06/06/2026

De olho nas geografias distantes

A quarta-feira é um bom dia para conferir atrações da Islândia (The Deep), Irã (Cortinas Fechadas) e Japão (Pais e Filhos). E também de se programar para assistir à última sessão de De Olhos Bem Fechados, último filme de Stanley Kubrick, e da novidade mexicana Club Sandwich. Detalhes a seguir:


Pais e filhos
Prêmio do Júri em Cannes 2013, este drama intimista do experimentado Hirokazu Kore-eda investiga uma troca de bebês que sacode duas famílias, retratando o dilema com as habituais sensibilidade e precisão. O cineasta, que despontou na carreira obcecado pelo tema da morte – que explorou em várias facetas, desde Maborosi – A Luz da Ilusão (1995) -, ultimamente voltou seu foco para as crianças. E elas brilham no seu filme, naturais como na vida.
Kore-eda explora as camadas de uma situação insuportável – a descoberta, por dois casais, de que seus filhos de 6 anos foram trocados na maternidade. Com esse ponto de partida de melodrama, ou de novela, o cineasta japonês desvia-se da pieguice e emociona com sutileza, indo ao centro da questão, acompanhando as reações das duas famílias.
O protagonista é o executivo Ryota (Masaharu Fukuyama), um homem obcecado pelo trabalho e pouco tempo para olhar para a família, mesmo para o filho único, Keita (Keita Nonomya). É esse homem viciado no controle dos mínimos detalhes quem simboliza, mais do que os outros personagens, uma progressiva imersão na incerteza, nas emoções que, finalmente, vêm à tona para ele também.
A família que criou o outro menino é completamente diversa – formada por um comerciante bom vivant, Yudai (Lily Franky), que tem uma noção diferente do tempo, do dinheiro, outros valores. E é disso também que o filme quer falar, sem tornar-se banal, nem pregar uma moral humanista ou bom-mocista de almanaque.
Em seu registro intimista, que vem aperfeiçoando desde Ninguém Sabe (2004), Kore-eda revela-se profundo. (Neusa Barbosa)


Indicação: 12 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1





30/10/2013 - 20:05 - Sessão: 1126 (Quarta)


Cortinas fechadas
Condenado em 2010 a prisão domiciliar por 6 anos, e a uma proibição de filmar por 20, o premiado cineasta iraniano Jafar Panahi tem, de algum modo, driblado essa absurda censura à sua liberdade de expressão. Este segundo “filme-guerrilha” produzido nesse período ( o primeiro foi Isto Não é um Filme, de 2011), co-dirigido com Kambuzia Partori, trata justamente de cerceamento e repressão. Obviamente, foi produzido secretamente e sem autorização. E venceu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Berlim 2013.
O protagonista é um escritor (Kambuzia Partori) que vem esconder-se numa isolada casa de praia, trazendo seu cãozinho, Menino. Logo se fica sabendo que o cão é uma das razões de sua fuga – vê-se num noticiário de televisão o massacre de vários cães, considerados “animais impuros” pelas autoridades. A solidão do homem, que fechou todas as janelas com cortinas e panos pretos, é rompida pela chegada de dois jovens (Hadi Saeedi e Maryam Moqadam), que alegam estar sendo perseguidos. A contragosto, e ouvindo o som de policiais do lado de fora, ele aceita acolhê-los. Logo o rapaz parte, prometendo voltar para buscar a irmã. Pede que o escritor tome conta dela, porque tem eventuais impulsos suicidas.
A personagem feminina evoca a linha fina entre imaginação e realidade que se imbrica no tecido mesmo do enredo. Ela é mesmo real? Ou é um lado da psique do escritor com quem ele discute o que o atormenta?
Há um filme dentro do filme. O escritor parece estar escrevendo o roteiro do próprio filme que interpreta. Na sequência da história, o próprio Jafar aparece em cena – trata-se, afinal, de sua casa, vendo-se pôsteres de seus filmes, como O Espelho, O Balão Branco e O Círculo nas paredes. Vê-se que foi ele quem filmou parte do que se viu antes. Agora, interage com outras pessoas, manda consertar uma janela quebrada. As cortinas foram abertas, mas ele parece triste, indeciso, de olho no mar à frente. A história incorpora sua incerteza, sua tentativa de fabular, de contar a própria história e outras. Cortinas Fechadas é, mais do que tudo, a materialização da vontade indomável de um artista de manter a própria voz ativa, ainda que ela nem sempre encontre os melhores meios de ser ouvida. (Neusa Barbosa)


Leia os comentários sobre a perseguição ao diretor:

Indicação: 14 anos
RESERVA CULTURAL 1



30/10/2013 - 19:30 - Sessão: 1131 (Quarta)


