No Cine PE, documentário "Mazzaropi" resgata a originalidade do comediante paulista
- Por Neusa Barbosa
- 29/04/2013
- Tempo de leitura 3 minutos
A terceira noite competitiva do Cine PE foi toda de Mazzaropi, o documentário de estreia do jornalista paulistano Celso Sabadin, que recoloca em foco um dos comediantes mais famosos do cinema nacional, além de um fenômeno de bilheteria e tino comercial no controle da arredação de seus filmes.
Cenas de filmes como Sai da Frente (52), O Corinthiano (66) e O Jeca e a Freira (67), além de um raro depoimento do próprio ator e produtor, morto em 1981, pontuam uma série de depoimentos que assinalam sua trajetória única no cinema brasileiro, emergindo das cinzas do estúdio Vera Cruz – que alguns dizem que poderia ter sido salvo por ele, se tivesse surgido antes.
Com o mérito inegável de recolocar o humorista em discussão, apresentando-o a gerações mais novas que cultuam artistas inferiores – como o mexicano Chaves -, o documentário, que evidencia uma sólida pesquisa por trás, não se desvia de aspectos polêmicos de sua biografia, como seu alegado pão-durismo e estilo tosco de produção, e também de áreas pouco comentadas de sua vida,
como o homossexualismo.
como o homossexualismo.
A lista dos entrevistados é grande e inclui amigos como os apresentadores Hebe Camargo e Ronnie Von, os diretores Glauco Mirko Laurelli e Alfredo Sternheim, o produtor Moracy do Val, os atores David Cardoso, Selma Egrei e Marly Marley, o cantor Daniel e o pesquisador Mássimo Barro.
Introduzindo o personagem, artistas e estudiosos discutem a figura do caipira, que Mazzaropi tão bem encarnou, polarizando o preconceito de parte da crítica intelectualizada num tempo em que o Cinema Novo era o parâmetro cult. O próprio documentário incorpora, com bastante felicidade, essa discussão sobre cinema popular x cinema cult, que ainda hoje continua em pauta, no depoimento final do próprio Mazzaropi e em comentário impagável do apresentador e ex-palhaço de circo Carlos Massa, o Ratinho – um personagem inesperadamente interessante no filme.
Há que se fazer justiça ao humor brasileiro, do qual Mazzaropi foi um dos mais dignos e criativos representantes, ao lado de Oscarito, Grande Otelo, Dercy Gonçalves e vários outros. O documentário de Sabadin é um excelente esforço nesse resgate.
Curtas
No geral, foi uma noite de muitos e, quase todos, bons curtas. Foram duas animações paulistas, a ótima e multipremiada Linear, de Amir Admoni , e Cadê meu Rango?, de George Damiani – que foi melhor de técnica, podendo ir além no roteiro -, e um documentário carioca, Confete, de Jo Serfaty e Mariana Kaufman, mostrando a origem e os caminhos do confete, pontuando a produção desta matéria-prima do carnaval com os encontros românticos de foliões de blocos, como experimentações de imagem bem criativas.
Outro documentário, exibido no É Tudo Verdade, Alexina, de Claudio Bezerra e Stella Maris Saldanha (PE), teve o mérito de trazer alguma informação sobre uma personagem que ficou nos bastidores, a mulher do líder das Ligas Camponesa, Francisco Julião, tão engajada quanto ele e que teve uma vida muito peculiar.
Estendendo-se um pouco (25 min), o filme não aproveita bem, no entanto, todo o seu material.
Estendendo-se um pouco (25 min), o filme não aproveita bem, no entanto, todo o seu material.
O ponto fraco ficou para Os Contratadores, de Evandro Rogers e Marcus Nascimento (MG), que se perde na pretensão de elaborar uma narrativa meio surreal em torno de uma entrevista de emprego e do mundo corporativo, numa narrativa confusa.
