06/06/2026

Mulheres em risco e o perfil de um escritor

Veja alguns dos destaques da programação de hoje da Mostra:


A mulher do policial
Conhecido internacionalmente por seu documentário sobre um mosteiro francês, O Grande Silêncio (2005), Prêmio Especial em Sundance em 2006, o diretor alemão Philip Gröning exerce neste seu drama ficcional, A Mulher do Policial, um muitas vezes exasperante exercício formal, dividindo as quase três horas de duração do filme em 59 microcapítulos, anunciando seu início e final por letreiros.
Esses capítulos constroem o cotidiano de uma pequena família de classe média, formada pelo policial Uwe (David Schimmerschied), sua mulher Christine (Alexandra Finder) e uma filha pequena, Clara (interpretada pelas gêmeas Pia e Clara Kleenman).
Há momentos de uma indescritível beleza, retratando o idílio da família com a natureza, em busca de prendas de Páscoa num bosque; a menina e a mãe plantando sementes numa pequena horta; e cada um dos personagens cantando para a câmera. Toda essa doçura é sobreposta por outras cenas mostrando o meticuloso policial guardando metodicamente suas coisas num quarto em sua casa; e também executando seu trabalho em cenas de acidentes. Quase não há fronteira entre a ternura e o horror, que surge paulatinamente pela descoberta do espectador das grandes manchas no corpo de Christine, que denunciam os severos espancamentos que sofre – e a sua inquietante submissão a esse relacionamento de interdependência doentia.
Se há uma coisa que o filme de Gröning não procura é lançar pistas psicológicas. Se não absolve o espancador, nem sua vítima consentida, também não abre portas a soluções – vizinhos e colegas de trabalho parecem nada perceber do que se passa dentro da casa da família. Um indicio de que algo de selvagem ronda esta pequena rua, aparentemente tão limpa e civilizada, é a constante visita noturna de uma raposa. Um momento David Lynch, num filme cujas cenas mais belas remetem ao mexicano Carlos Reygadas, tudo isso embalado num rigor formal digno do austríaco Michael Haneke.
O filme venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza 2013

Indicado para: 16 anos.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2

20/10/2013 - 16:20 - Sessão: 198 (Domingo)
CINESESC

22/10/2013 - 21:00 - Sessão: 401 (Terça)
CINEMATECA - SALA BNDES 30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1105 (Quarta)


A Montanha Matterhorn
O promissor primeiro longa do diretor holandês Diederik Ebbinge investe na composição firme dos personagens, a partir do protagonista, Fred (Ton Kas), homem solitário, ensimesmado, preso numa teia que envolve rotina, religião e moral extremamente rígidas, represando sentimentos e prazeres.
A aparição de um estranho, Theo (René van’t Hof), com aparentes problemas mentais, desafia a rigidez do arranjo. Fred é forçado a sair de sua zona de conforto – que é, na verdade, um território de medo e repressão – para proteger um homem que mal fala e tem a compreensão de uma criança pequena.
Entre os dois forma-se uma interação complexa, em que, num determinado momento, parece haver algum indício de exploração, mas em que o afeto infiltra-se aos poucos. A sugestão de homossexualismo entra na equação e o filme acolhe este aspecto de maneira sensível.
Não é propriamente um filme gay, no sentido de que não tem como objetivo primeiro advogar pela tolerância – embora também o faça por caminhos inesperados.
O roteiro, também assinado pelo diretor Ebbinge, interessa-se mais por investigar de que maneiras as pessoas podem romper círculos viciosos, pessoais ou sociais, a partir de interações cujos padrões não seguem nenhuma cartilha. Como a própria vida

Indicação: Livre.

CINE LIVRARIA CULTURA 2

20/10/2013 - 16:30 - Sessão: 232 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4

23/10/2013 - 22:30 - Sessão: 453 (Quarta)
FAAP
29/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1053 (Terça)


Habi, a Estrangeira
A coprodução entre Argentina e Brasil apresenta uma intrigante busca de reinvenção da própria identidade por parte de uma jovem de 20 anos (Martina Jucadella). Vivendo no interior, ela vem a Buenos Aires para entregar algumas peças de artesanato. No local da entrega, acontece um funeral muçulmano. Ela sente-se atraída àquele mundo e resolve mudar seus planos.
Ao invés de voltar para casa, como previsto, ela aluga um quarto numa pensão barata, identifica-se como Habiba Rafat e arranja emprego numa pequena mercearia pertencente a um libanês. Além disso, arruma um figurino muçulmano, voltando ao centro para receber aulas de árabe e religião.
Ocultando do espectador os pensamentos de Habiba, o filme da estreante María Florencia Álvarez instala um jogo que pretende estimular a participação do público para imaginar o que há por trás das lacunas. Deixa no ar a dúvida, por exemplo, de que Habi possa ter vindo à cidade com um propósito mais definido, em busca do esclarecimento de uma história de seu passado, que pode incluir Hassan (Martin Slipak), filho de seu patrão.
Uma trama paralela envolve Habi com sua vizinha de quarto na pensão, a atormentada Margarita (Maria Luísa Mendonça), que vive uma relação conturbada com Horacio (Diego Velásquez).
No mais, trata-se de um filme de iniciação e aprendizado, tanto para a protagonista, quanto para a diretora e roteirista. A referência a uma pequena comunidade muçulmana na América do Sul também é oportuna, já que muito pouco abordada

Indicação: Livre.
CINE LIVRARIA CULTURA 1















20/10/2013 - 19:00 - Sessão: 229 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4

21/10/2013 - 17:45 - Sessão: 293 (Segunda)
RESERVA CULTURAL 1




















25/10/2013 - 16:00 - Sessão: 675 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 1




















28/10/2013 - 18:10 - Sessão: 963 (Segunda)


Rubem Braga, Olho as Nuvens Vagabundas
O cronista capixaba, de quem se comemora o centenário este ano – assim como Vinicius de Moraes – é relembrado neste documentário de André Weller por sua obra e momentos de sua vida, relembrados por alguns de seus diletos amigos, frequentadores de sua acolhedora cobertura em Ipanema, em que ele plantou um pomar elevado, com pitangas e carambolas e uma vista para o mar.
Zuenir Ventura, Ziraldo, Ana Maria Machado, Marina Colassanti, Danuza Leão, Maria Lúcia Rangel e outros passeiam por esse belo apartamento, morada de Braga por décadas, onde ele, deitado em sua rede, de olho no mar distante e no cotidiano, criava seus textos sublimes, agudos, encharcados de um humor peculiar e disfarçando um sentimento grande como o mundo, já que o escritor temia ser piegas, como lembra um desses amigos. Conseguiu nunca esbarrar nisso.

Indicação: Livre
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 20/10/2013 - 20:45 - Sessão: 271 (Domingo)
MATILHA CULTURAL
25/10/2013 - 17:15 - Sessão: 700 (Sexta)