06/06/2026

Novo filme dos irmãos Coen tem hoje exibição única

A segunda-feira não tem nada de tediosa, se a gente seguir os passos da Mostra. Confira alguns destaques do dia:


Inside Llewyn Davis – Balada de um Homem Comum
É a única sessão do filme na Mostra, então os fãs dos Coen não podem perder. Retratando a trajetória para lá de acidentada de um cantor de música folk, talentoso mas fracassado, Llewyn Davis (o ótimo Oscar Isaac), os talentosos diretores e roteiristas, no entanto, parecem simplesmente estar trilhando o mesmo território já percorrido em sua filmografia antes, sem extrair desse solo fértil nenhum diamante novo. Ainda assim, é um filme bom de ver, que venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2013.
É um história de época, ambientada nos anos 1960, agradável de ver, com boas atuações de
um elenco repleto de habituês dos Coen, como John Goodman, e completado por novos integrantes:
caso de Carey Mulligan (mostrando porque é atualmente uma das mais versáteis atrizes do mundo), Garrett Hedlund (Na Estrada) e F. Murray Abraham (com uma única e definitiva cena).
O cenário musical folk no Greenwich Village nova-iorquino antes do surgimento de Bob Dylan – que é representado rapidamente de um modo engraçado – , uma visão da família norte-americana (será que não é de toda família, que só muda de endereço?), um olhar cínico sobre os relacionamentos amorosos embalam o contexto. Tudo isso torna mais saboroso acompanhar as desventuras de Llewyn, lutando por um lugar ao sol depois do suicídio de um parceiro, mas não conseguindo encontrar um modo de ser realmente vencedor, essa obsessão da América. Um verdadeiro gato vira-lata na vida, um símbolo que aliás se torna literal, com a participação de dois bichanos no caminho atravancado do protagonista, que pode ser encarado como alguém imbuído de uma dignidade peculiar demais para seu próprio bem – o que dá à sua história um toque melancólico.
A melhor notícia do filme é como o guatemalteco criado em Miami Oscar Isaac atua bem quando tem chance num filme bom – já tinha dado para notar com seu pequeno papel em Drive, ao lado de Ryan Gosling. Aqui, ele se apropria de um personagem que facilmente cairia na caricatura, não fossem os Coen os diretores/roteiristas sutis que são. (Neusa Barbosa)
Indicação: 16 anos

CINE LIVRARIA CULTURA 1















21/10/2013 - 21:30 - Sessão: 313 (Segunda)


Miss Violence
O drama do jovem diretor Alexandros Avranas foi um dos filmes mais impactantes do último Festival de Veneza, do qual saiu com dois prêmios, melhor direção e melhor ator, para Themis Panou. Poderia, com méritos, ter levado o Leão de Ouro.
Trata-se de um drama forte, rigoroso, estética e dramaticamente bem construído em torno de uma família altamente disfuncional. Há um clima nelson-rodriguiano nesta história de um clã marcado pelo incesto e a exploração sexual por parte de um patriarca (Themis Panou), que vive com a mulher, a filha e quatro crianças – seus netos? Seus filhos?
Aparentemente, é uma família normal, moradora de um apartamento de classe média, onde os moradores fazem suas refeições, as crianças vão à escola, desempenham à risca os rituais do cotidiano. A máscara de normalidade começa a ruir quando ocorre o suicídio de uma das meninas, de 11 anos, em pleno dia de seu aniversário, e o serviço social vem investigar o fato.
A câmera e o tom das interpretações – dessensibilizadas, quase como se todos fossem meio robotizados – criam um clima estranho, que funciona perfeitamente para dar conta desse estado de mal-estar permanente, desse horror contido pela dominação do status quo, das instituições apodrecidas, que se mantém pela intimidação. É mais um bom exemplo do duro e instigante cinema que estão produzindo os novos cineastas da Grécia. A economia do país pode estar em crise, mas essa nova geração de realizadores está sendo capaz de expressar o que há de podre na antiga morada dos deuses do Olimpo. (Neusa Barbosa)

Indicação: 18 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1

21/10/2013 - 21:50 - Sessão: 280 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1