Club Sandwich
Em seu terceiro longa, o diretor mexicano Fernando Eimbcke continua a abordar a adolescência como período de descobertas e transição para a vida adulta, a exemplo do que tinha feito em seus trabalhos anteriores, os premiados Temporada de Patos (2004) e Lake Tahoe (2008). Este filme mais recente retrata um episódio de independência juvenil e o momento em que a mãe percebe que a sua “criança” cresceu.
No caso, Paloma está passando alguns dias com o filho Hector em um hotel no litoral, onde demonstram grande sintonia no relacionamento familiar. Eles ganharam a estadia em uma promoção, provavelmente para usarem fora de temporada, pois o local está com poucos hóspedes. Dos poucos que estão lá, o menino conhece Jazmín e logo se interessa pela garota. Os dois começam uma amizade com as características desse período efervescente de descobertas sexuais - não é por menos que o ventilador é um objeto constante na mise-en-scène que o diretor monta nesta obra. Ao perceber o que está acontecendo, Paloma fica preocupada com o Hector e passa a se intrometer na relação dos jovens.
As situações são apresentadas de maneira tão cotidiana que o riso do público vem espontaneamente, sem o diretor precisar forçar a barra. Isso porque a identificação com os personagens é instantânea, não necessariamente por conta das ações que realizam, mas pelo comportamento tão inato de um adolescente que está conhecendo a si próprio e de uma mãe tentando proteger o seu filho da maneira que pode. (Nayara Reynaud)

Indicação: 18 anos

CINE LIVRARIA CULTURA 1


30/10/2013 – 16:00 – Sessão: 1114 (Quarta)


The Deep
Intercalando trabalhos em Hollywood e produções em sua terra natal, o cineasta islandês Baltasar Kormákur vai conquistando o seu espaço na terra do cinema e garantindo o que já ganhou na Islândia. Um exemplo é The Deep, longa de 2012, que o diretor fez na gélida ilha europeia antes de Dose Dupla, seu último filme norte-americano, lançado há poucos meses.
A Mostra trouxe a obra islandesa de Baltasar, que mostra a história, baseada em fatos reais, de Gulli, um pescador tentando sobreviver a um naufrágio no congelante Oceano Pacífico que banha o litoral sul da Islândia. O frio é ressaltado no filme, não só pelos personagens fumando e bebendo direto para espantá-lo, mas também pela fotografia de cores frias – que foi tanto prejudicada, provavelmente por falhas de projeção na sessão do último domingo (27-10), no Reserva Cultural, pois o branco estava estourado e brilhando estranhamente na tela.
Enquanto se esforça para nadar rumo à costa, Gulli relembra acontecimentos do passado, como a erupção de um vulcão na vila onde mora, em que são mescladas imagens de arquivo em Super-8 com gravações do mesmo estilo dos atores, como se estivessem inseridos naquele contexto. Além disso, são mostradas nos créditos imagens da época do próprio pescador, contando sobre a façanha que realizou.
Façanha, sim, porque ele sobreviveu e isto não é um spoiler, já que a Imovision deve distribuir o longa no Brasil com o título O Sobrevivente, o que permite comentar o que talvez tenha sido o maior erro de Kormákur neste trabalho: não se definir entre fazer um filme de sobrevivência ou sobre as pressões sociais e psicológicas de ser um sobrevivente; ou ainda mesclar as duas narrativas de uma maneira melhor, pois há uma quebra de ritmo perceptível quando Gulli vai para terra firme. É uma obra que carece de aprofundamento, mas não deixa de ser uma história interessante de conferir. (Nayara Reynaud)

Indicação: livre

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 4










30/10/2013 – 14:00 – Sessão: 1090 (Quarta)


Tim Lopes – História de Arcanjo
O documentário de Guilherme Azevedo, premiado no Festival do Rio, reconstitui em detalhes a vida e a morte do jornalista Tim Lopes. Gaúcho, ele se radicou no Rio de Janeiro, notabilizando-se como repórter de linha de frente. Ou seja, se escrevia sobre peões de obra, vivia como eles por alguns dias. E assim foi conquistando prêmios, como o Esso, e tornando-se famoso por suas denúncias contra traficantes. Ao investigar mais um assunto polêmico, prostituição infantil na Vila Cruzeiro, foi morto por traficantes do Morro do Alemão, em 2002, aos 52 anos.
O documentário ouve seus familiares e amigos e tem como produtor e roteirista o filho de Tim, Bruno Quintella, que também se tornou jornalista – e é visto em cena, percorrendo os locais que o pai visitou em sua derradeira e fatal reportagem, inclusive o local onde ele teria sido morto, onde o filho nunca tivera coragem de ir antes. (Neusa Barbosa)

