De comédia argentina a um concorrente a vaga no Oscar
- Por Equipe Cineweb
- 23/10/2013
- Tempo de leitura 28 minutos

Na programação desta sexta, há uma deliciosa comédia argentina, El Crítico, filmes do mais recente festival de Veneza, caso do italiano O Intrépido e do sino-francês Cães Errantes, o indicado para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro pela Austrália, O Foguete, a primeira sessão do premiado brasileiro Tatuagem. Confira os detalhes a seguir:
Todos os dias
A vida de uma família ao longo de cinco anos: essa é a proposta de Todos os dias, do cineasta inglês Michael Winterbottom (A festa nunca termina). O drama foi rodado ao longo dos anos, e acompanha não apenas o amadurecimento dos personagens, assim como o crescimento das quatro crianças – irmãos na vida real.
Ian (John Simm) está preso, e as visitas familiares na época do Natal pontuam os anos. Karen (Shirley Henderson) tenta criar os filhos sozinha, mas dificuldades financeiras e solidão são os maiores empecilhos. Winterbottom, que assina o roteiro com Laurence Coriat, investiga com delicadeza as dinâmicas de isolamento que afetam os personagens. Um frio intenso e constante marca a vida dessas pessoas, cujos únicos momentos de sol são quando Ian sai do presídio por algumas horas e as passa com os filhos e a mulher.
Ter sido rodado ao longo de cinco anos acrescenta a Todos os dias novas texturas, novas camadas de compreensão e amadurecimento. O crescimento das crianças é notável, assim como seus desempenhos na frente da câmera. Não há momentos de epifania ou a descoberta de grandes verdades. Winterbottom está mais interessado nos pequenos eventos cotidianos que fazem com que as pessoas sigam em frente. Nesse sentido, o filme é um estudo delicado e sagaz da vida que precisa continuar – mesmo que seus protagonistas estejam alienados disso. (Alysson Oliveira)
Indicação: 12 anos
RESERVA CULTURAL 1
25/10/2013 - 14:00 - Sessão: 674 (Sexta)
25/10/2013 - 14:00 - Sessão: 674 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 526/10/2013 - 23:15 - Sessão: 750 (Sábado)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA 1 30/10/2013 - 16:00 - Sessão: 1124 (Quarta)
O foguete
Ganhador do Urso de Cristal em Berlim – prêmio para filme de estreante –, O foguete é o filme que representará a Austrália no Oscar do próximo ano, tentando uma indicação na categoria de filme estrangeiro. A julgar pelo histórico da Academia americana, tem grandes chances, pois traz exatamente alguns dos elementos que seduzem os votantes: lugar exótico (o Laos), protagonista-criança e uma história de superação.
O que, na verdade, não quer dizer que o filme seja ruim, mas, segue, mais ou menos, uma cartilha de boa vontade que o torna previsível. Ahlo (Sitthiphon Disamoe) carrega em seus ombros o peso de uma maldição. Por conta de crendices locais, um dos gêmeos deve ser sacrificado ao nascer. Quando seu irmão morre no parto, a mãe implora que ele seja poupado pela avó, que é a parteira. A avó, especialmente, o encara sempre com suspeita. Ele é visto como culpado de todos os males que acontecem ao seu redor, inclusive de um acidente que mata a mãe, quando ele está com cerca de 7 anos.
Deslocada de sua casa por conta da construção de uma represa, a família enfrenta fome e sujeira no acampamento aonde são levados pelo governo. Ali, o garoto faz amizade com uma menina, que é cuidada por um tio meio maluco, obcecado pelo cantor americano James Brown. Quando enfrentam problemas ali, são convencidos pelo tio da menina a procurar um lugar melhor, numa viagem pelo Laos, em busca de melhores condições de vida. A jornada cruza um cenário de desolação e pobreza extrema, até chegar a um Festival de Foguetes, um evento lucrativo, que pode ser a salvação do grupo. Aí, quem sabe, Ahlo pode romper a maldição. (Alysson Oliveira)
Indicação: livre
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4-25/10/2013 - 18:10 - Sessão: 637 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 1
-
27/10/2013 - 19:35 - Sessão: 875 (Domingo)
-
27/10/2013 - 19:35 - Sessão: 875 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4-30/10/2013 - 20:00 - Sessão: 1163 (Quarta)
O Peso dos Elefantes
Assim como o animal que o título evoca, o primeiro longa do neozelandês Daniel Joseph Borgman é pesado e não um drama infantil, como se poderia pensar. Apesar de o protagonista ser um garoto de 10 anos de idade, o sofrimento de Adrian é tão latente na tela que gera certa angústia no espectador. Isso graças à sensível atuação de Demos Murphy, que se constrói muito em seu olhar, amplificado em primeiros planos constantes.
