06/06/2026

Na abertura, clássicos e novatos instigantes


Em seu primeiro dia de programação, a Mostra oferece fartura de clássicos. Pode-se escolher mergulhar de cabeça em filmes de Stanley Kubrick, como Dr. Fantástico, O Iluminado, Barry Lyndon e De Olhos Bem Fechados, todos exibidos hoje (18) no CineSesc. Ou optar pela delicadeza de Yasujiro Ozu em seu A Rotina tem seu Encanto ou na audácia formal de Providence, de Alain Resnais, os dois em cartaz hoje no Espaço Itaú Frei Caneca 1.
Para quem prefere novidades, não faltam sugestões. Quatro delas a seguir:


Lições de Harmonia
Só a raridade de uma produção proveniente do Casaquistão justificaria a curiosidade em torno deste filme, do diretor estreante Emir Baigazin, que coleciona prêmios por vários festivais internacionais. A começar por Berlim 2013, em que a fotografia excepcional de Aziz Zhambakyiev garantiu um Urso de Prata pela contribuição artística.
De fato, a fotografia em preto-e-branco e uma iluminação com apuro extremo são ingredientes relevantes neste inquietante retrato contemporâneo da ex-república soviética, um país muçulmano, em que adolescentes de uma escola são atormentados por bullying e criminalidade organizada, protagonizada por outros jovens, todos alunos ali.
A instituição é, visivelmente, um microcosmo de uma sociedade devastada, em que outras instituições, como a polícia, mostram-se igualmente inoperantes, além de violentas. Todo o elenco é formado por dedicados jovens amadores, caso também do protagonista Aslan (Timur Aidarbekov, que vivia num orfanato até ser selecionado para o filme).
Aslan é um garoto tímido, criado pela avó, ótimo aluno, mas que sofre um processo de isolamento depois de submetido a uma brincadeira humilhante, quando se realizavam exames médicos na escola. Bolat (Aslan Anatbayev), o valentão do pedaço, ordena a todos os demais alunos - que ele extorque e maltrata fisicamente, com a ajuda de seus “capangas” - não falem mais com Aslan, que assim mergulha numa solidão ainda maior. Um pacto de silêncio encobre dos professores, burocraticamente desatentos, a real situação.
A chegada de um novato na classe, Mirsayin (Muktar Andassov), proporciona um novo amigo a Aslan. Mas é também a partir de sua vinda que se precipitam uma série de conflitos no enfrentamento contra Bolat e sua gangue.
O filme eventualmente extrapola este universo escolar ao revelar para quem é destinada parte substancial dessa extorsão cotidiana – como alunos mais velhos e também um intermediário que levanta fundos para os “irmãos” presos. Pode-se muito bem supor que futuro esperar de uma mistura assim explosiva.
(Neusa Barbosa)


Indicação: 18 anos.
CINE LIVRARIA CULTURA 1 - 18/10/2013 - 21:35 - Sessão: 40 (Sexta)
CINESESC - 19/10/2013 - 19:20 - Sessão: 159 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2 - 20/10/2013 - 22:10 - Sessão: 200 (Domingo)
CINE SABESP -
28/10/2013 - 14:00 - Sessão: 935 (Segunda)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 5 29/10/2013 - 18:00 - Sessão: 1072 (Terça)


Grand Central
Destaque na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2013, o segundo filme da jovem cineasta e roteirista francesa Rebecca Zlotowski mostra um grande amadurecimento, unindo um romance de risco a um contexto de trabalho em usinas nucleares com claro tom de denúncia. A França é, aliás, o país europeu que mais utiliza esse tipo de energia.
Gary (Tahar Rahim) é um jovem desempregado, que acaba recrutado para o serviço de limpeza dessas usinas, compondo com outros rapazes iguais a ele um exército de trabalhadores temporários, expostos aos enormes perigos com a radiação – que eles não desconhecem, mas têm poucas condições de recusar, devido ao imenso desemprego na Europa.
Contratado, Gary e seus amigos são alojados perto de uma usina, unindo-se a supervisores como Gilles (Olivier Gourmet) e Toni (Denis Ménochet) – homens experientes nesta atividade absurdamente arriscada, que deveria ser destinada apenas a robôs, o que não ocorre para evitar custos às empresas. Gary envolve-se com a mulher de Toni (Léa Seydoux), injetando na história o intimismo, humanizando o que poderia ser apenas um drama sindical e político.
Todos esses ingredientes, reunidos com boa liga, proporcionam um filme forte, ótimo de ver. Uma nova diretora nasce no cinema francês – e conduz muito bem seu elenco admirável, além de traçar na tela um retrato realista da realidade de seu país, que não é nada rósea. (Neusa Barbosa)

