Festival termina com balanço positivo
- Por Neusa Barbosa, do Recife
- 02/05/2012
- Tempo de leitura 4 minutos
Recife –
Com a reexibição de Boca, de Flavio Frederico (SP) e a exibição dos dois longas pernambucanos Na Quadrada das Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, e Estradeiros, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, além dos três últimos curtas, terminou numa chave positiva a competição do 16º Cine PE. As premiações serão divulgadas no final da noite de hoje.
Com a reexibição de Boca, de Flavio Frederico (SP) e a exibição dos dois longas pernambucanos Na Quadrada das Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, e Estradeiros, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira, além dos três últimos curtas, terminou numa chave positiva a competição do 16º Cine PE. As premiações serão divulgadas no final da noite de hoje.
Se foi uma edição perturbada por dois lamentáveis problemas de projeção – atingindo o citado Boca e também o concorrente carioca À Beira do Caminho, de Breno Silveira -, também se registrou aqui uma amostra respeitável de gêneros cinematográficos e do momento de transição que vive o cinema do País.
Pode ser que 2012 seja um daqueles “anos críticos”, para citar colocação feita aqui há dias por Cacá Diegues, mas há razões para ser otimista, como o diretor de Xica da Silva e Deus é Brasileiro não cansa de repetir.
Uma parte considerável desse otimismo decorre dessa notável última noite da competição, que alinhou um filme de gênero e de época muito bem-realizado tecnicamente e muito responsável no que atingiu, Boca; uma ficção regional que se alimentou na veia dos nutrientes básicos do documentário, Na Quadrada das Águas Perdidas, em que o ator Matheus Nachtergaele, um dos melhores do País, interpreta um catingueiro da região do rio São Francisco interagindo criativamente com um meio inóspito e uma série de animais, embalado por uma trilha sonora de primeira (Elomar, Geraldo Azevedo e grupo Matingueiros);
e o original documentário Estradeiros, em que os diretores radiografam a tribo alternativas dos nômades da era moderna, que diluem as fronteiras dos países da América Latina e das próprias nacionalidades num vai-e-vém incessante, recusando o assentamento e integração com o modo de vida urbano e consumista predominante.
e o original documentário Estradeiros, em que os diretores radiografam a tribo alternativas dos nômades da era moderna, que diluem as fronteiras dos países da América Latina e das próprias nacionalidades num vai-e-vém incessante, recusando o assentamento e integração com o modo de vida urbano e consumista predominante.
Realizado pelos diretores do criativo curta Praça Walt Disney, este último longa materializa a alteridade de seus personagens com uma linguagem estética filtrada por transparências e superposições que reforçam seu sentido – e que evocam o ultrapremiado curta da diretora Renata Pinheiro, Superbarroco.
Revisitando Van Gogh
Entre os curtas, Dia Estrelado, da estreante Nara Normande (PE), animação em stop-motion de bonecos de massinha, lança um original olhar sobre A Noite Estrelada de Van Gogh, transformando-a num dia de sol incessante do sertão nordestino, numa comunidade obcecada pela busca de água, mas de onde não desapareceu nem a perseverança nem o sentido do lúdico e da beleza – como demonstra o esforço de um menino para regar a única flor com lágrimas, suas ou de outros.
Os outros curtas foram A Fábrica, de Aly Muritiba, sobre uma mãe que leva um celular na prisão para o filho, e que percorreu inúmeros festivais, inclusive internacionais, e Sonhando Passarinhos, de Bruna Carolli (DF), este mais um exemplar do cinema infantil que esteve bem representado neste festival, inclusive com um longa de bastante personalidade, Na Corda Bamba – História de uma Menina Equilibrista, de Eduardo Goldenstein.
Seja qual for a direção que tome a premiação hoje à noite, é certo que houve diversidade na seleção de longas – a de curtas deixou um pouco a desejar. Houve representantes dignos de um cinema que aspira um diálogo maior com o público, caso especialmente do longa À Beira do Caminho, um melodrama encharcado de músicas de Roberto Carlos e protagonizado por outro dos maiores atores brasileiros hoje, o baiano João Miguel, que bem faria jus a um prêmio.
Paraísos Artificiais, de Marcos Prado (RJ) – que estreia em grande circuito nesta sexta (4) – também aspira a um contato direto com um público específico, o jovem, que poderá talvez sintonizar melhor os sentimentos fragmentados de uma geração sitiada por excesso de informação e que procura sua utopia de prazer sensorial em delírios sintéticos.
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