A fotografia de Sophia Olsson, aliás, possui papel importante ao contrastar as cores sombrias do ambiente familiar e escolar do protagonista com as cores quentes no campo onde o menino brinca. Isso porque Adrian, que foi abandonado pela mãe, não encontra mais sossego nem dentro da sua própria casa, pois seu tio, sua única figura paterna, está sofrendo de depressão e sua avó já não consegue mais lidar com o neto. E isso justamente no momento em que mais precisava, pois o bullying que sofre dos colegas de colégio está aumentando. Por isso, o quintal onde se refugia se transforma em uma paisagem onírica, à la Terrence Malick, com a entrada da luz do sol nos quadros e o slow motion que tenta eternizar as brincadeiras e a inocência infantil.
Andando por lá, Adrian se encontra com seus novos vizinhos, três crianças que se parecem com as que estão desaparecidas e mobilizam a população local e o noticiário da TV. O desaparecimento, junto com as referências aos cristais e à água escura, são metáforas da dor, do abandono e do isolamento com que Adrian e Nicole, a mais velha dos irmãos, são obrigados a lidar. (Nayara Reynaud)
Indicação: livre
CINE OLIDO
25/10/2013 – 19:00 – Sessão: 686 (Sexta)
25/10/2013 – 19:00 – Sessão: 686 (Sexta)
MATILHA CULTURAL
30/10/2013 – 17:35 – Sessão: 1153 (Quarta)
30/10/2013 – 17:35 – Sessão: 1153 (Quarta)
El Crítico
A deliciosa comédia argentina, de Hernán Guerschuny, reflete o conhecimento da profissão de crítico de cinema, que foi exercida pelo diretor. Mas está longe de se tratar de uma obra fechada para esses profissionais. Pelo contrário. Há muita leveza e auto-ironia ao retratar os dilemas de um crítico muito exigente, Víctor Tellez (Rafael Spregelburd), que sente rachar sua carcaça intelectual e emocional, fundada na ideia de que “a sétima arte está morta”, quando conhece uma bela e imprevisível mulher, Sofia (Dolores Fonzi).
A grande sacada do filme está em relacionar os parâmetros usados pelo crítico para demolir produções, como seus clichês e previsibilidade, com as próprias situações que Víctor está vivendo. Nem todas tão agradáveis. O vetusto crítico, que inclusive “pensa” em francês – como numa eterna Nouvelle Vague mental -, está sendo perseguido por um jovem cineasta cujo filme ele simplesmente destroçou num de seus textos, Arce (Ignacio Rogers). Uma pedida bem inteligente e divertida, inclusive para os críticos. (Neusa Barbosa)
Indicação: 12 anos.
CINUSP - MINDLIN
25/10/2013 - 19:00 - Sessão: 718 (Sexta)
25/10/2013 - 19:00 - Sessão: 718 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4
26/10/2013 - 14:00 - Sessão: 739 (Sábado)
26/10/2013 - 14:00 - Sessão: 739 (Sábado)
CINEMATECA - SALA PETROBRAS
27/10/2013 - 19:30 - Sessão: 856 (Domingo)
27/10/2013 - 19:30 - Sessão: 856 (Domingo)
Tatuagem
Premiado roteirista de filmes-farois do celebrado cinema pernambucano – como Baile Perfumado e Amarelo Manga -, Hilton Lacerda delineou, nesta sua estreia como diretor, uma anárquica celebração do hedonismo em tempos obscuros, na declinante ditadura militar em 1978.
Centrando sua visão de liberdade numa trupe teatral alternativa, liderada por Clécio (o sempre luminoso Irandhir Santos), Lacerda não deixa de prestar homenagens a, por exemplo, os Dzi Croquetes e José Celso Martinez Corrêa, presentes no espírito dionisíaco dos artistas, que encenam um debochado cabaré, o Chão de Estrelas – que se baseia evidentemente em experiências locais, como o Teatro Vivencial de Olinda. O título do filme uma referência à música homônima de Chico Buarque de Holanda.
