Drama épico de Wong Kar Wai marca o início do 63° Festival de Berlim
- Por Plínio Ribeiro Jr., de Berlim
- 07/02/2013
- Tempo de leitura 4 minutos
Tem início hoje (7) o 63° Festival de Berlim. Cabe ao júri presidido pelo cineasta Wong Kar Wai a escolha do filme que vai receber o Urso de Ouro deste ano dentre os 19 filmes da seleção oficial (de um total de 24 filmes apresentados).
Além da presidência do júri, esta edição da Berlinale vai representar um marco na carreira do cineasta chinês. Verdadeiro habitué do Festival de Cannes (desde 1989, ano em que As Tears Go By foi apresentado na Croisette, seus filmes eram figurinhas carimbadas na lista dos filmes que disputavam a Palma de Ouro), Kar Wai apresentará seu mais recente filme, The Grandmaster, nesta noite de abertura em Berlim. No Brasil, o filme será distribuído pela Califórnia, mas ainda não tem data de estreia.
Apesar de não concorrer ao Urso de Ouro – o filme é um dos cinco da seleção oficial apresentados fora da competição - The Grandmaster tem tudo para impressionar. Após a experiência de dirigir Norah Jones e Jude Law em Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights), Kar Wai volta às suas origens neste épico de artes marciais que levou quase três anos para ser produzido. Como não poderia deixar de ser, Tony Leung, o ator-fetiche do diretor está de volta na pele de IP Man, nada menos do que o mentor de Bruce Lee.
É curioso observar que o paralelo com Cannes não se limita a Kar Wai, já que outros dois diretores presentes na seleção da Berlinale (desta vez na competição) tiveram seus filmes anteriores selecionados no festival francês. São eles: o coreano Hong Sangsoo (Hahaha), que apresenta Nobody’s Daughter Haewon em Berlim e o austríaco Ulrich Seidl, que encerra sua mais recente trilogia com o episódio Paradise: Hope.
Outros destaques da competição são os novos filmes dos diretores Gus Van Sant (Promised Land), Danis Tanovic (An Episode in the Life of an Iron Picker), Steven Soderbergh (Side Effects) e Bruno Dumont
(Camille Claudel 1915 – interpretada por Juliette Binoche).
(Camille Claudel 1915 – interpretada por Juliette Binoche).
Bons ventos do Leste Europeu trarão ao Palast os filmes In the Name of, da diretora polonesa Malgoska Szumowska, e Child’s Pose, do romeno Calin Peter Netzer.
Único representante da América do Sul na competição, o diretor chileno Sebastián Lelio apresentará seu filme Gloria, após este projeto ter vencido o prêmio Cine en Construcción de la Industria na última edição do Festival de San Sebastián.
Brasileiros nas paralelas
Merecem menção igualmente filmes das mostras paralelas, onde se encontram alguns brasileiros, como o mais recente projeto do diretor Bruno Barreto, Você Nunca Disse Eu Te Amo, que retrata o romance entre a poetisa Elizabeth Bishop (interpretada por Miranda Otto) com a idealizadora do Parque do Flamengo, a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (vivida por Glória Pires). Apesar de não concorrer ao prêmio principal, pois está presente na mostra Panorama,
é um dos candidatos ao Teddy Award, premiação dedicada aos filmes com temática LGBT.
é um dos candidatos ao Teddy Award, premiação dedicada aos filmes com temática LGBT.
Este é também o caso do curta-metragem O pacote, dirigido por Rafael Aidar e parte da mostra Generation (assim como
o curta Destimação, de Ricardo de Podestá, e O caminhão do meu pai, dirigido por Mauricio Osaki, numa coprodução com o Vietnã). O artista Hélio Oiticica marcará presença tendo dois de seus filmes apresentados na mostra Forum Expanded, assim como um documentário sobre sua vida realizado pelo seu neto, Cesar Oiticica Filho.
o curta Destimação, de Ricardo de Podestá, e O caminhão do meu pai, dirigido por Mauricio Osaki, numa coprodução com o Vietnã). O artista Hélio Oiticica marcará presença tendo dois de seus filmes apresentados na mostra Forum Expanded, assim como um documentário sobre sua vida realizado pelo seu neto, Cesar Oiticica Filho.
Há filmes que já estão dando o que falar antes mesmo do começo do festival, como é o caso de Interior. Leather Bar, filme codirigido por James Franco e Travis Mathews e que remete a Parceiros da Noite, filme de William Friedkin, que traz Al Pacino infiltrando-se nos bastidores da subcultura gay da Nova York dos anos 80. Diz a lenda que cerca de quarenta minutos do filme, considerados muito ousados, foram suprimidos para que não recebesse uma classificação etária muito restrita. A proposta de Franco e Mathews é, ao revisitar o que teriam sido estes quarenta minutos que desapareceram, abordar os mecanismos homofóbicos que rondam Hollywood. Ou seja, ecletismo e ousadia é o que não faltam neste e em muitos outros filmes que completam o panorama desta Berlinale.
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