22/10/2013 - 22:40 - Sessão: 393 (Terça)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3

23/10/2013 - 14:00 - Sessão: 444 (Quarta)
CINE SABESP

31/10/2013 - 18:20 - Sessão: 1198 (Quinta)


Riocorrente
O segundo longa do experiente montador Paulo Sacramento, premiado em Brasília, confirma o talento e a audácia de um dos mais promissores novos diretores brasileiros, autor também do documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro. Dá gosto acompanhar a garra com que Sacramento, também roteirista aqui, delineia traços do mal-estar da contemporaneidade do País, a partir de personagens que são muito mais do que esboços, tudo isso emoldurado por paisagens de uma São Paulo que o diretor ama de um modo sincero, mas sem concessões, nem embelezamentos.
Personagens como o jornalista Marcelo (Roberto Audio), sua namorada Renata (Simone Iliescu), o ladrão Carlos (Lee Taylor) e o menino de rua “Exu” (Vinicius dos Anjos) sustentam esse embate com a cidade, num contexto de humanidade desgastada, relações em decomposição, procurando escavar suas verdades, nos contextos da cultura, no caso do jornalista e da namorada, da marginalidade, no caso do ladrão e do menino.
Os dois universos se tocam através da mulher, que se envolve também com Carlos e faz uma ponte entre essas realidades que os muros dos condomínios fechados isolam, mas a vida real das ruas da maior metrópole do País não fazem por menos do que misturar visceralmente.
Como admitem o próprio diretor e seu produtor, Pablo Torrecillas, é um filme de risco, que não se atemoriza de criar imagens surreais, como a cabeça de alguém que explode, ou um rio de fogo. Bendito risco. Riocorrente é um filme para não se ignorar. (Neusa Barbosa)
Indicação: 14 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2

21/10/2013 - 15:40 - Sessão: 282 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1





30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1123 (Quarta)


São Silvestre
O novo e inédito filme da diretora paulistana Lina Chamie é uma experiência pessoal pela pele de seus protagonistas, um deles o ator Fernando Alves Pinto, e por paisagens da cidade de São Paulo, como o Minhocão, a avenida Paulista, o Teatro Municipal e outros pontos estratégicos do percurso desta que é a principal corrida da capital paulistana, a São Silvestre.
A experiência de estar dentro da maratona é transmitida visceralmente pelo filme, já que Fernando realmente participou da prova, tendo uma câmera acoplada ao próprio corpo. Sabiamente, Lina explora os pontos de vista, incorporando personagens à sua volta, outros corredores, pessoas que assistem, cenas da cidade enquanto a prova acontece. Tudo isso em tempo real, desde a manhã, antes de tudo começar, quando o dia amanhece, até o desenrolar da prova mesma.
Lina procura uma linguagem para o que quer mostrar, tentando instaurar um novo olhar sobre algo já tão conhecido e midiatizado. Por isso, seu filme é uma experiência sensorial diferente. Vale tentar. (Neusa Barbosa)

Indicação: Livre.
VÃO LIVRE DO MASP





















21/10/2013 - 19:30 - Sessão: 333 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1





28/10/2013 - 22:20 - Sessão: 960 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5

29/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1005 (Terça)


Todos os gatos são brilhantes
O drama grego sobre os tempos conturbados no país rendeu à atriz Maria Georgiadou o prêmio na categoria no Festival de Atenas deste ano. Artista e ativista política, ela enfrenta os desdobramentos da crise financeira e do obscurantismo político da Grécia contemporânea. Seu namorado é um preso político, seus pais um casal da geração hippie que não concorda com qualquer tipo de interferência na vida da garota que, numa referência à mitologia, chama-se Electra.
A moça vive momentos de incerteza. Participa de passeatas, foge da polícia e tenta ajudar o namorado a sair da prisão. No meio de tudo, existe um vazio, uma insegurança dentro de si. De que vale o que faz? Vale algo? Aonde quer chegar? Até onde é possível ir? São dramas e dilemas que retratam uma geração de jovens em busca de novas perspectivas, de mudanças – mas ainda procurando os caminhos para tal.
O filme tem potencial para repercutir no Brasil do presente – ainda sob a sombra dos protestos de junho. Electra conversa com um amigo mais velho – da idade de seus pais – e explica que sente falta de alguma orientação em sua vida. Ocupada com sua arte (cartazes de protesto que cola pela cidade), seu trabalho como babá (que lhe rende seu sustento), a protagonista é mais uma testemunha de seus tempos do que uma personagem muito ativa. É nesse retrato da incerteza que a personagem é a figuração de nossos tempos. (Alysson Oliveira)

