21/07/2026

Mais um dia, Zona Norte é o grande vencedor do Festival de Brasília

Um híbrido de documentário e ficção, Mais um Dia, Zona Norte, de Allan Ribeiro, foi o grande vencedor da 56ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhando o Troféu Candango de melhor longa-metragem pelo Júri Oficial da Mostra Competitiva Nacional, além dos prêmios de melhor ator e atriz coadjuvante (para Victor Veiga e Valéria Silva), melhor trilha sonora (para Allan e o músico Tibor Fittel) e ainda com as honrarias especiais do júri (para Silvio Fernandes); da crítica, entregue pelo Júri Abraccine; e do Prêmio Like, que concede R$ 50 mil em mídia para difusão do filme no Canal Like.
Esta foi a segunda vez que o diretor carioca tem sua obra premiada em Brasília, após pouco mais de dez anos, quando levou os Candangos de melhor direção de arte e de melhor edição na edição de 2012, com o filme Esse Amor que nos Consome.
A ficção científica brasiliense Cartório das Almas, de Leo Bello, levou o troféu de melhor longa-metragem pelo Júri Popular. A produção levou também os Candangos de melhor edição de som (Olivia Hernandez) e de melhor direção de arte (Maíra Carvalho).

Queridinho da crítica e do público por vários festivais por onde passou, o romance mineiro O Dia Que Te Conheci, de André Novais, recebeu o Prêmio Zózimo Bulbul - que tem júri próprio e destaca o cinema negro -, e outros três troféus do júri oficial: roteiro, para o diretor André Novais; melhor ator, para Renato Novaes; e melhor atriz, para Grace Passô, que aumenta sua coleção de Candangos. Ela foi premiada em 2018 como melhor atriz pelo filme anterior de Novais, Temporada, e ainda ganhou como melhor curta, por seu trabalho como diretora em República, na edição de 2020.

Impregnada de uma temática indígena, a docuficção A Transformação de Canuto ficou com o Candango de fotografia (Camila Freitas) e direção (Ariel Kuaray e Ernesto de Carvalho). Já o documentário No Céu da Pátria Nesse Instante, de Sandra Kogut, que acompanha as eleições de 2022 e os acontecimentos do 8 de janeiro, levou melhor montagem (Renata Baldi e Sandra Kogut) e o Prêmio Especial do Júri.

Curtas

Dentre os curtas-metragens, o maior destaque da premiação ficou com o documentário poético e semi-autobiográfico gaúcho Pastrana, de Gabriel Motta e Melissa Brogni, vencedor do Troféu Candango de melhor curta-metragem para o Júri Popular, Prêmio Canal Brasil de Curtas, além de melhor montagem (para Bruno Carboni).

No Júri Popular, o documentário Vão das Almas, de Edileuza Penha e Santiago Dellape, foi o preferido do público como melhor curta-metragem.

O prêmio de melhor direção foi para a cineasta caíxaba GG Fák??làdé, por Remendo, que também levou o Prêmio Abraccine, outorgado pelo júri da crítica. O filme ainda arrebatou o troféu de melhor ator pelo trabalho de Elídio Netto.

A paulista Jhonnã Bao foi premiada melhor atriz e roteirista (em temática afirmativa) por seu curta Erguida, realizado por um equipe formada em grande parte por artistas travestis e mulheres trans, além de receber o Prêmio Zózimo Bulbul.

O melhor roteiro do Júri Oficial ficou com o artista e cineasta mineiro Catapreta, que assina a animação Dona Beatriz Ñsîmba Vita. Outros prêmios técnicos foram conferidos a Helena de Guaratiba (fotografia e trilha sonora), Cáustico (direção de arte), Axé Meu Amor (edição de som) e Cidade by Motoboy (menção honrosa).

Mostra Brasília

Na Mostra Brasília, o júri do 25º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal consagrou o documentário sobre o teatrólogo uruguaio-brasiliense Hugo Rodas. Rodas de Gigante foi premiado como melhor longa pelo Júri Oficial, além de melhor direção (Catarina Accioly) e melhor montagem (Sérgio Azevedo). O filme também leva o Troféu Saruê, da equipe do jornal Correio Braziliense, reconhecimento por proporcionar o melhor momento do festival.

Dentre os curtas, Instante foi o grande vencedor, com o prêmio de melhor curta pelo Júri Oficial, além dos troféus de melhor atriz e de melhor roteiro para a diretora Roberta Rangel. Não Existe Almoço Grátis, de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, e Nada se Perde, de Renan Montenegro,
foram eleitos, respectivamente, melhor longa e melhor curta segundo o Júri Popular e ainda receberam menção honrosa do Júri Oficial.

Outros destaques da Mostra Brasília ficaram com Ecos do Silêncio (melhor fotografia e ator) e O Sonho de Clarice, que arrebanhou a maioria dos prêmios técnicos (direção de arte, trilha sonora e edição de som).

A Mostra Competitiva do 56º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro contabilizou 2.818 ingressos vendidos e a Mostra de Brasília teve 2.232 ingressos entregues. Estes são números apenas dos ingressos, sem contar com os diretores, produtores e convidados. Ao todo, contando o público que encheu a sala e frequentadores da praça de alimentação, passaram 12 mil pessoas pelo Festival de Brasília em 2023.