Em plena vigência da censura, os atores encenam um espetáculo em que não faltam nudez e números sensuais, cheios de humor e provocação aos espíritos fardados, que ainda rugem. Para tecer um contraponto a essa ilha de desbunde, elege-se como segundo personagem principal um soldado, Arlindo, apelidado de “Fininha” (Jesuíta Barbosa), que injeta, periodicamente sinais desse mundo enrijecido ali fora, em que uma disciplina mecânica está ruindo aos poucos, para felicidade geral da nação.
O retrato da família de Arlindo, no interior pernambucano, reunindo a avó, a mãe e a irmã, tece igualmente um comentário sobre esse universo feminino marcante dentro da psique de todos, mas tão primitivo e despossuído, tão à margem, tão impregnado de uma religiosidade conformista e um moralismo sufocantes.
Clécio e Fininha vivem uma paixão, que vibra na tela em algumas belas sequências – como a da primeira sedução, em que os dois dançam. Mas não deixa de trazer outros elementos do mundo, como a família almodovariana formada por Clécio, sua ex-, Deusa (Sylvia Prado), com quem tem um filho e mantém um relacionamento constante, como pai.
Dialogando, como seria de esperar, com o cinema de Cláudio Assis, com quem compartilha um universo temático e a origem regional, Hilton ainda não parece ter, neste seu primeiro longa, uma personalidade tão firmada, uma assinatura tão nítida, o que também é natural. Mas é bom observar com que força e entrega ele se inicia como cineasta. O filme entra em cartaz no próximo dia 15 de novembro, mas quem quiser já pode conferir. (Neusa Barbosa)
Indicação: 16 anos
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 1
25/10/2013 - 21:10 - Sessão: 621 (Sexta)
25/10/2013 - 21:10 - Sessão: 621 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 1
26/10/2013 - 23:55 - Sessão: 788 (Sábado)
26/10/2013 - 23:55 - Sessão: 788 (Sábado)
Cães Errantes
O diretor malaio Tsai Ming Liang merecia até ter levado o segundo Leão de Ouro em sua carreira (o primeiro foi por Vive L’Amour, 1994), mas ficou mesmo com o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza deste ano. Assina aqui um drama sobre uma família despossuída de Taipei, desdobrado numa série de magníficas sequências, alinhando diversos fotogramas dignos de permanecer fixos nas retinas e na memória.
Lee Kang Sheng, o ator-fetiche de outros signos da filmografia deste diretor, como O Rio (97), O Buraco (98) E Lá, Que Horas São? (2002) é, mais uma vez, o protagonista, interpretando mais com o próprio corpo e o rosto, com poucas palavras, um homem que sobrevive precariamente segurando placas de propaganda num farol, por horas, em Taipei. Ele nada tem de seu, apenas esse corpo maltratado por uma vida indigna, umas poucas roupas e seus dois filhos.
Trata-se de uma família partida – a mulher os abandonou. É um dado intrigante que haja três mulheres ao longo da história (Yang Kuei Mei, Lu Yi Ching e Chen Shiang Chyi) se alternando, às vezes transgredindo o realismo, como uma (ou várias) figuras femininas que interagem com o homem e as crianças.
Os cenários, em locais arruinados – marca registrada do diretor -, são outro dado intrigante de uma narrativa que se estende, pela manutenção da câmera parada num plano por vários minutos. Todo o tempo, Cães Errantes dialoga com o próprio tempo, com o silêncio, a existência destas pessoas, afrontando o despojamento e a feiúra de seu cotidiano com atitudes intrigantes, patéticas, ternas, desesperadas. (Neusa Barbosa)
Indicação: 18 anos
FAAP
25/10/2013 - 15:00 - Sessão: 691 (Sexta)
25/10/2013 - 15:00 - Sessão: 691 (Sexta)
CINE LIVRARIA CULTURA 1
27/10/2013 - 19:45 - Sessão: 860 (Domingo)
27/10/2013 - 19:45 - Sessão: 860 (Domingo)
CINE LIVRARIA CULTURA 1
28/10/2013 - 21:40 - Sessão: 951 (Segunda)
28/10/2013 - 21:40 - Sessão: 951 (Segunda)
RESERVA CULTURAL 1
29/10/2013 - 21:30 - Sessão: 1041 (Terça)
29/10/2013 - 21:30 - Sessão: 1041 (Terça)
O Intrépido
Retrato dolorido da Itália (e não só) contemporânea, crônica cálida sobre o trabalho precário, o filme do italiano Gianni Amelio, que competiu em Veneza 2013, é continuamente infiltrado pela doçura, pela esperança, mas não pela pieguice, felizmente. Antonio Albanese, um ator muito dotado, constrói em Antonio Pane um personagem complexo e sutil, que caminha numa linha fina. O mais fácil seria tornar amargo este homem, entrando nos 50 anos, dotado de alguma cultura e experiência profissional, mas que não acha outro meio de sobrevivência do que se tornar um substituto contumaz, em todo e qualquer tipo de função.
