladimir Carvalho, morto no ano passado, é um dos homenageados do festival, que, ao longo de suas edições, exibiu muitos de seus trabalhos, repetindo agora a exibição dos nove longas-metragens por ele realizados em mais de meio século. A retrospectiva internacional apresenta a obra do diretor britânico Humphrey Jennings (1907-1950), considerado o primeiro poeta da produção não-ficcional inglesa. O ciclo apresenta oito de seus clássicos, como Fires Were Started (1943) e Family Portrait (1950), e um documentário sobre a sua obra, dirigido por Kevin Macdonald (vencedor do Oscar 1998 com Um Dia Em Setembro).

A celebração dos 30 anos ininterruptos de É Tudo Verdade traz o Especial 30!, com projeções e encontros. Serão exibidos três documentários marcantes da história do evento. O Velho – A História de Luiz Carlos Prestes, de Toni Venturi, e Noel Field – A Lenda de Um Espião, do suíço Werner Schweizer, foram os primeiros vencedores das mostras competitivas da segunda edição, em 1997. Não houve premiação no evento inaugural, em 1996. Ganha também nova sessão especial o clássico Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, que inspira a capa do catálogo da 30ª edição.

Para mais informações e programação completa, acesse o site do É tudo Verdade