Indicação: livre

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 2



30/10/2013 - 17:10 - Sessão: 1083 (Quarta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 5



31/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1191 (Quinta)


De olhos bem fechados
O último filme de Stanley Kubrick é uma livre adaptação da novela Breve Romance de Sonho, de Arthur Schnitzler, escrita em 1926. Kubrick atualiza a trama, enfatizando emoções eternas do ser humano, em torno do ciúme e das fantasias sexuais. Os protagonistas são um casal, Bill (Tom Cruise) e Alice (Nicole Kidman) – que eram casados na época – que se acreditam felizes e bem-resolvidos até que, numa noite, ela confessa ter tido fantasias sexuais com outro homem. A confissão abala Bill, que passa a procurar novas emoções em clubes secretos. Um testamento magistral em torno da obsessão e do desejo, em que não se sente o tempo passar, apesar das 3 horas de duração. (Neusa Barbosa)

Indicação: 18 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1

30/10/2013 - 13:00 - Sessão: 1076 (Quarta)

Peões
Dentro da retrospectiva da obra do diretor Eduardo Coutinho, este premiado documentário de 2004 focaliza os metalúrgicos da geração de Lula, as pessoas comuns que não se tornaram políticos nem famosos.

Indicação: 12 anos

MATILHA CULTURAL






















30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1151 (Quarta)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS











31/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1205 (Quinta)

Ensaio sobre a cegueira
A adaptação do famoso romance do português José Saramago tem sessão única no Vão Livre do MASP.

Indicação: 16 anos

VÃO LIVRE DO MASP





















30/10/2013 - 19:30 - Sessão: 1142 (Quarta)


Uma casa com torre
O drama russo é inspirado num texto autobiográfico de Friedrich Gorenstein – roteirista de Solaris, de Andrei Tarkovski – mas poderia ser um romance de Charles Dickens, ao acompanhar um garoto solitário após a morte de sua mãe em sua jornada para sobreviver numa russa gélida e inóspita.
Filmado em preto e branco, o que ressalta a neve presente em praticamente todo o filme, o jovem ator Dmitriy Kobetskoy está presente em cena o tempo todo. Sua jornada começa quando viaja com sua mãe, que é hospitalizada com tifo, e ele também é obrigado a ficar no hospital. Quando ela morre, cabe a ele encontrar meios para seguir em frente.
Premiado nos Festivais Karlovy Vary e Tallinn Black Nights, o longa tem como ponto forte a interpretação do talentoso Kobetskoy, cujo olhar expressivo é a tradução da esperança em meio às adversidades. (Alysson Oliveira)


Indicação: 14 anos

CINE OLIDO






















30/10/2013 - 17:00 - Sessão: 1138 (Quarta)
CCSP - SALA LIMA BARRETO














31/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1253 (Quinta)


3X 3D
Guimarães, cidade portuguesa com mais de 2 milênios, é o centro dessa trilogia de curtas dirigidos pelo inglês Peter Greenaway, o português Edgar Pêra e o franco-suíço Jean-Luc Godard, nessa ordem. O primeiro episódio, carregado de excessos, investiga manifestações religiosas ao longo da história do local. O cineasta usa o efeito de 3D de forma exagerada, o que acaba tornando o filme cansativo. Repleto de letreiros, cores, figuras históricas e afins, o curta mais parece uma instalação do Museu da Língua Portuguesa.
Já o diretor português, cujo segmento se chama Cinesapiens, faz uma investigação sobre o papel do público numa sessão de cinema. Seu filme é caótico e repleto de ideias pela metade, mal desenvolvidas ou apenas superficiais. E, por fim, há Godard, que como bom Godard que é, faz o filme que quer, sem se preocupar muito com o uso do 3D ou com Guimarães. Talvez por isso mesmo, seu curta-ensaio é o melhor de todos – na verdade, o único bom no conjunto. O cineasta já disse que seu próximo filme, chamado Adieu au langage (algo como Adeus à linguagem), será em 3D. É possível que este curta seja apenas uma preparação. (Alysson Oliveira)

Indicação: 16 anos

CINEMARK - SHOPPING CIDADE JARDIM 6



30/10/2013 - 21:00 - Sessão: 1157 (Quarta)