Se é inegável o tom político no desenvolvimento da história, que se passa na Milão dos dias atuais, há também uma procura constante de contrabalançar o negativismo, como o diretor reconheceu, na coletiva em Veneza. Indagado se o final da história seria “consolador”, Amelio admitiu: “Tenho necessidade de ser consolado, de não deixar simplesmente um gosto amargo na boca. Quando se vê um filme, também se quer sonhar um pouco”.
O diretor também reconheceu o parentesco do personagem de Antonio Pane com Charles Chaplin, em sua busca infinita de dignidade, de seguir em frente, haja o que houver. E também a filiação, que ele diz não ter percebido antes, com Cesare Zavattini, o emblemático roteirista do Neorrealismo.
Certamente, O Intrépido se insere na nobre tradição neorrealista com a devida atualização para os sombrios tempos atuais, com sua crise econômica interminável, seu desemprego endêmico, mesmo na desenvolvida Europa. O Intrépido filia-se, também, à tradição do cinema político italiano, aquela mesma de Elio Petri e Francesco Rosi, mas apropriada por Amelio mais pela chave do melodrama, do humanismo ao estilo dele.
Se à primeira vista não se mostra tão contundente quanto outros trabalhos do diretor, como Assim Eles Riam, além de Lamerica ou Ladrão de Crianças, O Intrépido abre uma outra chave na cinematografia de Amelio – ele quer ter esperança e adere a ela com uma tenacidade indomável, assim como seu protagonista, um ator admirável. (Neusa Barbosa)
Indicação: 16 anos
CCSP - SALA PAULO EMILIO
25/10/2013 - 15:00 - Sessão: 705 (Sexta)
25/10/2013 - 15:00 - Sessão: 705 (Sexta)
CINE LIVRARIA CULTURA 1
27/10/2013 - 22:15 - Sessão: 861 (Domingo)
27/10/2013 - 22:15 - Sessão: 861 (Domingo)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3
28/10/2013 - 20:00 - Sessão: 923 (Segunda)
28/10/2013 - 20:00 - Sessão: 923 (Segunda)
CINESESC
30/10/2013 - 16:55 - Sessão: 1134 (Quarta)
30/10/2013 - 16:55 - Sessão: 1134 (Quarta)
Filmes de Eduardo Coutinho
Referência do documentário, e não apenas no Brasil, Eduardo Coutinho é um dos homeageados com retrospectiva dentro da Mostra. Os títulos estão espalhados pela programação e por diversas salas. Hoje, por exemplo, o CineSesc dedica todas as suas sessões ao diretor, exibindo, na sequência, a ficção Faustão (uma história de cangaço roteirizada por Coutinho), e os documentários Edifício Master, As Canções e o clássico Cabra Marcado para Morrer.
Outro documentário, Babilônia 2000, está em cartaz hoje no Cinusp, às 16h. Moscou, na Matilha Cultural, 15h30. Outra ficção, da qual Coutinho dirigiu um dos episódios, ABC do Amor, às 15h, no Centro Cultural São Paulo, sala Lima Barreto. E o raro Um dia na vida, no Espaço Itaú de Cinema, no Anexo Augusta 4, às 18h. Todas as sessões são antecedidas, a pedido do próprio diretor, por seu curta, Porrada.
Nada de mau pode acontecer
Baseado em uma história verídica ocorrida em Hamburgo, Alemanha,
Nada de Mau pode Acontecer
é um pungente relato de fé e violência. Escrito e dirigido pela alemã Katrin Gebbe, o filme mostra o sofrimento vivido pelo jovem Tero (Julius Feldmeier), integrante da corrente cristão The Jesus Freaks, grupo que prega uma vida coletiva de adoração e contemplação.
