Elenco feminino é o grande trunfo da comédia "Vendo ou alugo"
- Por Neusa Barbosa
- 28/04/2013
- Tempo de leitura 3 minutos
O segundo dia do Cine PE incluiu uma homenagem a uma das maiores atrizes brasileiras, Marieta Severo – que integrava o elenco de um dos concorrentes da noite, a comédia Vendo ou Alugo, de Betse de Paula, procurando fazer rir de uma história com os pés fincados no imbróglio contemporâneo de um Rio pós-UPPs (unidades de polícia pacificadora).
Marieta, assim como Nathália Thimberg – veterana de alto quilate que, na tela interpreta sua mãe e lhe entregou o troféu em Recife – são dois trunfos de um filme que tem como ponto forte um ótimo elenco, do qual participam Silvia Buarque, André Mattos, Marcos Palmeira e o excepcional trio de veteranas Ilka Soares, Carmem Verônica (um show de timing cômico) e Daisy Lúcidi.
Fazer comédia é a coisa mais difícil do mundo, ainda mais tentando dar conta de tantas nuances do cotidiano de uma família arruinada, um clã constituído por quatro gerações de mulheres (Nathália, Marieta, Sílvia e Bia Morgana), vivendo num casarão arruinado na beira de um morro, de cara para uma favela tumultuada por tiroteios – apesar de as celebradas UPPs já terem desembarcado por ali.
Atormentada por dívidas acumuladas, a líder do clã, vivida por Marieta, esforça-se para vender a casa, a única solução cabível. O enredo da comédia estrutura-se em torno desse esforço, do qual vão participar um pastor evangélico corrupto – trazido pela empregada -, um investidor europeu interessado em explorar o inacreditável interesse de alguns turistas estrangeiros por aventuras perigosas nas favelas cariocas e malandros locais, como o interpretado por Marcos Palmeira – que troca favores com a dona da casa, que traduz, por exemplo, um manual de armas compradas pelos traficantes.
Em comédia, por princípio, se pode tudo. Não se é obrigado a respeitar moral, nem bons costumes, nem politicamente correto, tudo em nome de fazer rir, especialmente das contradições de todas as camadas da sociedade. Não raro, o filme de Betse (de O Casamento de Louise) acerta, apostando especialmente no talento de seus atores, que conduzem o seu trabalho com verve, entrega e ritmo.
Nem todos os caminhos do roteiro levaram a bom termo, ou seja, nem todas as piadas dão certo. Mas é saudável, especialmente num filme dirigido por uma mulher, que as insinuações sexuais sejam maliciosas, irônicas, nunca escatológicas – como em boa parte das comédias de maior sucesso de bilheteria hoje -, o que não lhes tira nem um pouco sua munição. A boa notícia é que Vendo ou Alugo se arrisca num outro caminho, um outro tipo de comédia, que flerta com as antigas chanchadas e as atualiza.
Identidade brasileira
A falta de um conceito firme dilui, de saída, a intenção do documentário Orgulho de Ser Brasileiro, em que o jornalista e agora cineasta Adalberto Piotto entrevista diversas personalidades, de Fernando Henrique Cardoso, Marina Silva a Ferréz, Max de Castro, Simoninha e Gerald Thomas, ouvindo-os sobre se tem ou não esse orgulho.
Ao longo das conversas, realizadas no Brasil e também fora dele – com brasileiros que vivem fora do país, como uma corretora de imóveis de luxo em Miami e um realizador de eventos em Fort Lauderdale -, esse foco se perde, caindo-se numa generalidade um tanto superficial. Ainda que se tratasse de um programa de TV, deixaria a desejar.
Foto:Daniela Nader/Divulgação
