21/09/2026

Brasil tem destaque e compete pela Palma de Ouro

Depois de cinco anos, novamente um diretor brasileiro, o mesmo Walter Salles, está na disputa da Palma de Ouro, agora com Na Estrada (foto), uma produção internacional, menina dos olhos do poderoso produtor Francis Ford Coppola.
Coppola, que comprou os direitos do clássico de Jack Kerouac na década de 70, decidiu entregar o projeto a Salles depois de assistir a Diários de Motocicleta, o road movie latino do diretor brasileiro que acompanhava a jornada juvenil de formação de Che Guevara (Gael García Bernal). O filme de 2004, aliás, foi o primeiro de Salles a disputar a Palma em Cannes (em 2007, ele voltou com a produção brasileira Linha de Passe, que ganhou o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni).
Na Estrada compartilha com Diários de Motocicleta, além do diretor, o roteirista portorriquenho Jose Rivera e o uruguaio Gustavo Santaolalla, autor da trilha.
O passaporte do filme é internacional: trata-se de uma coprodução entre EUA, França e Inglaterra. São brasileiros também a atriz Alice Braga, a montadora Lívia Serpa e e o diretor de fotografia da segunda unidade, Mauro Pinheiro Jr.

Curtas nas paralelas
A cineasta brasileira Juliana Rojas (codiretora de Trabalhar Cansa) concorrerá na Semana da Crítica, seção paralela do Festival de Cannes, com o curta O Duplo. A diretora já foi premiada nesta seção, em 2007, com o curta Um Ramo, codirigido por Marco Dutra.
O Duplo é baseado no mito nórdico do Doppelgänger, um ser fantástico que tem o dom de representar uma cópia idêntica a uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar, assumindo o negativo da pessoa para tentar exercer sobre a mesma uma influência nefasta.
Aliando o sobrenatural ao cotidiano banal, O Duplo investiga estados internos das personagens. Silvia (Sabrina Greve) né uma jovem professora do ensino fundamental. Certo dia, sua aula é interrompida quando um dos alunos vê o duplo da professora andando no outro lado da rua. Silvia tenta ignorar a aparição, mas este evento perturbador passa a impregnar seu cotidiano e alterar sua personalidade.
O curta tem fotografia de Flora Dias e o desenho de som de Daniel Turini e Fernando Henna (premiados no Festival de Paulínia 2011 por seu trabalho no longa-metragem Trabalhar Cansa)
Dois outros curtas-metragens brasileiros foram selecionados para a Quinzena dos Realizadores, uma das seções paralelas do Festival de Cannes. São eles Porcos Raivosos, de Leonardo Sette (co-diretor do documentário Hipermulheres) e Isabel Penoni, e Os Mortos-Vivos, de Anita Rocha da Silveira. Além disso, está nesta competição de longas uma coprodução entre Argentina, Brasil e Espanha, Infância Clandestina, de Benjamin Ávila.

Jurados e homenagens
O Brasil será também o “país de honra” desta edição, com a presença de um quarteto veterano de peso: Nelson Pereira dos Santos, que exibirá uma sessão de gala de seu recente documentário A Música Segundo Tom Jobim; Ruy Guerra, mostrando Ópera do Malandro; Eduardo Coutinho, levando a cópia recém-restaurada de Cabra Marcado para Morrer; e Cacá Diegues, com Xica da Silva.
Cacá Diegues vai com dupla missão, já que lidera o júri que concede o Caméra d’Or, o prêmio que distingue o melhor diretor novato de todas as seções. Outro diretor brasileiro, Karim Ainouz, que já teve exibidos em Cannes filmes como Madame Satã e o ainda inédito Abismo Prateado, por sua vez, está no corpo de jurados que premiará o melhor curta da competição e da seção Cinéfondation, que reúne trabalhos de conclusão de curso de estudantes de cinema.