Nada de Mau pode Acontecer
é um pungente relato de fé e violência. Escrito e dirigido pela alemã Katrin Gebbe, o filme mostra o sofrimento vivido pelo jovem Tero (Julius Feldmeier), integrante da corrente cristão The Jesus Freaks, grupo que prega uma vida coletiva de adoração e contemplação.
Logo após o seu batismo, Tero acaba consertando o carro da família de Benno (Sascha Alexander Gersak) supostamente com o poder da fé, conquistando sua amizade. Como não tem casa fixa, aceita passar um tempo com seus novos amigos, em uma barraca no quintal.
Não passa muito tempo até ele perceber as falhas graves no caráter desta nova família. Impotente por sua fé na crença na justiça divina, não consegue impedir os abusos de Benno a sua enteada, tal como a si próprio: é feito de empregado, passa fome, é espancado, humilhado e até prostituído pelo dono da casa.
Participante da Competição Novos Diretores da Mostra internacional de Cinema de São Paulo, esta produção vai ao limite ao mostrar a aterradora violência física e mental sofrida pelo personagem. Bem-executado e interpretado, em especial por Feldmeier, pode parecer incômodo, mas imperdível. (Rodrigo Zavala)
Indicação: 18 anos
Não passa muito tempo até ele perceber as falhas graves no caráter desta nova família. Impotente por sua fé na crença na justiça divina, não consegue impedir os abusos de Benno a sua enteada, tal como a si próprio: é feito de empregado, passa fome, é espancado, humilhado e até prostituído pelo dono da casa.
Participante da Competição Novos Diretores da Mostra internacional de Cinema de São Paulo, esta produção vai ao limite ao mostrar a aterradora violência física e mental sofrida pelo personagem. Bem-executado e interpretado, em especial por Feldmeier, pode parecer incômodo, mas imperdível. (Rodrigo Zavala)
Indicação: 18 anos
Dia 25/10 - 23:20 - ESPACO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3
O militante
O cinema uruguaio, que conhecemos de obras esparsas, mas originais, como
Whisky, de Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, ressurge em trabalho de outro jovem diretor, Manolo Nieto, que também trabalhou na assistência do filme de Stoll e Rebella e com o argentino Lisandro Alonso (Los Muertos), que aqui funciona como seu produtor.
Whisky, de Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella, ressurge em trabalho de outro jovem diretor, Manolo Nieto, que também trabalhou na assistência do filme de Stoll e Rebella e com o argentino Lisandro Alonso (Los Muertos), que aqui funciona como seu produtor.
Neste seu segundo longa, com roteiro de sua autoria, Manolo Nieto reconstitui o dilema de um jovem estudante (Felipe Dieste). No meio de uma greve estudantil, com ocupação da universidade em Montevidéu, ele recebe a notícia da morte de seu pai. Como resultado, deve ir ao interior, na cidade de Salto, onde o pai tinha uma casa e negócios.
Na verdade, o que o pai deixou foi uma série de dívidas. Seu patrimônio resume-se a uma fazenda arruinada, de onde tem que se vender todo o gado para saldar as dívidas, e uma pequena casa na cidade, onde a amante do pai já se instalou. Sem conseguir muito bem identificar a veracidade das informações que recebe, o jovem deve tomar decisões, assinar papeis e decidir como sua própria vida segue em frente.
(Neusa Barbosa)
(Neusa Barbosa)
Indicação: 16 anos
CINE SABESP
25/10/2013 - 14:00 - Sessão: 644 (Sexta)
25/10/2013 - 14:00 - Sessão: 644 (Sexta)
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3
30/10/2013 - 16:45 - Sessão: 1087 (Quarta)
30/10/2013 - 16:45 - Sessão: 1087 (Quarta)
Nada de mau pode acontecer
Baseado em uma história verídica ocorrida em Hamburgo, Alemanha,Nada de Mau pode Acontecer
é um pungente relato de fé e violência. Escrito e dirigido pela alemã Katrin Gebbe, o filme mostra o sofrimento vivido pelo jovem Tero (Julius Feldmeier), integrante da corrente cristão The Jesus Freaks, grupo que prega uma vida coletiva de adoração e contemplação.