Riocorrente
O segundo longa do experiente montador Paulo Sacramento, premiado em Brasília, confirma o talento e a audácia de um dos mais promissores novos diretores brasileiros, autor também do documentário
O Prisioneiro da Grade de Ferro. Dá gosto acompanhar a garra com que Sacramento, também roteirista aqui, delineia traços do mal-estar da contemporaneidade do País, a partir de personagens que são muito mais do que esboços, tudo isso emoldurado por paisagens de uma São Paulo que o diretor ama de um modo sincero, mas sem concessões, nem embelezamentos.
Personagens como o jornalista Marcelo (Roberto Audio), sua namorada Renata (Simone Iliescu), o ladrão Carlos (Lee Taylor) e o menino de rua “Exu” (Vinicius dos Anjos) sustentam esse embate com a cidade, num contexto de humanidade desgastada, relações em decomposição, procurando escavar suas verdades, nos contextos da cultura, no caso do jornalista e da namorada, da marginalidade, no caso do ladrão e do menino.
Os dois universos se tocam através da mulher, que se envolve também com Carlos e faz uma ponte entre essas realidades que os muros dos condomínios fechados isolam, mas a vida real das ruas da maior metrópole do País não fazem por menos do que misturar visceralmente.
Como admitem o próprio diretor e seu produtor, Pablo Torrecillas, é um filme de risco, que não se atemoriza de criar imagens surreais, como a cabeça de alguém que explode, ou um rio de fogo. Bendito risco.
Riocorrente
é um filme para não se ignorar. (Neusa Barbosa)

Indicação: 14 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1





30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1123 (Quarta)


A mulher do policial
Conhecido internacionalmente por seu documentário sobre um mosteiro francês,
O Grande Silêncio
(2005), Prêmio Especial em Sundance em 2006, o diretor alemão Philip Gröning exerce neste seu drama ficcional,
A Mulher do Policial, um muitas vezes exasperante exercício formal, dividindo as quase três horas de duração do filme em 59 microcapítulos, anunciando seu início e final por letreiros.
Esses capítulos constroem o cotidiano de uma pequena família de classe média, formada pelo policial Uwe (David Schimmerschied), sua mulher Christine (Alexandra Finder) e uma filha pequena, Clara (interpretada pelas gêmeas Pia e Clara Kleenman).
Há momentos de uma indescritível beleza, retratando o idílio da família com a natureza, em busca de prendas de Páscoa num bosque; a menina e a mãe plantando sementes numa pequena horta; e cada um dos personagens cantando para a câmera. Toda essa doçura é sobreposta por outras cenas mostrando o meticuloso policial guardando metodicamente suas coisas num quarto em sua casa; e também executando seu trabalho em cenas de acidentes. Quase não há fronteira entre a ternura e o horror, que surge paulatinamente pela descoberta do espectador das grandes manchas no corpo de Christine, que denunciam os severos espancamentos que sofre – e a sua inquietante submissão a esse relacionamento de interdependência doentia.
Se há uma coisa que o filme de Gröning não procura é lançar pistas psicológicas. Se não absolve o espancador, nem sua vítima consentida, também não abre portas a soluções – vizinhos e colegas de trabalho parecem nada perceber do que se passa dentro da casa da família. Um indicio de que algo de selvagem ronda esta pequena rua, aparentemente tão limpa e civilizada, é a constante visita noturna de uma raposa. Um momento David Lynch, num filme cujas cenas mais belas remetem ao mexicano Carlos Reygadas, tudo isso embalado num rigor formal digno do austríaco Michael Haneke. (Neusa Barbosa)


Indicado para: 16 anos

CINEMATECA - SALA BNDES 30/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1105 (Quarta)


O que os homens falam
Trata-se de um filme espanhol com uma grande vontade de ser uma peça de teatro. Diálogos são o que importa. A ação se move por meio de palavras, mais do que atos. Ainda assim, o diretor Cesc Gay, que assina o roteiro com Tomàs Aragay, constrói uma boa comédia melancólica sobre o universo masculino, seus medos e desejos.
Como quase todos os filmes divididos em esquetes, alguns são melhores do que outros. O primeiro deles é protagonizado por Eduard Fernández e Leonardo Sbaraglia, dois amigos que se reencontram por acaso depois de anos e veem que suas vidas foram bem diferentes do planejado.
Já o argentino Ricardo Darín protagoniza alguns dos melhores momentos, como um sujeito que se instala numa praça em frente ao apartamento do amante de sua mulher, enquanto espera encontra um conhecido, interpretado por Luis Tosar.
A presença feminina não é lá muito forte; elas são mais interlocutoras ou catalisadoras dos processos de mudança. A melhor personagem feminina coube a Candela Peña (ganhadora do Goya de coadjuvante este ano), cuja personagem entra num jogo de sedução com o colega de trabalho, vivido por Eduardo Noriega.
O filme nunca se propõe a uma radiografia mais profunda do universo masculino, mas seu acerto está em retratar pequenos dramas da vida cotidiana, e em desfazer o mito do machão espanhol
caliente. Aqui, nenhum personagem é bem resolvido – sexual ou emocionalmente. São homens fragilizados, cujas vidas formam um acúmulo de pequenos erros e infelicidade doméstica. (Alysson Oliveira)

