"Revelando Sebastião Salgado" apresenta lado pessoal do famoso fotógrafo
- Por Neusa Barbosa
- 13/08/2013
- Tempo de leitura 2 minutos
Gramado – Único documentário da seleção de concorrentes brasileiros, Revelando Sebastião Salgado, de Betse de Paula, aproxima um pouco mais o público do famoso e premiado fotógrafo brasileiro, autor de fotos emblemáticas de rostos, trabalhadores, imigrantes e exilados que percorrem o mundo.
Coproduzido pela Riofilme e o Canal Brasil, o filme nasce com vocação de uma boa carreira na TV e no DVD, aproveitando a contento o carisma de Salgado, na intimidade de seu apartamento, em Paris. Articulado, o fotógrafo nascido há 69 anos na pequena Conceição do Capim (MG) conta sua vida, desde que foi estudar na França, lá ficando por conta da ditadura militar no Brasil e, depois, trabalhando como economista a serviço da Organização Internacional do Café. Foi ainda nesta fase que realizou suas primeiras fotos numa viagem à África, ainda sem ter ideia de que isso se tornaria sua verdadeira vocação, primeiro nas agências Sygma, Gamma e Magnum, depois com sua própria agência.
Momentos cruciais desta fascinante biografia, como as fotos em primeira mão do atentado contra o presidente dos EUA, Ronald Reagan, em 1981, por um lance de sorte, e diversas séries famosas, como as imagens do garimpo de Serra Pelada, intercalam o documentário, que afinal, revela uma pessoa surpreendentemente comum, ao lado de sua mulher e colaboradora da vida inteira, Lélia Wanick, e os dois filhos, Juliano e Rodrigo.
Não se esperem aqui controvérsias nem discussões sobre qualquer aspecto mais polêmico do trabalho fotográfico. Revelando Sebastião Salgado é um filme de pretensão discreta – mesmo do ponto de vista técnico do próprio documentário -, para estar junto e gostar de seu personagem.
Teatro conta imigração
Também semidocumental foi o longa estrangeiro da noite, a produção argentina Venimos de Muy Lejos, em que o diretor Ricardo Piterbarg retrata a gênese de um espetáculo do mesmo nome, encenado desde 1990 pela trupe teatral Catalinas Sur, a partir de uma pesquisa das experiências de imigrantes – na maioria italianos – que se radicaram na Argentina em décadas passadas, especialmente na região da Boca em Buenos Aires.
Curtas
Não foi boa a noite para os curtas. Decepcionou, em técnica e roteiro, a animação goiana Faroeste – Um Autêntico Western, de Wesley Rodrigues, que tenta fazer uma confusa alegoria sobre a violência, usando referências de western e animais como personagens.
Não se viu muita criatividade, igualmente, na ficção Tomou Café e Esperou, de Emiliano Cunha (RS), retratando a espera de um velho homem (Milton Mattos), no cenário de um apartamento vazio.
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