é um pungente relato de fé e violência. Escrito e dirigido pela alemã Katrin Gebbe, o filme mostra o sofrimento vivido pelo jovem Tero (Julius Feldmeier), integrante da corrente cristão The Jesus Freaks, grupo que prega uma vida coletiva de adoração e contemplação.
Logo após o seu batismo, Tero acaba consertando o carro da família de Benno (Sascha Alexander Gersak) supostamente com o poder da fé, conquistando sua amizade. Como não tem casa fixa, aceita passar um tempo com seus novos amigos, em uma barraca no quintal.
Não passa muito tempo até ele perceber as falhas graves no caráter desta nova família. Impotente por sua fé na crença na justiça divina, não consegue impedir os abusos de Benno a sua enteada, tal como a si próprio: é feito de empregado, passa fome, é espancado, humilhado e até prostituído pelo dono da casa.
Participante da Competição Novos Diretores da Mostra internacional de Cinema de São Paulo, esta produção vai ao limite ao mostrar a aterradora violência física e mental sofrida pelo personagem. Bem-executado e interpretado, em especial por Feldmeier, pode parecer incômodo, mas imperdível. (Rodrigo Zavala)
Indicação: 18 anos
Não passa muito tempo até ele perceber as falhas graves no caráter desta nova família. Impotente por sua fé na crença na justiça divina, não consegue impedir os abusos de Benno a sua enteada, tal como a si próprio: é feito de empregado, passa fome, é espancado, humilhado e até prostituído pelo dono da casa.
Participante da Competição Novos Diretores da Mostra internacional de Cinema de São Paulo, esta produção vai ao limite ao mostrar a aterradora violência física e mental sofrida pelo personagem. Bem-executado e interpretado, em especial por Feldmeier, pode parecer incômodo, mas imperdível. (Rodrigo Zavala)
Indicação: 18 anos
Dia 25/10
23:20 - ESPACO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3
23:20 - ESPACO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 3
Habi, a Estrangeira
A coprodução entre Argentina e Brasil apresenta uma intrigante busca de reinvenção da própria identidade por parte de uma jovem de 20 anos (Martina Jucadella). Vivendo no interior, ela vem a Buenos Aires para entregar algumas peças de artesanato. No local da entrega, acontece um funeral muçulmano. Ela sente-se atraída àquele mundo e resolve mudar seus planos.
Ao invés de voltar para casa, como previsto, ela aluga um quarto numa pensão barata, identifica-se como Habiba Rafat e arranja emprego numa pequena mercearia pertencente a um libanês. Além disso, arruma um figurino muçulmano, voltando ao centro para receber aulas de árabe e religião.
Ocultando do espectador os pensamentos de Habiba, o filme da estreante María Florencia Álvarez instala um jogo que pretende estimular a participação do público para imaginar o que há por trás das lacunas. Deixa no ar a dúvida, por exemplo, de que Habi possa ter vindo à cidade com um propósito mais definido, em busca do esclarecimento de uma história de seu passado, que pode incluir Hassan (Martin Slipak), filho de seu patrão.
Uma trama paralela envolve Habi com sua vizinha de quarto na pensão, a atormentada Margarita (Maria Luísa Mendonça), que vive uma relação conturbada com Horacio (Diego Velásquez).
No mais, trata-se de um filme de iniciação e aprendizado, tanto para a protagonista, quanto para a diretora e roteirista. A referência a uma pequena comunidade muçulmana na América do Sul também é oportuna, já que muito pouco abordada
Indicação: Livre.
RESERVA CULTURAL 1
25/10/2013 - 16:00 - Sessão: 675 (Sexta)
25/10/2013 - 16:00 - Sessão: 675 (Sexta)
RESERVA CULTURAL 1
28/10/2013 - 18:10 - Sessão: 963 (Segunda)
28/10/2013 - 18:10 - Sessão: 963 (Segunda)
Rubem Braga, Olho as Nuvens Vagabundas
O cronista capixaba, de quem se comemora o centenário este ano – assim como Vinicius de Moraes – é relembrado neste documentário de André Weller por sua obra e momentos de sua vida, relembrados por alguns de seus diletos amigos, frequentadores de sua acolhedora cobertura em Ipanema, em que ele plantou um pomar elevado, com pitangas e carambolas e uma vista para o mar.