Indicação: 14 anos

CINEMATECA - SALA PETROBRAS- 30/10/2013 - 16:30 - Sessão: 1110 (Quarta)


Kohlhaas – Ou a Proporcionalidade dos Meios
A grande atração deste drama épico, inspirado numa história real e no romance do alemão Heinrich von Kleist (1777-1811), é o novo bom trabalho do ator dinamarquês Mads Mikkelsen. Num papel próximo ao que defendeu em outro drama histórico,
O Amante da Rainha, ele interpreta o protagonista Michael Kohlhaas, comerciante de cavalos do século 16 que leva às últimas consequências sua luta por justiça.
Ele vive uma vida feliz e independente, até que um dos senhores feudais de sua região – a Cevènnes francesa – resolve arbitrariamente cobrar-lhe pelo direito de passagem, de que Kohlhaas necessita para efetuar seu comércio. Ele é forçado a deixar como garantia dois de seus melhores cavalos. Ao retornar para buscá-los, encontra-os maltratados e feridos e exige reparação. O caso vai à justiça, mas a indenização é negada.
Kohlhaas enfurece-se e termina liderando uma grande revolta popular contra a nobreza, que provoca um banho de sangue e aponta um caminho sem volta.
Tem muito rigor na reconstituição de época o filme do francês Arnaud des Pallières, coprodução franco-alemã que inclui no elenco a menina Mélusine Mayance (A Chave de Sara), como Lisbeth, a filha de Kohlhaas; Bruno Ganz, como o governador; Denis Lavant, como o teólogo; Roxane Duran (A Fita Branca), como a princesa. (Neusa Barbosa)

Indicação: livre.

CINE OLIDO



















30/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1137 (Quarta)
MATILHA CULTURAL






















31/10/2013 - 17:30 - Sessão: 1245 (Quinta)



Double Play: James Benning e Richard Linklater
Nascido em São Paulo, mas estabelecido nos EUA, o diretor Gabe Klinger coloca frente a frente dois cineastas e amigos, o experimental e pouco famoso James Benning e o conhecido Richard Linklater (Antes do Amanhecer,
Antes do Pôr-do-Sol
e
Antes da Meia-Noite).
Investido de seu conhecimento do cinema (é professor e pesquisador), Klinger coloca os dois amigos frente a frente, evidenciando a relação de mestre e discípulo que iniciou o relacionamento entre os dois anos atrás e criando um ambiente para que ambos conversem sobre suas próprias ideias sobre a arte em que exercem, cada um a seu modo, uma forma de independência.
Para quem conhece apenas Linklater, é uma boa oportunidade de encontrar seu mestre, que muito o influenciou. E encontrar Linklater muito à vontade, batendo papo com este divertido Benning, de quem felizmente se mostram trechos de seus trabalhos, bastante originais e distintos do mainstream de Hollywood. (Neusa Barbosa)

Indicação: Livre.

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4



30/10/2013 - 21:50 - Sessão: 1094 (Quarta)


Pelo Malo

O sensível
Pelo Malo
parte de uma história, a princípio simples, para debater intolerância. E quem o diz é a própria diretora Mariana Rondón (que já levou o Prêmio Revelação do Júri na 31ª. Mostra, em 2007, com
Postales de Leningrado), que está em São Paulo.
A despeito das declarações políticas dadas quando recebeu o prêmio Concha de Oro no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, este ano, no qual criticou o governo e a herança chavista na Venezuela, Mariana acredita que seu papel, como o da arte em si, é a capacidade de provocar questionamentos.

“Não estou aqui para dar respostas, esse não é meu papel, e sim colocar em pauta uma tema importante como a intolerância dos extremos, pois temos a capacidade de nos ver e respeitar, não importando o que queremos, desejamos ou pensamos”, acredita.

Em seu filme, ela nos mostra a conturbada relação entre Junior (Samuel Lange Zambrano), de 9 anos, e sua mãe Marta (Samantha Castillo). O garoto precisa de uma foto para a escola, mas acredita que seu cabelo deveria ser liso como os dos cantores dos quais gosta. Daí o nome “pelo malo” (cabelo ruim, em uma tradução simples).

No entanto, Samantha, que aparentemente acabou de enviuvar, desempregada e com um bebê de colo, constata no filho atitudes efeminadas. A própria diretora afirma que a personagem não tem medo de que seu filho seja homossexual, mas de que ele não seja heterossexual.

