Festival É Tudo Verdade anuncia premiações e exibe o premiado "Trens"
- Por Neusa Barbosa e Alysson Oliveira
- 11/04/2025
- Tempo de leitura 3 minutos
Encerra-se neste sábado (12), na Cinemateca Brasileira, a 30ª edição do Festival É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. A partir das 19h, começa a cerimônia de premiação, que anunciará os vencedores das competições brasileira e internacional em longas e médias e curtas-metragens. Os vencedores ficam pré-qualificados a serem elegíveis na competição pelo Oscar de suas respectivas categorias.
Logo a seguir à premiação, será exibido o longa de encerramento, Trens, do polonês Maciej J. Drygas, grande vencedor do IDFA - Festival Internacional de Documentários de Amsterdã.
Confira abaixo a crítica do filme:
Trens
Trens, do polonês Maciej J. Drygas, é o resultado de dez anos de pesquisa em quase 50 arquivos de cinema ao redor do mundo, e o que se vê na tela compensa o esforço. É um belo documentário de pesquisa e montagem, que faz uma crônica da modernidade europeia da primeira metade do século XX através de imagens da história do transporte ferroviário.
O longa recebeu o prêmio de Melhor Filme Internacional no IDFA, Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, o principal do gênero.
Da função econômica de escoamento de mercadoria ao transporte de pessoas, e seu papel com o transporte de soldados e armamentos nas guerras, o trem foi o primeiro meio de transporte em massa. Sem qualquer diálogo, com uma trilha assinada por Pawe; Szymalski, o documentário deixa que os trens sejam as estrelas do show, sejam composições longas e imponentes, ou mesmo outras menores e charmosas.
Atravessando o espaço e o tempo, a narrativa acompanha processos de modernização, não apenas com os próprios trens, trilhos, estações, do próprio continente europeu, e o preço que se pagou por isso, com a destruição de vilarejos, até chegar nos trens nazistas carregando pessoas para os campos de concentração.
No seu lado humanista, o filme acompanha pessoas, em sua maioria anônimas, em suas viagens em vagões chiques ou apertados, em composições mais comuns, ou os reencontros e despedidas nas plataformas. São essas pessoas, longe de serem agentes políticos ou econômicos, para quem a modernização pode ser uma benção ou uma maldição.
O filme, como um todo, é impressionante, no denso trabalho de pesquisa e a montagem, feita por Rafal Listopad, mas, algumas cenas se destacam: como a produção de vagões, mostrada no começo do filme, ou um ministro qualquer autografando bombas que seriam jogadas durante a Segunda Guerra. Há pessoas famosas e suas chegadas e partidas, e figuras tão díspares como Charlie Chaplin e Adolf Hitler dão o ar de sua graça no filme.
A história do cinema está intimamente ligada a trens como meio de transporte. Não é preciso ir muito longe para se provar isso. No Brasil mesmo, no século passado, as distribuidoras e produtoras de cinema se estabeleceram perto da região da Estação da Luz (SP), pois era mais fácil para receber e escoar materiais e filmes para serem exibidos em cidades do interior do estado.
Temos ainda A Chegada do Trem na Estação, marco do cinema, feito pelos irmãos Lumiére. Nesse sentido, Trens é uma meditação sobre o cinema de imagens e a responsabilidade do documentário enquanto gênero. A câmera, ao longo dos filmes trazidos aqui, muitas vezes, é mais do que enquadramento, é testemunha de momentos bons e ruins. (Alysson Oliveira)
São Paulo - Cinemateca Brasileira - Grande Otelo - 12/4/2025 às 20h30
Rio de Janeiro - Estação NET Botafogo - 12/4/2025 às 20h30