Indicação: 12 anos.
CINE SABESP - 21/10/2013 - 17:50 - Sessão: 299 (Segunda)


Habi, a Estrangeira
A coprodução entre Argentina e Brasil apresenta uma intrigante busca de reinvenção da própria identidade por parte de uma jovem de 20 anos (Martina Jucadella). Vivendo no interior, ela vem a Buenos Aires para entregar algumas peças de artesanato. No local da entrega, acontece um funeral muçulmano. Ela sente-se atraída àquele mundo e resolve mudar seus planos.
Ao invés de voltar para casa, como previsto, ela aluga um quarto numa pensão barata, identifica-se como Habiba Rafat e arranja emprego numa pequena mercearia pertencente a um libanês. Além disso, arruma um figurino muçulmano, voltando ao centro para receber aulas de árabe e religião.
Ocultando do espectador os pensamentos de Habiba, o filme da estreante María Florencia Álvarez instala um jogo que pretende estimular a participação do público para imaginar o que há por trás das lacunas. Deixa no ar a dúvida, por exemplo, de que Habi possa ter vindo à cidade com um propósito mais definido, em busca do esclarecimento de uma história de seu passado, que pode incluir Hassan (Martin Slipak), filho de seu patrão.
Uma trama paralela envolve Habi com sua vizinha de quarto na pensão, a atormentada Margarita (Maria Luísa Mendonça), que vive uma relação conturbada com Horacio (Diego Velásquez).
No mais, trata-se de um filme de iniciação e aprendizado, tanto para a protagonista, quanto para a diretora e roteirista. A referência a uma pequena comunidade muçulmana na América do Sul também é oportuna, já que muito pouco abordada

Indicação: Livre.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4

21/10/2013 - 17:45 - Sessão: 293 (Segunda)
RESERVA CULTURAL 1




















25/10/2013 - 16:00 - Sessão: 675 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 1




















28/10/2013 - 18:10 - Sessão: 963 (Segunda)


A Fuller Life
Cineasta, jornalista, escritor, uma das expressões máximas do termo “diretor independente” numa Hollywood muito diferente da atual, Samuel Fuller (1912-1997) foi um homem que, acima de tudo, sabia contar bem suas histórias, fosse na tela, fosse no papel. Ele ainda era menor de idade quando se iniciou como repórter policial, uma experiência que forjou um olhar sutil para os paradoxos da vida.
Ele teve uma vida, aliás, rara, que incluiu uma passagem por vários dos campos de batalha da II Guerra Mundial, em que, por escolha própria, ele preferiu ser soldado da infantaria do que no departamento de propaganda a que fora destinado. Essa existência intensa ele mesmo contou numa saborosa autobiografia,
A Third Face – My Tale of Writing, Fighting and Filmmaking, cujo texto oferece a sua filha, Samantha Fuller, um prato cheio para compor a espinha dorsal do documentário
A Fuller Life.
Desfilam pela tela atores que trabalharam nos filmes de Fuller, caso de David Carradine e Mark Hamill, intérpretes de
Agonia e Glória
(80), diretores como William Friedkin, Wim Wenders, Joe Dante e Monte Hellman, e vários outros amigos e admiradores do cineasta, lendo trechos de sua autobiografia. O texto de Fuller é tão bom que flui na tela, numa bela homenagem. Melhor ainda, saia do cinema e encomende correndo o livro, é imperdível. (Neusa Barbosa)

Indicação:
14 anos
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ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1





21/10/2013 - 14:00 - Sessão: 318 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1

22/10/2013 - 14:40 - Sessão: 347 (Terça)