Mas este é apenas um dos elementos que Mariana deixa aberto em seu filme. A crueza com que passa o cotidiano dessa família, que não parece estar feliz, tal como o realismo de seu entorno, um conjunto habitacional na periferia de Caracas, criam o tom das relações entre os diferentes personagens da trama e seus conflitos.
“O que está passando na tela não é verdade. É o espectador quem decide o que está acontecendo, a própria visão. O filme está julgando a você, e não o contrário. Essa é a liberdade”, argumenta. Uma janela deixada escancarada meticulosamente pela diretora.
A produção venezuelana também tem como mérito e trunfo a vigorosa interpretação da dupla Samuel e Samantha (que acaba de receber o prêmio de Melhor Interpretação no Festival de Novo Cinema de Montreal, Canadá). Segundo ela, Samuel cresceu bastante como ator durante o
casting
e nas oficinas que antecederam as filmagens, mas foi o encontro e a química com Samantha que a fizeram decidir chamá-lo.
“Eles eram iguais, idênticos, riam das mesmas coisas e ainda se tornaram amigos. O que era muito importante, pois os papéis exigiriam muita violência entre eles e eu precisava trabalhar isso sem que se tornasse um problema. Jamais poderia escolher um sem o outro”. (Rodrigo Zavala)

Indicação: 16 anos

CINE LIVRARIA CULTURA 2















30/10/2013 - 20:20 - Sessão: 1121 (Quarta)


Todos os dias
A vida de uma família ao longo de cinco anos: essa é a proposta de
Todos os dias, do cineasta inglês Michael Winterbottom (A festa nunca termina). O drama foi rodado ao longo dos anos, e acompanha não apenas o amadurecimento dos personagens, assim como o crescimento das quatro crianças – irmãos na vida real.
Ian (John Simm) está preso, e as visitas familiares na época do Natal pontuam os anos. Karen (Shirley Henderson) tenta criar os filhos sozinha, mas dificuldades financeiras e solidão são os maiores empecilhos. Winterbottom, que assina o roteiro com Laurence Coriat, investiga com delicadeza as dinâmicas de isolamento que afetam os personagens. Um frio intenso e constante marca a vida dessas pessoas, cujos únicos momentos de sol são quando Ian sai do presídio por algumas horas e as passa com os filhos e a mulher.
Ter sido rodado ao longo de cinco anos acrescenta a
Todos os dias
novas texturas, novas camadas de compreensão e amadurecimento. O crescimento das crianças é notável, assim como seus desempenhos na frente da câmera. Não há momentos de epifania ou a descoberta de grandes verdades. Winterbottom está mais interessado nos pequenos eventos cotidianos que fazem com que as pessoas sigam em frente. Nesse sentido, o filme é um estudo delicado e sagaz da vida que precisa continuar – mesmo que seus protagonistas estejam alienados disso. (Alysson Oliveira)

Indicação: 12 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1 30/10/2013 - 16:00 - Sessão: 1124 (Quarta)


O foguete
Ganhador do Urso de Cristal em Berlim – prêmio para filme de estreante –,
O foguete
é o filme que representará a Austrália no Oscar do próximo ano, tentando uma indicação na categoria de filme estrangeiro. A julgar pelo histórico da Academia americana, tem grandes chances, pois traz exatamente alguns dos elementos que seduzem os votantes: lugar exótico (o Laos), protagonista-criança e uma história de superação.
O que, na verdade, não quer dizer que o filme seja ruim, mas, segue, mais ou menos, uma cartilha de boa vontade que o torna previsível. Ahlo (Sitthiphon Disamoe) carrega em seus ombros o peso de uma maldição. Por conta de crendices locais, um dos gêmeos deve ser sacrificado ao nascer. Quando seu irmão morre no parto, a mãe implora que ele seja poupado pela avó, que é a parteira. A avó, especialmente, o encara sempre com suspeita. Ele é visto como culpado de todos os males que acontecem ao seu redor, inclusive de um acidente que mata a mãe, quando ele está com cerca de 7 anos.
Deslocada de sua casa por conta da construção de uma represa, a família enfrenta fome e sujeira no acampamento aonde são levados pelo governo. Ali, o garoto faz amizade com uma menina, que é cuidada por um tio meio maluco, obcecado pelo cantor americano James Brown. Quando enfrentam problemas ali, são convencidos pelo tio da menina a procurar um lugar melhor, numa viagem pelo Laos, em busca de melhores condições de vida. A jornada cruza um cenário de desolação e pobreza extrema, até chegar a um Festival de Foguetes, um evento lucrativo, que pode ser a salvação do grupo. Aí, quem sabe, Ahlo pode romper a maldição. (Alysson Oliveira)

Indicação: livre

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4-
30/10/2013 - 20:00 - Sessão: 1163 (Quarta)


