21/07/2026

Comédia zumbi francesa, "Coupez!" inicia Cannes com espírito zombeteiro

Cannes - Cannes deu a largada para a sua 75a edição com uma comédia francesa de zumbis, Coupez!, de Michel Hazanavicius, que faz uma sátira ao mesmo tempo ao gênero e ao espírito coletivo e improvisador do próprio cinema. Fora da competição, o filme prepara o caminho para uma programação repleta de títulos sérios e pesados, alguns relativos à Ucrânia, uma guerra sangrenta no meio da Europa que tem se tornado o pesadelo paralelo para um mundo ainda
abalado pela pandemia e seus efeitos.

Romain Duris, esse ator extraordinariamente versátil, interpreta o diretor de cinema desse filminho de terror, baseado em roteiro e com produtores japoneses, que se torna um pesadelo a céu aberto quando os próprios membros da equipe se tornam zumbis, aparentemente como efeito colateral de uma maldição do local de filmagem. Evidentemente, há mais camadas por baixo desse roteiro que se volta para dentro de si mesmo, já que foi inspirado mesmo em história original de dois japoneses, Shinishiro Ueda e Ryoichi Wada. Mas o trânsito por essas camadas, por esse tipo de humor auto-referente e que depende demais de alguns momentos verdadeiramente ultrajantes, grotescos, de humor físico e sangue artificial aos baldes, nem sempre funciona tão bem. Parece um filme para adolescentes feito por um madurão meio sem noção - mas não são os 55 anos do diretor o problema, evidentemente, mas seu manejo das referências e do ritmo, que em comédias, especialmente, é crucial. Em todo caso, 1h50 parece uma duração excessiva para tudo o que Coupez! - ou seja, “corta!”, um nome infame, de saída - tem a oferecer.

A competição começa mesmo agora à tarde, como Tchaikovsky’s Wife, do russo Kirill Serebrennikov - que aqui esteve há 5 anos com seu vibrante Verão, um retrato de geração a partir da história de uma banda de rock de Leningrado. E à noite, dando início às sessõe depois das 22h para a imprensa, a produção ítalo-bela-francesa Le Otto Montagne, uma adaptação do romance de Paolo Cognetti sobre as vidas diferentes de dois amigos que cresceram juntos, dirigida pela dupla Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeersh. Que os deuses dos cinemas nos protejam!

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