05/06/2026

Um Festival com muita Europa e menos Hollywood

Dois dos maiores ícones femininos do cinema de todos os tempos, Thelma (Geena Davis) e Louise (Susan Sarandon) estampam o cartaz da 79ª edição do Festival de Cannes, que se inicia no próximo dia 12 de maio e prossegue até o dia 23.

Thelma & Louise, o cult do diretor britânico Ridley Scott, teve sua première mundial em 20 de maio de 1991 - no mesmo festival que o diretor já frequentara em 1977, exibindo seu primeiro filme, Os Duelistas, que conquistou o Prêmio do Júri como melhor obra de estreia.

Da Croisette, Thelma & Louise partiu para uma trajetória iluminada de consagração mundial, marcando uma virada na maneira como mulheres eram representadas na tela, a partir do roteiro da novata Callie Khouri - que conquistaria por ele o Oscar e o Globo de Ouro.

Femininas e feministas, Thelma e Louise se tornaram heroínas e parâmetros de amizade inquebrantável e adesão inegociável à liberdade de escolha, levada às últimas consequências. Nada mais justo do que o festival lembrar essa brilhante história, ainda mais num ano em que as diretoras que concorrem à Palma de Ouro são apenas cinco entre 22 concorrentes.

Galeria estrelada

Em compensação não faltam credenciais a esse quinteto feminino. Estão aí a alemã Valeska Grisebach, que venceu em 2017 a seção Un Certain Regard com Western, agora apresentando The Dreamed Adventure (Das Gretaümte Abenteuer); da austríaca Marie Kreutzer (Corsage), Gentle Monster, com Léa Seydoux; e mais três francesas, Jeanne Henry (com Garance); Léa Mysius, com o suspense Histoires de la Nuit, com Hafsia Herzi e Bastien Bouillon; e Charline Bourgeois-Tacquet, com La Vie d’Une Femme, estrelado pela soberba Léa Drucker.

No time masculino, sobram nomes consagrados, como o espanhol Pedro Almodóvar (Amarga Navidad), o iraniano Asghar Farhadi (Parallel Tales), os japoneses Ryusuke Hamaguchi (All of a Sudden) e o já dono de uma Palma Hirokazu Kore-eda (Sleep in the box), o romeno Cristian Mungiu (Fjord); o belga Lukas Dhont (Coward); o polonês Pawel Pawlikowski (Guerra Fria), com Fatherland; o húngaro Nazlo Nemes (O Filho de Saul), com Moulin; e, recuperado de um sério episódio com a covid-19 em 2021, o russo Andrei Zvyagintsev, e seu Minotaur.

Pouco Brasil

Este ano, ao contrário de 2025, quando competiu e foi duplamente premiado com
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, o Brasil não tem representantes na disputa. O país está presente em três coproduções. Na seção competitiva Un Certain Regard, como coprodutor de Elefantes na Névoa, coproduzido com Nepal, Alemanha, França e Noruega, dirigido pelo estreante Abinash Bikram Shah. Na seção Quinzena dos Cineastas, o ator Selton Mello integra o elenco de outra coprodução Brasil/Chile, La Perra, da diretora Dominga Sotomayor. E, na Semana da Crítica, Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, de Bruno Santamaría Razo, coprodução entre Brasil e México.

No Mercado de Cannes, participa o longa Ilhéus, da diretora Manu Sobral, filmado no litoral paulista.

A língua portuguesa, porém, se fará ouvir em produções lusitanas, como dois curtas portugueses integrantes da seleção de Cannes 2026, um deles na competição principal do formato - Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio, de Daniel Soares -, o outro, na La Cinef, seção também competitiva que reúne obras de estudantes de cinema de todo o mundo. Na La Cinef, o curta português é Onde Nascem os Pirilampos, da diretora Clara Vieira.

Menos Hollywood

Uma característica desta edição é a presença discreta do cinema norte-americano, tanto na competição quanto fora dela. Na disputa da Palma, estão Ira Sachs (com The Man I Love, estrelado por Rami Malek) e James Gray (com Paper Tiger, com Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson no elenco). Esta última, aliás, uma produção da empresa brasileira RT Features.

Na vaga de blockbuster, quem preencheu de última hora foi a franquia Velozes e Furiosos, que comemorará o 25º aniversário de seu lançamento na Croisette com a presença de Vin Diesel, Jordana Brewster, o produtor Neal Moritz e a filha do falecido ator Paul Walker. A sessão de gala roncará os motores à meia-noite da quarta (13-5). O 12º capítulo da franquia, aliás, está anunciado para março de 2028.

Não passarão aqui, como se esperava, a superprodução Odisséia, de Christopher Nolan, ou o novo filme de ficção científica de Steven Spielberg, Dia D. Ambos desembarcam direto nos cinemas, entre junho e julho próximos.

Júri

Sob a presidência do destacado cineasta sul-coreano Park Chan-wook (Old Boy, A Única Saída), o júri que decidirá as premiações principais do festival inclui a atriz norte-americana Demi Moore, a atriz e produtora etíope-irlandesa Ruth Negga, a diretora e roteirista belga Laura Wandel, a diretora e roteirista chinesa Chloé Zhao, o diretor e roteirista chileno Diego Céspedes, o ator marfinense Isaach de Bankolé, o roteirista escocês Paul Laverty e o ator sueco Stellan Skarsgård. Os prêmios serão anunciados no sábado, 23 de maio.

Abaixo a lista completa dos concorrentes à Palma de Ouro:

AMARGA NAVIDAD, de Pedro ALMODÓVAR

PARALLEL TALES, de Asghar FARHADI

A WOMAN'S LIFE, de Charline BOURGEOIS-TACQUET

LA BOLA NEGRA, de Javier CALVO & Javier AMBROSSI

COWARD, de Lukas DHONT

DAS GETRÄUMTE ABENTEUER, de Valeska GRISEBAC

ALL OF SUDDEN, de Ryusuke HAMAGUCHI

THE UNKNOWN, de Arthur HARARI

ANOTHER DAY, de Jeanne HERR

SHEEP IN THE BOX, de Hirokazu KORE-EDA

HOPE, de Hong-jin NA

NAGI NOTES, de Koji FUKADA

GENTLE MONSTER, de Marie KREUTZER

NOTRE SALUT, de Emmanuel MARRE

FJORD, de Cristian MUNGIU

THE BIRTHDAY PARTY, de Léa MYSIU

MOULIN, de László NEMES

FATHERLAND, de Pawel PAWLIKOWSKI

THE MAN I LOVE, Ira SACHS

EL SER QUERIDO, de Rodrigo SOROGOYEN

MINOTAUR, de Andrey ZVYAGINTSEV

PAPER TIGER, de James GRAY

THE MAN I LOVE, de Ira SACHS