O ano do reencontro com o público nos cinemas
- Por Alysson Oliveira e Neusa Barbosa
- 19/10/2021
- Tempo de leitura 3 minutos
Ao anunciar a retomada das sessões presenciais na Mostra, que terá uma edição híbrida em 2021, sua diretora, Renata de Almeida, disse na coletiva de apresentação do Festival que “o grande desafio é voltar a ocupar os cinemas.” Lembrando que o setor foi um dos que mais sofreram com o fechamento por causa da pandemia, ela destacou que o grande desafio agora é recuperar o público nas salas, esperando que o festival possa desempenhar um papel para isso, sempre respeitando os protocolos sanitários. Além disso, depois do sucesso da edição de 2020, o formato digital não será abandonado. Boa parte dos longas serão exibidos presencialmente e online.
Acima de tudo, a Mostra conta com a força de sua seleção. O arsenal para chamar a atenção do público inclui os principais filmes premiados em Cannes (Titane, da francesa Julia Ducournau) [foto ao lado] e Berlim (Má Sorte, ou Pornô Acidental, do romeno Radu Jude), além de diretores queridinhos da Mostra: Apichatpong Weerasethakul (Memoria), Pedro Almodóvar (o curta A Voz Humana), Andrea Arnold (Cow), Wes Anderson (A Crônica Francesa), Bruno Dumont (France), Mia Hansen-Løve (Bergman Island), Aleksei German Jr. (Prisão Domiciliar) e Michel Franco (Ao Cair do Sol).
Também fazem parte do cardápio dois filmes do suave cult sul-coreano Hong Sang-soo, A mulher que fugiu e Encontros, o novo filme do português Miguel Gomes, Diários de Otsoga, A história de minha esposa, de Ildikó Enyedi (diretora húngara vencedora do Urso de Ouro com Corpo e Alma); e Jane by Charlotte, de Charlotte Gainsbourg, em que a atriz francesa traça um retrato de sua mãe, a cantora e atriz Jane Birkin. Entre as descobertas imperdíveis, está o filho do premiado iraniano Jafar Panahi, Panah Panahi, estreando em longas com um emocionante retrato de família com toque político, Pegando a Estrada, que teve sua première mundial na Quinzena dos Realizadores de Cannes.
A seção Mostra Brasil exibirá 17 longas, todos inéditos no país. Entre eles, está Deserto Particular, de Aly Muritiba, escolhido como o representante do país para a disputa a uma vaga no Oscar de Melhor filme em língua estrangeira, além de, em setembro passado, ter ganhado prêmio de público na seção Giornate degli Autori no Festival de Veneza. Fazem parte do segmento nacional A viagem de Pedro, filme de época de Laís Bodanzky; o drama familiar Sol, de Lô Politi; a comédia O Pai de Rita, de Joel Zito Araújo; e Urubus, estreia em longa do premiado Claudio Borreli que retrata o mundo dos pichadores.
Outros filmes brasileiros serão apresentados em outras seções do festival, como é o caso de Marinheiro das Montanhas (foto ao lado), documentário de Karim Aïnouz sobre seu pai argelino; Medusa, de Anita Rocha da Silveira, exibido em Cannes; Salamandra, de Alex Carvalho, coproduzido com a França e Alemanha, e exibido em Veneza; 7 Prisioneiros, de Alexandre Moratto, exibido também em Veneza; A felicidade das coisas, que marca a estreia em longas da premiada curtametragista Thais Fujinaga; Bob Cuspe – Nós não gostamos de gente, animação de Cesar Cabral, protagonizada pelo famoso personagem de Angeli e premiada em Annecy.
Segundo Renata, sempre foi um sonho da Mostra ter um cartaz assinado por Ziraldo. Neste ano, além de ter realizado o sonho, o festival também exibe dois documentários sobre o artista, Ziraldo – Uma obra que pede socorro, de Guga Dannemann; e Ziraldo – Era uma vez um menino..., dirigido pela filha dele, Patrizia Pinto.
Dos 264 selecionados para 45a Mostra, a plataforma Mostra Play exibirá 157 títulos pagos, sendo que boa parte deles fazem parte da exibição presencial nas salas em São Paulo. Já o Itaú Cultural Play exibirá 7 longas nacionais, gratuitos mediante a cadastro, e o Sesc Digital, 19 estrangeiros, gratuitos e sem necessidade de inscrição. Para mais informações e seleção completa dos filmes, acesse: www.mostra.org
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