Para seu novo filme, Minions e Monstros, as pequenas criaturas amarelas e tagarelas em sua língua incompreensível voltam ao passado, a um momento decisivo para o cinema: a entrada do som nos filmes. Aqui, se tornam astros de Hollywood mas, quando chega a grande transformação,e precisam falar em cena, a carreira deles acaba.
Nada diferente do que foi mostrado em tons mais sombrios em Crepúsculo dos Deuses, mais extravagante em Babilônia, ou mais preto-e-branco e oscarizado em O Artista. Escrito e dirigido por Pierre Coffin, que também dubla as criaturinhas (mesmo na versão brasileira é mantida a dublagem dele, pois o que falam são sons bagunçados), o longa já começa olhando para o passado, com a vinheta da Universal voltando no tempo até chegar à primeira de 1912. Na sequência, entram os créditos com os Minions inseridos em curtas famosos dos primórdios do cinema, como A chegada do trem na estação e O Regador Regado.
O começo do longa é uma baita sacada que mira na nostalgia, um tema que atravessa o filme e já estabelece o tom. Como moldura da narrativa, uma guia do Museu do Cinema conta a história de como dois Minions, James e Henry, revolucionaram a arte. No começo, toda a turma andava de continente em continente em busca de um vilão para ser seu chefe, mas sempre acontecia algo, até que foram parar em Hollywood, onde encontram um bandido de faroeste que passam a admirar e seguir.
Em menos de 90 minutos Coffin coloca coisas demais até encontrar onde o filme quer chegar – nos monstros. Uma série de incidentes os leva a se tornar astros do cinema pré-sonoro, sob a direção do europeu Max, um cineasta generoso que tenta manter sua visão apesar do sistema de estúdios. Mas, a certa altura, precisam redirecionar a carreira. E James, que gosta de desenhar e contar histórias, tem a ideia de fazer um filme de monstro da Universal (um gênero de cinema por si próprio), no qual eles não precisarão ter falas.
Para tornar o filme mais real, James e Henry resolvem conjurar um monstro de um livro que guardaram quando tentaram ser seguidores de um mago do mal. Eles trazem o pequeno Goomi, que parece simpático e gentil, mas é bom lembrar que seu sobrenome é Traidor. Uma criatura verde e pequena, parece feita de borracha (a textura da animação é impressionante) e saída de uma história de Lovecraft – mas para o público infantil. James, Henry e Ed o seguem em busca de monstros maiores numa ilha.
Enquanto isso, uma centena de outros Minions encontra o robô alienígena Dort, que quer dominar a Terra, mas é meio atrapalhado e acaba se apaixonando pela sufragete Debbie, que também se apaixona por ele. Essa parte toda do filme parece deslocada no geral, não sendo capaz de manter o brilho e a sagacidade da primeira metade num filme que satiriza de Tempos Modernos e O Homem Mosca a outros ainda mais inesperados, Cidadão Kane, Laranja Mecânica e Tubarão.
O cineasta francês Coffin foi quem criou os Minions, no primeiro Meu Malvado Favorito, de 2010. Nesses 16 anos (o público-alvo do novo longa nem era nascido quando os personagens surgiram), esteve envolvido nos projetos da franquia, mas essa é sua primeira direção solo de um filme dos amarelinhos, conseguindo trazer certo frescor aos personagens, mesmo que essa sensação não dure o tempo todo - ainda assim, é superior ao filme anterior, Minions 2: A Origem de Gru.
