"Fogaréu", estrelado por Bárbara Colen, ganha prêmio na seção Panorama de Berlim
- Por Neusa Barbosa, de Berlim
- 20/02/2022
- Tempo de leitura 2 minutos
Fogaréu, longa de ficção da goianaFlávia Neves, estrelado por Bárbara Colen (foto) (Bacurau ) e Eucir de Souza, ficou em terceiro lugar na votação do
público que assistiu aos filmes da Mostra Panorama, no Festival de Berlim. Baqyt/Happiness, de Askar Usabayev (Casaquistão) e Klondike, de Maryna Er Gorbach (Ucrânia/Turquia), foram, respectivamente o primeiro e segundo colocados nesta premiação.
Entre os documentários, os vencedores da mostra, também eleitos pelo público, foram: Ask, Mark ve Ölüm, de Cem Keya (Alemanha), Nel Mio Nome, de Nicolò Bassetti (Itália) e Myanmar Diaries, de um coletivo anônimo de diretores (Holanda/Mianmar/Noruega), este último, já vencedor do Urso de Ouro de melhor documentário na premiação principal, anunciada na última quarta (16-2).
Fogaréu
Estreia na ficção da diretora, Fogaréu relata uma história familiar enraizada em temas candentes no país - o patriarcalismo, o agronegócio predatório e os direitos indígenas.
No centro da história, está Fernanda (Bárbara Colen), jovem que volta a uma cidadezinha do interior de Goiás para acertar velhas pendências de sua história familiar. Ela foi criada longe dali por Cecília, que já morreu e havia abandonado a cidade há anos, em choque contra o próprio pai, fazendeiro, machista e conservador.
Agora, Fernanda tenta esclarecer seus direitos com o tio materno, Antônio (Eucir de Souza). Mas a volta dessa mulher independente, criada fora dos padrões ultra-conservadores do lugarejo, acirra os conflitos, levando o filme a expor a permanência de estruturas arcaicas - como é o caso das “bobas”, como são chamadas as filhas de criação não só desta como de várias famílias locais, órfãs que há muito vivem com eles, em troca de casa e comida, numa relação de servidão e abuso.
Resgatando uma história com vários pontos de contato com sua própria origem familiar, Flávia Neves acerta bastante no enfrentamento destas relações profundamente machistas, deste poder calcado no dinheiro e na política - já que o tio é também o prefeito da cidade. Procurando um alívio no tom pesado, introduz-se um toque de realismo mágico, através das ações de um misterioso personagem Ezequiel (Timothy Wilson).
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