Em sua segunda noite, Brasília dá voz a retratos periféricos
- Por Neusa Barbosa
- 12/12/2023
- Tempo de leitura 2 minutos
Brasília - Uma nota de intimismo e delicadeza marcou a segunda noite competitiva do Festival de Brasília, com a exibição de Mais um dia, Zona Norte, em que o diretor Allan Ribeiro compõe um híbrido entre documentário e ficção para radiografar o cotidiano de um pequeno grupo de personagens da Zona Norte do Rio de Janeiro. É nítida a filiação do cinema de Ribeiro, diretor do premiado
Esse Amor que nos Consome (2012),à escola de Eduardo Coutinho - uma ligação que o próprio cineasta explicita no curta Eu fui assistente de Eduardo Coutinho - no sentido de dar voz a esses personagens, uma gari que ama dançar, um casal homoafetivo (um deles, transformista), uma garota sambista e um misto de locutor e comediante que, muitas vezes, se torna uma espécie de porta-voz dentro do filme, dialogando diretamente com o espectador. Tanto quanto a intimidade desses trabalhadores, de condição econômica modesta, quanto da própria Zona Norte do Rio, ausente dos retratos da cidade que preferem seus cartões postais, o filme entrega a peculiaridade de um lugar suburbano, periférico, separado do centro por linhas de trem. É um filme de observação, de escuta e paciência, que não aspira a grandes revelações, mas é feito por um cineasta que ali viveu a maior parte de sua vida, portanto, manifesta fundo autobiográfico em suas escolhas.
Assim sendo, denota também uma procura da condição humana de gente que arranca de um cotidiano difícil, pontuado pela falta de dinheiro e a violência policial - da qual o locutor/comediante faz um peculiar e irônico retrato - suas próprias formas de reinvenção e alegrias.
Curtas
Do Estado da Paraíba veio o concorrente Axé, meu amor, em que o diretor Thiago Costa (premiado em Brasília em 2022 por
Calunga Maior) mais uma vez cria uma história ambientada no mundo da religiosidade afro-brasileira a partir dos dilemas de Mãe Bené (Mãe Renilda) para tentar salvar a vida de sua mãe de santo.
O filme paulista Erguida, de Jhonnã Bao, por sua vez, segue a luta de superação de uma jovem travesti e slammer da periferia da capital paulista (Jhonnã Bao).
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