Últimos concorrentes não mudam rumo das apostas em Veneza
- Por Neusa Barbosa, de Veneza
- 05/09/2025
- Tempo de leitura 3 minutos
Veneza - Na reta finalíssima da competição, os últimos concorrentes não parecem ter mudado a direção dos ventos da laguna - que tudo indica que apontam para premiações de ponta para a coprodução tunisiana-francesa The Voice of Hindi Rajab, da diretora Kaouther Ben Hania, sobre o drama da Gaza; o thriller sul-coreano No Other Choice, de Park Chan-wook, e Frankenstein, a superprodução do premiado mexicano Guillermo del Toro.
Claro que premiações para atores podem vir de outros filmes - Toni Servillo está mais uma vez ótimo em La Grazia, de Paolo Sorrentino; Valeria Bruni Tedeschi, em Duse, de Pietro Marcello; Barbara Ronchi em Elisa, de Leonardo di Costanzo, ou ainda Emma Stone, por Bugonia, de Yorgos Lanthimos.
Mas outros atores podem ser lembrados, como o cast masculino de Le Mage du Kremlin, de Olivier Assayas, com destaque para Paul Dano e Jude Law; Benjamin Voisin, à frente do elenco do drama L’Étranger, de François Ozon; ou também Bastien Bouillon, o escritor precarizado de outro bom drama francês, À Pied d’Oeuvre, de Valérie Donzelli. Todos filmes, aliás, que podem ser cogitados para outras premiações.
No caso do troféu Marcello Mastroianni, destinado a jovens intérpretes, a aposta mais segura parece o menino Bojtorján Barabas, protagonista do drama húngaro Orphan, de Lazlo Nemes. Tudo está em aberto até a noite deste sábado (6), quando serão anunciadas as premiações.
Dramalhões chineses e ousadia húngara
Se houve decepções e não foram poucas, estas ficaram, por exemplo, com os representantes chineses - este ano, especialmente dois dramalhões pesados e sem ritmo, caso de The Sun Rises on Us All, de Cai Shangiun, e Nuhai (Girl), de Shu Qi. Foi bem mal também o drama musical de época norte-americano The Testament of Ann Lee, de Mona Fastvold.
O quinto e último concorrente italiano, Un Film Fatto per Bene, de Franco Maresco, também não abalou as apostas, revelando um tipo de mockumentary em cima da obra de Maresco, um diretor um tanto alternativo mas que já venceu em Veneza um Grande Prêmio do Júri em 2019, pelo filme La Mafia Non È Più Quella di una Volta.
Se houve um filme na reta final que valeu o tempo dispendido foi a coprodução franco-húngara-alemã Silent Friend, novo filme da premiada diretora húngara Ildilkó Enyedi, vencedora do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2017 pelo drama Corpo e Alma.
Num filme ambientado na Alemanha e falado quase todo em alemão, a diretora articula três histórias em tempos diferentes inspiradas na relação entre plantas e seres humanos, contando com imagens de extrema e inquietante beleza. Sempre a partir do cenário do horto botânico de uma universidade alemã, a narrativa acompanha a pesquisa contemporânea de um neurocientista de Hong Kong (Tony Leung Chiu-Wai) sobre uma centenária árvore, um ginko biloba; os experimentos de estudantes na mesma universidade nos anos 1970 a partir de um gerânio; e os desafios de uma jovem (Luna Wedler) que, em 1908, conseguiu superar as barreiras para tornar-se a primeira aluna mulher da instituição.
Trata-se de um filme de muitas camadas, que a alguns pode parecer pretensioso ou hermético, mas sem dúvida tem vários pontos de interesse. Não se sabe se a ponto de influenciar o júri a destinar-lhe alguma premiação.
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