O Peso dos Elefantes
Assim como o animal que o título evoca, o primeiro longa do neozelandês Daniel Joseph Borgman é pesado e não um drama infantil, como se poderia pensar. Apesar de o protagonista ser um garoto de 10 anos de idade, o sofrimento de Adrian é tão latente na tela que gera certa angústia no espectador. Isso graças à sensível atuação de Demos Murphy, que se constrói muito em seu olhar, amplificado em primeiros planos constantes.
A fotografia de Sophia Olsson, aliás, possui papel importante ao contrastar as cores sombrias do ambiente familiar e escolar do protagonista com as cores quentes no campo onde o menino brinca. Isso porque Adrian, que foi abandonado pela mãe, não encontra mais sossego nem dentro da sua própria casa, pois seu tio, sua única figura paterna, está sofrendo de depressão e sua avó já não consegue mais lidar com o neto. E isso justamente no momento em que mais precisava, pois o bullying que sofre dos colegas de colégio está aumentando. Por isso, o quintal onde se refugia se transforma em uma paisagem onírica, à la Terrence Malick, com a entrada da luz do sol nos quadros e o
slow motion
que tenta eternizar as brincadeiras e a inocência infantil.
Andando por lá, Adrian se encontra com seus novos vizinhos, três crianças que se parecem com as que estão desaparecidas e mobilizam a população local e o noticiário da TV. O desaparecimento, junto com as referências aos cristais e à água escura, são metáforas da dor, do abandono e do isolamento com que Adrian e Nicole, a mais velha dos irmãos, são obrigados a lidar. (Nayara Reynaud)

Indicação: livre

MATILHA CULTURAL
30/10/2013 – 17:35 – Sessão: 1153 (Quarta)


O militante
O cinema uruguaio, que conhecemos de obras esparsas, mas originais, como
Whisky, de Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, ressurge em trabalho de outro jovem diretor, Manolo Nieto, que também trabalhou na assistência do filme de Stoll e Rebella e com o argentino Lisandro Alonso (Los Muertos), que aqui funciona como seu produtor.
Neste seu segundo longa, com roteiro de sua autoria, Manolo Nieto reconstitui o dilema de um jovem estudante (Felipe Dieste). No meio de uma greve estudantil, com ocupação da universidade em Montevidéu, ele recebe a notícia da morte de seu pai. Como resultado, deve ir ao interior, na cidade de Salto, onde o pai tinha uma casa e negócios.
Na verdade, o que o pai deixou foi uma série de dívidas. Seu patrimônio resume-se a uma fazenda arruinada, de onde tem que se vender todo o gado para saldar as dívidas, e uma pequena casa na cidade, onde a amante do pai já se instalou. Sem conseguir muito bem identificar a veracidade das informações que recebe, o jovem deve tomar decisões, assinar papeis e decidir como sua própria vida segue em frente.
(Neusa Barbosa)

Indicação: 16 anos

ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3

30/10/2013 - 16:45 - Sessão: 1087 (Quarta)

Trilogia Park Chan-wook
Aproveitando a passagem por São Paulo de um dos mais famosos e premiados diretores sul-coreanos, Park Chan-wook, a Mostra programou uma bem-vinda reexibição de sua famosa trilogia:
Mr. Vingança
(2002),
Oldboy
(2003) e
Lady Vingança(2005). Na verdade, trata-se de uma trilogia temática, apenas. São três histórias distintas, com personagens diferentes, mas todos movidos por essa agenda vingativa, que proporciona ao diretor a oportunidade de desenvolver seu admirado estilo.
Chan Wook é um mestre da tensão e a usa sem parcimônia. Mantém seus espectadores no fio da navalha e os mergulha na angústia de seus personagens. Sua maestria maior está em criar emoções genuínas em melodramas fortes, que se acompanha com o coração na boca e um sentimento até de compaixão por seus atormentados seres: o desempregado Ryu (Shin Ra-kyun), que sequestra a filha do patrão para pagar pelo transplante de rim da irmã em
Mr. Vingança; o perplexo Dae su (Choi Min-sik), obcecado em descobrir quem o manteve aprisionado por 15 anos; e a misteriosa Geum-já (Lee Young-ae), presa pela morte de uma criança e decidida a acertar contas com um ex-professor.
No sombrio mundo criado pelo diretor, há escassa possibilidade de pureza nas relações humanas. A sexualidade é sempre mostrada por um viés excessivo, não raro sórdido. Só o sangue parece capaz de expiar estas culpas, estes pavores, estas relações de dominação e abuso. É um universo fatalista, extremo como a própria vida. (Neusa Barbosa)

Leia as críticas dos filmes


MR. VINGANÇA
Indicação: 14 anos
FAAP

































































30/10/2013 - 15:00 - Sessão: 1144 (Quarta)

