21/07/2026

Cine Ceará começa com o drama inédito "Fortaleza Hotel", de Armando Praça

Começa neste sábado (27), em formato híbrido, o 31º Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema. O filme de abertura é o drama cearense Fortaleza Hotel, de Armando Praça, o grande vencedor do festival em 2019 com o filme Greta, estrelado por Marco Nanini. Fortaleza Hotel terá aqui sua première mundial, em sessão presencial no Cineteatro São Luiz. Depois disso, ainda integrando a programação do festival, ele terá outra sessão na terça (30), às 21h30, no Canal Brasil.

Na solenidade de abertura, serão homenageados a atriz Marta Aurélia e o cineasta Halder Gomes. Os cearenses serão agraciados com o Troféu Eusélio Oliveira.


O evento acontece de 27 de novembro a 3 de dezembro em formato híbrido, presencial em Fortaleza, no Canal Brasil, canais Globo, Globoplay + canais ao Vivo, no Youtube do evento e na TV Ceará.


Para a programação no Cineteatro São Luiz, os ingressos estarão disponíveis no site da Bilheteria Virtual. No Cinema do Dragão, sede da mostra competitiva Olhar do Ceará, o público poderá adquirir os ingressos na bilheteria do cinema uma hora antes de cada exibição. Em ambos os equipamentos da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult CE), geridos pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), o público deverá apresentar o passaporte da vacinação. Os ingressos são gratuitos.



Fortaleza Hotel

No enredo, Pilar (Clébia Sousa) é camareira num hotel na capital do Ceará, mas em breve espera imigrar para Dublin, por isso está estudando inglês. Ela foi mãe muito jovem e, neste momento, enfrenta problemas com a filha adolescente Jamile (Larissa Góes). Sua vida se cruza com o de uma hóspede do hotel, a sul-coreana Shin (Lee Young-Lan), que vem ao Brasil para buscar o corpo do marido que morreu em Fortaleza, para ser sepultado na Coreia do Sul. Os trâmites, no entanto, se revelam mais complexos do que o esperado.

O diretor Armando Praça define o longa como sendo “sobre duas mulheres de culturas distintas que se
conectam a partir de seus problemas e se comunicam do fundo de suas solidões. Almejo um filme que possa mostrar o poder feminino através da solidariedade, esse sentimento tão poderoso e conhecido da alma humana.”

Nessas duas mulheres, o diretor vê duas faces da globalização que explodem numa Fortaleza repleta de esperança. “A gente tem cada vez mais que se juntar. Porque essas diferenças que foram criadas por diversas ordens, na verdade, estão levando a gente a um colapso, ambiental, psicológico, financeiro, a um colapso de saúde pública, todas as naturezas de colapso possível. A gente está degringolando porque estamos nos distanciando uns dos outros por questões ideológicas, políticas, religiosas, econômicas."

O diretor investiga como a amizade improvável entre essas duas mulheres pode transformar a vida de ambas. Comunicando-se num inglês rudimentar, Pilar e Shin encontram uma maneira de se ajudar no momento em que as duas enfrentam dificuldades. Praça se preparou para isso de uma maneira bastante peculiar: “Eu me exercitei vendo filmes falados em inglês com legendas em inglês antes de filmar. Um pouco para me familiarizar com o inglês, para observar a entonação das atrizes, pois eu precisaria entender se aquilo estava dentro da chave correta da emoção.”

Esteticamente, Fortaleza Hotel é construído com apuro visual na fotografia assinada por Heloísa Passos. Antes de começar a rodar seus filmes, Praça coleciona um grande acervo de referências de fotografias, e constrói um universo visual que servirá de base para o filme. A partir daí, criou uma estética bastante própria do longa. “Todas as cenas de rua, noturnas, eu queria filmar como se viesse uma luz por trás do corpo da atriz, ao invés de eu jogar a luz para a frente para ver o rosto. Eu via como se ela fosse uma silhueta. Quando a gente filmava na rua, ao invés de acender a gente mais apagou luzes. Mas claro que a gente acendeu algumas muito pontuais.

No longa, cujo roteiro é assinado por Isadora Rodrigues e Pedro Cândido, Praça explica ter procurado “sentimentos universais e, sobretudo, urgentes, pois acredita que é através da solidariedade, essa já tão
conhecida ferramenta feminina, que vamos romper barreiras e nos reinventar como humanidade.”