Zuenir Ventura, Ziraldo, Ana Maria Machado, Marina Colassanti, Danuza Leão, Maria Lúcia Rangel e outros passeiam por esse belo apartamento, morada de Braga por décadas, onde ele, deitado em sua rede, de olho no mar distante e no cotidiano, criava seus textos sublimes, agudos, encharcados de um humor peculiar e disfarçando um sentimento grande como o mundo, já que o escritor temia ser piegas, como lembra um desses amigos. Conseguiu nunca esbarrar nisso.
Indicação: Livre
MATILHA CULTURAL
25/10/2013 - 17:15 - Sessão: 700 (Sexta)
25/10/2013 - 17:15 - Sessão: 700 (Sexta)
Grand Central
Destaque na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2013, o segundo filme da jovem cineasta e roteirista francesa Rebecca Zlotowski mostra um grande amadurecimento, unindo um romance de risco a um contexto de trabalho em usinas nucleares com claro tom de denúncia. A França é, aliás, o país europeu que mais utiliza esse tipo de energia.
Gary (Tahar Rahim) é um jovem desempregado, que acaba recrutado para o serviço de limpeza dessas usinas, compondo com outros rapazes iguais a ele um exército de trabalhadores temporários, expostos aos enormes perigos com a radiação – que eles não desconhecem, mas têm poucas condições de recusar, devido ao imenso desemprego na Europa.
Gary (Tahar Rahim) é um jovem desempregado, que acaba recrutado para o serviço de limpeza dessas usinas, compondo com outros rapazes iguais a ele um exército de trabalhadores temporários, expostos aos enormes perigos com a radiação – que eles não desconhecem, mas têm poucas condições de recusar, devido ao imenso desemprego na Europa.
Contratado, Gary e seus amigos são alojados perto de uma usina, unindo-se a supervisores como Gilles (Olivier Gourmet) e Toni (Denis Ménochet) – homens experientes nesta atividade absurdamente arriscada, que deveria ser destinada apenas a robôs, o que não ocorre para evitar custos às empresas. Gary envolve-se com a mulher de Toni (Léa Seydoux), injetando na história o intimismo, humanizando o que poderia ser apenas um drama sindical e político.
Todos esses ingredientes, reunidos com boa liga, proporcionam um filme forte, ótimo de ver. Uma nova diretora nasce no cinema francês – e conduz muito bem seu elenco admirável, além de traçar na tela um retrato realista da realidade de seu país, que não é nada rósea. (Neusa Barbosa)
Indicação: 14 anos.
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - AUGUSTA ANEXO 4
25/10/2013 - 18:00 - Sessão: 712 (Sexta)
25/10/2013 - 18:00 - Sessão: 712 (Sexta)
CINEMATECA - SALA BNDES
26/10/2013 - 16:00 - Sessão: 758 (Sábado)
26/10/2013 - 16:00 - Sessão: 758 (Sábado)
La Partida
Quando visitou pela primeira vez a capital de Havana, o diretor espanhol Antonio Hens se surpreendeu com a vida de adolescentes que se dedicavam à prostituição nas ruas da capital cubana. Não pela prática em si, mas sim pelo questionamento da masculinidade nessa sociedade machista.
As observações de Hens deram origem ao argumento central de
La Partida, que está em competição de Novos Diretores. Afinal, elas reúnem dois eixos recorrentes da filmografia do espanhol: a temática gay e o que os ingleses chamam de “coming of age”, a transição da adolescência à idade adulta.
La Partida, que está em competição de Novos Diretores. Afinal, elas reúnem dois eixos recorrentes da filmografia do espanhol: a temática gay e o que os ingleses chamam de “coming of age”, a transição da adolescência à idade adulta.
“O tema se refere a uma coerência industrial, em que cada diretor deve buscar seu nicho. Por ser gay, vou falar dos meus conflitos, do que eu conheço”, afirma o diretor, convidado a São Paulo pela Mostra. Já a motivação por essa etapa da vida se explica por ser um período de grandes mudanças, em que um está em busca de sua própria personalidade.
Nesse contexto, Hens mostra a relação de amizade e, mais tarde, amor entre Yosvani (Milton Garcia) e Reinier (Reinier Díaz). O primeiro mora com sua noiva e faz pequenos trabalhos para seu sogro, que o mantém. Enquanto isso, Reinier se prostitui à noite para sustentar sua namorada e o filho recém-nascido.