Indicação: 14 anos.
RESERVA CULTURAL 1




















18/10/2013 - 22:50 - Sessão: 56 (Sexta)
CINE LIVRARIA CULTURA 2















20/10/2013 - 18:15 - Sessão: 233 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4 25/10/2013 - 18:00 - Sessão: 712 (Sexta)
CINEMATECA - SALA BNDES















26/10/2013 - 16:00 - Sessão: 758 (Sábado)


Todos os gatos são brilhantes
O drama grego sobre os tempos conturbados no país rendeu à atriz Maria Georgiadou o prêmio na categoria no Festival de Atenas deste ano. Artista e ativista política, ela enfrenta os desdobramentos da crise financeira e do obscurantismo político da Grécia contemporânea. Seu namorado é um preso político, seus pais um casal da geração hippie que não concorda com qualquer tipo de interferência na vida da garota que, numa referência à mitologia, chama-se Electra.
A moça vive momentos de incerteza. Participa de passeatas, foge da polícia e tenta ajudar o namorado a sair da prisão. No meio de tudo, existe um vazio, uma insegurança dentro de si. De que vale o que faz? Vale algo? Aonde quer chegar? Até onde é possível ir? São dramas e dilemas que retratam uma geração de jovens em busca de novas perspectivas, de mudanças – mas ainda procurando os caminhos para tal.

O filme tem potencial para repercutir no Brasil do presente – ainda sob a sombra dos protestos de junho. Electra conversa com um amigo mais velho – da idade de seus pais – e explica que sente falta de alguma orientação em sua vida. Ocupada com sua arte (cartazes de protesto que cola pela cidade), seu trabalho como babá (que lhe rende seu sustento), a protagonista é mais uma testemunha de seus tempos do que uma personagem muito ativa. É nesse retrato da incerteza que a personagem é a figuração de nossos tempos. (Alysson Oliveira)

Indicação: 12 anos.
CINEMARK - SHOPPING CIDADE JARDIM 6 -18/10/2013 - 21:00 - Sessão: 75 (Sexta)
CINESESC -19/10/2013 - 15:00 - Sessão: 157 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1 -20/10/2013 - 17:00 - Sessão: 193 (Domingo)
CINE SABESP - 21/10/2013 - 17:50 - Sessão: 299 (Segunda)

Solo
Apesar do baixo número de lançamentos anuais, o cinema uruguaio se tornou bastante conhecido por sua diligência na qualidade do que entrega. E o diretor estreante em longa-metragem Guillermo Rocamora (assistente de produção do premiado Whisky), veio à Mostra com um bom motivo para manter essa promessa.
O seu vigoroso Solo, vencedor do prêmio do júri do Festival de Filmes de
Miami, conta o drama vivido pelo músico Nelson Almada (Enrique Bastos). Depois de duas décadas trabalhando como trompetista na banda das forças armadas uruguaias e de ser abandonado pela mulher, ele percebe que sua vida não lhe trouxe qualquer glória.
Nessa introspecção em sua vida, lembra das músicas que compôs quando jovem e decide participar de um concurso de rádio para novos autores, onde se sai muito bem. Porém, Nelson está escalado para uma viagem oficial à Antártida pelas forças armadas, que coincide com as datas do concurso. Assim, ele deverá eleger entre sua vida e seu sonho.
Com uma interpretação contida e ao mesmo tempo contagiante de Bastos, o filme de Rocamora é direto e espontâneo, numa narrativa simples. Também coopera o fato de que todos os demais personagens das forças armadas são militares reais, injetando mais realismo nas cenas.
(Rodrigo Zavala).

Indicação: 14 anos.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4

18/10/2013 - 19:00 - Sessão: 18 (Sexta)
CINEMATECA - SALA BNDES















20/10/2013 - 16:10 - Sessão: 219 (Domingo)
CINE LIVRARIA CULTURA 2















23/10/2013 - 16:00 - Sessão: 470 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 5 24/10/2013 - 20:00 - Sessão: 614 (Quinta)