OLDBOY
Indicação: 18 anos.
FAAP
































































30/10/2013 - 19:00 - Sessão: 1145 (Quarta)
CINE LIVRARIA CULTURA 2






















31/10/2013 - 21:30 - Sessão: 1217 (Quinta)

LADY VINGANÇA
Indicação: 18 anos.
FAAP































































30/10/2013 - 11:00 - Sessão: 1143 (Quarta)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS









31/10/2013 - 20:30 - Sessão: 1208 (Quinta)

Um toque de pecado
Neste novo filme, prêmio de melhor roteiro em Cannes 2013, o diretor chinêsZhang-Ke ousa sair de um território conhecido, numa história que retrata diversas situações de violência, justiça com as próprias mãos e criminosos que escapam à justiça oficial, apontando para uma visão crítica do estado das coisas em seu país. Assim, fez seu filme mais violento até agora, abordando diretamente a criminalidade e também o cinema de gênero – o filme policial, a ação de Taiwan, o filme de samurai – para tecer, mais uma vez, uma crônica polifônica sobre a China contemporânea. Mas que fala também do mundo todo, especialmente dos países emergentes.
Como em
Em Busca
da Vida
, o mundo do trabalho tem uma função muito decisiva na história. Jia mostra os trabalhadores em trânsito pelo país, imenso e em expansão – ao contrário do continente europeu


, dinâmico, enérgico, mas também turbulento. Vê-se as caras dos donos do poder econômico, industriais, e também os chefes políticos corruptos, capazes de vender patrimônio público e enriquecer em proveito próprio – o que gera a ira de Dahai (Jiang Wu), protagonista do primeiro segmento.
Como
Em Busca da Vida
– e também era assim em
Plataforma
(2000), não há uma divisão em segmentos. Mas a história, coletiva no final, decola nas trajetórias de diversas pessoas, que vão partindo, enquanto outras chegam. O próprio Jia, tal qual um Hitchcock, aparece numa ponta, como cliente de um gigantesco hotel, repleto de diversões bizarras para seus clientes novo-ricos – como um desfile de call girls vestidas em uniformes estilizados, com saia curtíssima, do exército chinês, numa reapropriação excêntrica das cores que fizeram a Revolução de Mao Tsé-Tung, em 1949.
Como fez magistralmente em
O Mundo, o diretor demonstra um olhar fino para retratar esses ambientes artificiais imensos – como esse mega-hotel, uma sauna, mesmo as fábricas, as enormes linhas de montagem que engolem essas multidões de operários que fabricam os produtos que depois invadem os mercados do mundo.
Jia continua fiel a esse seu sentido do coletivo. Mesmo quando retrata um único indivíduo, seja um trabalhador que se torna matador, ou a recepcionista de sauna (Zhao Tao, sua atriz-fetiche) que mata um cliente abusivo, o cineasta sintoniza seu contexto, seu lugar no mundo. E, como ninguém, se debruça sobre esse enorme e intrigante planeta chamado China, com uma sede de compreendê-lo por quem faz parte dessa água. (Neusa Barbosa)
Indicação: 16 anos
CINESESC






























30/10/2013 - 21:30 - Sessão: 1136 (Quarta)
CINE SABESP












31/10/2013 - 14:00 - Sessão: 1196 (Quinta)


A Ternura
A diretora francesa Marion Hänsel, uma habituê da Mostra – autora de
Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul
(95) – assina aqui um filme cálido e esperto sobre a delicadeza. Separados há 15 anos, mas mantendo uma relação amistosa, Lise (Maryline Canto) e Frans (Olivier Gourmet) partem de Bruxelas para a França, para trazer de volta o filho, Jack (Adrien Jolivet), que sofreu um acidente de esqui. A viagem recoloca-os numa situação de convívio que traz à tona várias memórias e sensações, como solidariedade, cumplicidade e afeto. Mas há algo mais? Paralelamente, corre a história de Jack que, por causa do acidente, teme seu futuro como instrutor de esqui e também o desenrolar de sua paixão por Alison (Margaux Châtelier).
Se fosse um filme hollywoodiano, haveria grandes dramas, revelações, viradas drásticas, lágrimas, gritos. Nada disso ocorre aqui. As pequenas surpresas surgem de incidentes aparentemente gratuitos, como a aparição de um carona ISergi López) ou um passeio de Lise na neve à noite, acompanhando o guarda da estação de esqui.
A Ternura
é muito o que o nome diz, um quase nada, um pouco de tudo, sustentado por um elenco afinado, sob o olhar de uma diretora talentosa. (Neusa Barbosa)

Indicação: 12 anos

CINE LIVRARIA CULTURA 2















30/10/2013 - 16:00 - Sessão: 1118 (Quarta)