“São dois biotipos comuns em Cuba. Aquele que não trabalha ou estuda e, graças à desigualdade do país, por deitar-se com um estrangeiro recebe mais do que um médico durante um mês. E o que vive nas províncias, que encontra uma noiva com dinheiro para conseguir viver em Havana, o que não seria permitido”, explica.
O diretor cria assim uma realidade asfixiante. Não apenas o entorno dos personagens afeta essa relação, que se dá às escondidas, como a própria mentalidade de Reinier: um homossexual que luta contra a própria homossexualidade. “A homofobia não está tanto na sociedade quanto dentro da própria pessoa”.
O diretor cria assim uma realidade asfixiante. Não apenas o entorno dos personagens afeta essa relação, que se dá às escondidas, como a própria mentalidade de Reinier: um homossexual que luta contra a própria homossexualidade. “A homofobia não está tanto na sociedade quanto dentro da própria pessoa”.
A intensidade desse relacionamento também é potencializada por se tratar idealmente do primeiro amor. “Eu gosto dessas histórias porque o primeiro amor é o único puro, desesperado e passional”, acrescenta Hens.
Com uma visão quase documental,
A Partida
é um exercício visual do cineasta espanhol. Segundo ele, poderia ter sido algo mais convencional, sobre costumes, com a descrição de uma sociedade concreta, ou um filme melodramático, com a destruição de um amor platónico. Mas o filme está construído de uma maneira crua,
fria, distante, sem música, sem mudanças de ponto de vista.
Ele acredita que, visto o cinema hoje, é um valor a busca da verdade e, ao mesmo tempo, neutralidade através das imagens. “Quando eu escrevo um roteiro, estou construindo uma realidade conforme o que eu quero. Neste caso, preferi simplesmente gerar situações onde os atores pudessem desenvolver conflitos dramáticos, mas sem intervir muito nelas para alcançar mais naturalidade e casualidade”.
Para ele, é um filme duro de se ver, no sentido de que não conta nada. Hens faz com que o espectador pense sobre o que acontece na tela e quais são realmente as relações entre os personagens. “O público deve, a partir das imagens muito reais, construir qual é a realidade asfixiante dos protagonistas”. (Rodrigo Zavala)
Com uma visão quase documental,
A Partida
é um exercício visual do cineasta espanhol. Segundo ele, poderia ter sido algo mais convencional, sobre costumes, com a descrição de uma sociedade concreta, ou um filme melodramático, com a destruição de um amor platónico. Mas o filme está construído de uma maneira crua,
fria, distante, sem música, sem mudanças de ponto de vista.
Ele acredita que, visto o cinema hoje, é um valor a busca da verdade e, ao mesmo tempo, neutralidade através das imagens. “Quando eu escrevo um roteiro, estou construindo uma realidade conforme o que eu quero. Neste caso, preferi simplesmente gerar situações onde os atores pudessem desenvolver conflitos dramáticos, mas sem intervir muito nelas para alcançar mais naturalidade e casualidade”.
Para ele, é um filme duro de se ver, no sentido de que não conta nada. Hens faz com que o espectador pense sobre o que acontece na tela e quais são realmente as relações entre os personagens. “O público deve, a partir das imagens muito reais, construir qual é a realidade asfixiante dos protagonistas”. (Rodrigo Zavala)
Indicação: 18 anos
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - FREI CANECA 4
25/10/2013 - 20:00 - Sessão: 638 (Sexta)
25/10/2013 - 20:00 - Sessão: 638 (Sexta)
Mais detalhes sobre os filmes e endereços das salas no site da Mostra:
www.mostra.org
www.mostra.org
Leia também
Entrevistas da Mostra
Relacionadas
Começa a repescagem da Mostra
- 01/11/2013
Grand finale com Fellini e Ettore Scola
- 30/10/2013
De olho nas geografias distantes
- 29/10/2013
Começa a corrida às últimas atrações
- 27/10/2013
Tempo de conferir as produções latinas
- 23/10/2013
Última chance para ver "O Iluminado"
- 21/10/2013
Mulheres em risco e o perfil de um escritor
- 20/10/2013
Na abertura, clássicos e novatos instigantes
- 18/10/2013
37a. Mostra de SP anuncia suas atrações
- 05/10/2013
