CineOP prepara sua premiação e inaugura nova sala
- Por Neusa Barbosa, de Ouro Preto
- 30/06/2025
- Tempo de leitura 2 minutos
Ouro Preto - A competição no festival encerrou-se neste domingo (29) com a exibição do documentário Paraíso, da diretora carioca Ana Rieper, conhecida por Vou Rifar Meu Coração e Nada Será como Antes - A Música do Clube da Esquina.
No filme, montado majoritariamente a partir de materiais de arquivo, a cineasta compartilha imagens, não raro inquietantes, formando uma crônica sobre suas preocupações sobre o País - em que abusos contra pretos e indígenas, a apropriação violenta da terra, o discurso moralista dos políticos de direita em nome de um conceito estreito de família e a violência de gênero estão à tona, denotando a ironia ácida no título do filme. Nada mais longe de um paraíso do que esta nação às voltas com um racismo e uma desigualdade social renitentes.
Se são certeiros estes alvos que o filme aponta, alguns problemas se somam no caminho de sua realização. As imagens de arquivo, mesmo sendo algumas bastante conhecidas, podem não ser imediatamente decifradas por todos os públicos, o que prejudica o entendimento da proposta.
Funcionam melhor algumas entrevistas pontuais com personagens indígenas e pretas, que propiciam maior clareza e mesmo identificação quanto a algumas ideias contidas em Paraíso - que parece querer abarcar mais questões do que sua curta duração (75 minutos) permitiria.
De todo modo, a diretora lança algumas ideias oportunas, reivindicando a organização de um comentário engajado numa preocupação legítima quanto ao futuro do País. E, enquanto mulher, levanta questões muito relevantes frente ao discurso retrógrado de vários parlamentares e líderes de algumas igrejas pentecostais em relação aos papeis das mulheres dentro da família e da sociedade.
Premiação e nova sala
A premiação, que ocorre de forma inédita neste vigésimo ano do festival nesta noite de segunda (30), destacará um dos cinco documentários da Mostra Contemporânea, tendo como foco o uso de materiais de arquivo. Tiveram destaque, sobretudo, Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Mello, e Um Olhar Inquieto - O Cinema de Jorge Bodanzky, do próprio Bodanzky e Liliane Maia, que tiveram o mérito de costurar as íntimas conexões entre a realização cinematográfica no Brasil e a conturbada história do País.
Mas o festival deixa outros legados, como a criação de uma nova sala de cinema em Ouro Preto, o Cine-Museu, um auditório de 90 lugares anexo do Museu da Inconfidência, na Praça Tiradentes, que funcionou durante o evento mas se tornará um espaço permanente, batizado, muito oportunamente, com o nome do cineasta carioca Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988), diretor de Os Inconfidentes e Macunaíma.
