04/06/2026

Drama em Gaza mobiliza cineastas em defesa da Palestina no Festival de Veneza

Veneza - Às vésperas do início do 82º Festival de Veneza, que começa nesta quarta (27), a crise humanitária de Gaza inscreve seu lugar entre os temas que dominarão o evento. Isto aconteceu com a divulgação de uma carta, assinada há poucos dias por profissionais e entidades do cinema, italianos e de outras partes do mundo, pressionando a Bienal, organizadora do festival, e suas seções paralelas, a Giornate degli Autori e a Settimana della Critica, a “serem mais corajosas e claras na condenação do genocídio em Gaza e da limpeza étnica na Palestina perpetrada pelo governo e o exército israelense”.

Agrupada sob o nome Venice4Palestine, ou simplesmente a sigla V4P, a lista dos signatários da carta - que a esta altura passa de 1.500 - inclui nomes como o cineasta Marco Bellocchio (de quem o festival apresentará dois episódios de uma nova série, Portobello), a atriz Alba Rohrwacher, o cineasta Matteo Garrone (diretor de Gomorra), os atores Peppe e Toni Servillo, o diretor britânico Ken Loach, as diretoras francesas Audrey Diwan e Céline Sciamma, o ator francês Swann Arlaud, a atriz iraniana Sepideh Farsi, o ator britânico Charles Dance, o roqueiro britânico Roger Waters e os diretores palestinos Arab Nasser e Tarzan Nasser, que venceram o prêmio de melhor direção em Cannes neste ano por seu filme Once Upon a Time in Gaza.

A temperatura local sobre o assunto subiu ainda mais depois que grupos políticos e ativistas locais marcaram para este sábado (30), às 17h, uma manifestação na avenida Santa Maria Elisabetta, via principal do Lido de Veneza. Intitulada
Stop the Genocide - Free Palestine, a manifestação fará um percurso até o Palazzo del Cinema, sede do festival.

Respostas e boicote

A Bienal e o Festival de Veneza responderam à carta com uma declaração escrita. No texto, dizem que, em sua trajetória, têm sido sempre “lugares de discussão aberta e sensibilidade em relação a todos os assuntos candentes da sociedade e do mundo”.

Além disso, foi assinalado que a própria seleção dos filmes procura contemplar a diversidade do mundo. Lembra-se que faz parte da seção competitiva o filme The Voice of Hind Rajab, da diretora tunisiana Kaouther Ben Hania, sobre o assassinato de uma garotinha de 6 anos quando sua família fugia de Gaza, em janeiro de 2024; e o filme Of Dogs and Men, do diretor israelense Dani Rosenberg, capturando o clima posterior ao 7 de Outubro de 2023, que integra a mostra paralela Horizontes.

Na sequência, a V4P considerou que a Bienal e o Festival haviam falhado em abordar o foco central da carta. Além disso, cobraram que o festival “desconvidasse” atores como Gerard Butler e Gal Gadot - ambos integrantes do elenco de In the Hand of Dante, de Julian Schnabel, que terá sua premièrre mundial fora de competição, considerados apoiadores de Israel.

Representantes da atriz, que é israelense, disseram que ela nunca havia confirmado seu comparecimento ao festival. Gadot havia criticado o Hamas, defendendo os reféns israelenses, mas também foi atacada por outros setores por ter defendido uma solução diplomática para o conflito, manifestando-se contra a guerra.