68º Festival se garante com maioria europeia
- Por Neusa Barbosa, de Cannes
- 11/05/2015
- Tempo de leitura 4 minutos

O 68º Festival de Cannes começa nesta
quarta (13) marcado, mais uma vez, por um forte eurocentrismo na seleção. Nada menos do que cinco filmes franceses competem na seção principal pela Palma de Ouro, seguidos por três italianos, um dinamarquês, um húngaro, um grego. Completando a fila pela Palma, figuram dois japoneses, dois norte-americanos, um australiano, um canadense, um taiwanês e um mexicano, o solitário representante da América Latina aqui, Michel Franco, que comparece com Cronic. O festival termina no dia 24, com a entrega de uma Palma de Ouro de honra para a belga Agnès Varda.

Mesmo que se trate de uma seleção principal sem grandes riscos, por escalar diretores testados, e até já premiados aqui, como Jacques Audiard (Dheepan - foto abaixo), Nanni Moretti (Mia Madre - foto ao lado), Paolo Sorrentino (Gioventù), Matteo Garrone (The tale of tales), Gus van Sant (The sea of trees), Todd Haynes (Carol), Jia Zhangke (Mountains May Depart), Hirokazu Kore-eda (Our Little Sister) e Hou Hsiao-Hsien (The Assassin) – há apenas um estreante, o húngaro Lazlo Nemes (The son of Saul), além dos novatos na competição, o grego Yorgos Lantimos (The Lobster) e o dinamarquês Joachim Trier (Louder than Bombs) -, nem por isso se deixa de ter boa expectativa ao apresentado aqui.

Da mesma forma, na principal seção paralela, Un Certain Regard, pelo menos alguns nomes já garantem a correria para conferir, caso do filipino Brillante Mendoza (aqui com Taklub), o tailandês Apichatpong Weerasethakul (Cemetery of Splendor), a japonesa Naomi Kawase (com o filme de abertura da seção, An) e o romeno Corneliu Porumboiu, com The Treasure.
Dois centenários, o de Ingrid Bergman e o de Orson Welles, enriquecem a programação. Ingrid, aliás, domina o belo cartaz deste ano do festival e também é lembrada no documentário Ingrid Bergman in her own words, de Stig Björkman. Welles, por sua vez, é o tema de dois outros documentários, Orson Welles, autopsie d’une légende, de Elisabeth Kapnist, e This is Orson Welles, de Clara e Julia Kuperberg. Além disso, serão projetados na seção Cannes Classics três obras fundamentais de Welles, restauradas em 4K: Cidadão Kane, A dama de Xangai e O terceiro homem.
Para acabar de enlouquecer os frequentadores do festival, só mesmo a seção Cannes Classics, que este ano tem como convidado de honra o veterano cineasta grego Costa-Gavras, que apresentará uma projeção de seu clássico do cinema político Z, vencedor do Prêmio do Júri em Cannes em 1969.
Também estão previstas sessões de outros clássicos restaurados, caso de Rocco e seus irmãos, de Luchino Visconti, Ascensor para o cadafalso, de Louis Malle, e Sur, do argentino Fernando Solanas.
Também não poderia faltar uma homenagem ao mestre português Manoel de Oliveira, falecido aos 106 anos em 2 de abril último. Será exibido dele Visita ou Memórias e Confissões (1982), o filme que ele guardou para ser seu testamento.
Brasil
Em todas as seções, a presença latino-americana foi miúda, restando ao Brasil apenas dois curtas, ambos competindo em seções paralelas.
Um deles é Quintal, do mineiro André Novais Oliveira, que comparece pela segunda vez na seção Quinzena dos Realizadores, importante mostra paralela que se desenrola entre 14 e 25 de maio. A primeira vez que Oliveira participou lá foi em 2013, com o curta Pouco mais de um mês.
Persistindo num estilo calcado no documental e usando parentes e amigos como atores, Oliveira escala seus pais, Norberto e Maria José (também parte do elenco de seu longa Ela Volta na Quinta, premiado no Festival de Brasília 2014), para encarnar um dia na vida de pessoas idosas moradoras na periferia.
Command Action, curta-metragem produzido pelo coletivo de cinema Kino-Olho e dirigido por João Paulo Miranda Maria, de Rio Claro (SP), foi selecionado para a 54ª Semana da Crítica de Cannes. O filme é um docudrama que se passa numa feira na periferia de Rio Claro e foi selecionado entre 1750 inscritos.
Também na Semana da Crítica, o Brasil está presente como coprodutor em dois longas latinos: Paulina, de Santiago Mitre (coprodução com Argentina e França) e La Tierra y la Sombra, de César Augusto Acevedo (coprodução com a Colômbia, Chile, Holanda e França). Uma das mais importantes seções paralelas do Festival de Cannes, a 54ª. Semana da Crítica desenvolve-se entre 14 e 22 de maio próximos.
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