22/07/2026

Berlinale começa em ritmo de musical político fantástico com “The Light”

Berlim - De The Light (A Luz), pode-se dizer tudo, menos que não é uma boa escolha para abertura de um festival com a estatura da Berlinale. O novo filme do alemão Tom Tykwer, para além de um afago ao público local, tem aquele apelo de grande produção com intérpretes famosos por aqui, Berlim como cenário, uma trama com elementos muito atuais, inclusive no uso da IA na realização e presente no cotidiano das personagens, humor, pique frenético, e ufa, sintonia com a vertente que tem Emilia Perez como principal representante. Sim, um musical também, no caso com músicas do Queen e coreografias, diga-se, excêntricas. Enfim, uma extravagância, se assim se quiser.

Isso quer dizer que funciona? Não, ainda que uma primeira parte segure o interesse. Tykwer une dois dramas, que logo se imagina, vão se encontrar. De um lado, está a família alemã disfuncional, o pai (Lars Eidinger) envolvido em algum tipo de campanha publicitária para uma grande empresa, a mãe (Nicolette Krebitz) dedicada a projeto humanitário em Nairobi, ambos ausentes de casa e relapsos com os gêmeos pós-adolescentes. A garota (Elke Biesendorfer) é uma ativista às voltas com vida noturna e drogas, e seu irmão (Julius Gause) vive enfurnado no quarto em jogos virtuais. O núcleo é sacudido por uma imigrante síria (Tala Al Deen) que vem trabalhar como empregada e traz um peculiar invento consigo, um aparelho de luz para imersões cósmicas. O estranho que vem para abalar a ordem é um tipo recorrente no cinema desde Pasolini e seu Teorema. Aqui se dá o contrário, na possível reaproximação familiar. Mas Tykwer não consegue achar o eixo de estabilidade do filme e é o espectador que aos poucos abandona o interesse no que vê.