Cannes celebra sua 75ª edição com seleção promissora
- Por Neusa Barbosa, de Cannes
- 15/05/2022
- Tempo de leitura 6 minutos
Com muitos nomes famosos na competição e fora dela, o festival francês dá mostras de oferecer uma de suas melhores e mais concorridas seleções
Começa nesta terça (17/5) aquela que promete ser uma das mais vigorosas edições do Festival de Cannes. Reunindo diversos medalhões do cinema e introduzindo novatos que devem dar o que falar, a Croisette ostenta uma programação das mais vistosas.
Nesta sua 75a edição, Cannes atraiu vários vencedores da Palma de Ouro ou outros prêmios, caso de David Cronenberg (Crimes of the Future) [foto ao lado], os irmãos Dardenne (Tori and Lokita), Claire Denis (The Stars at Noon), Arnaud Desplechin (Frère et Soeur), James Gray (Armageddon Time), Hirokazu Kore-eda (Broker), Cristian Mungiu (R.M.N), Ruben Ostlund (Triangle of Sadness), Park Chan-wook (Decisions to Leave) e Kelly Reichardt (Showing Up). O festival não entrou totalmente na onda de boicote aos russos, incluindo entre os competidores à Palma de Ouro Kirill Serebrennikov (Verão), aliás, um notório opositor de Vladimir Putin, com o drama Tchaikovsky 's Wife.
Entre os 21 filmes que concorrem à Palma, quatro são dirigidos por mulheres: as francesas Claire Denis e Léonor Serraille, a norte-americana Kelly Reichardt (que também é homenageada na Quinzena dos Realizadores com o prêmio Carrosse D’Or pela carreira) e a ítalo-francesa Valeria Bruni-Tedeschi (Les Amandiers). Além disso, um dos filmes tem co-direção feminina, Le Otto Montagne, de Charlotte Vandermeersch e Felix Van Groeningen
Fora da competição, também foram confirmadas obras com grande potencial de atração do público, como Top Gun: Maverick, a aguardada sequência de Top Gun: Ases Indomáveis (1986), com direito à presença de Tom Cruise na Croisette; a cinebiografia Elvis, de Baz Luhrmann e o novo trabalho do veterano George Miller, Three Thousand Years of Longing, com os estelares Idris Elba e Tilda Swinton.
Entre as Sessões Especiais, o documentário Jerry Lee Lewis: Trouble in Mind (foto ao lado), assinado por Ethan Coen, agora também em carreira solo, The Natural History of Destruction, do engajado documentarista ucraniano Sergei Loznitsa, e um novo documentário do premiado chileno Patricio Guzman, Mi Pais Imaginario, que se debruça sobre as mudanças recentes ocorridas no Chile após manifestações populares que culminaram numa Assembleia Nacional Constituinte e na eleição de um novo presidente, Gabriel Boric. Este é, aliás, um dos pouquíssimos títulos latino-americanos numa seleção que deixou de fora a produção de vários países, incluindo o Brasil. Uma outra exceção é o costarriquenho Ariel Escalante Meza, que comparece na seção competitiva Un Certain Regard com Domingo y la Niebla.
A guerra da Ucrânia, que neste momento abala a Europa, também está presente no festival pela inclusão, de última hora entre as Sessões Especiais, do filme Mariupolis 2 (foto ao lado), de Mantas Kvedaravi?ius e Hanna Bilobrova. Voltando a Donbass para filmar pessoas que conheceu entre 2014 e 2015, o lituano Kvedaravi?ius foi morto, alegadamente, pelo exército russo no começo de abril. Sua noiva, Hanna Bilobrova, conseguiu resgatar o material filmado, que foi posteriormente editado por um parceiro habitual do cineasta, Dounia Sichov.
Na abertura, uma das muitas pratas da casa, o filme Coupez! (Final Cut), do francês Michel Hazanavicius (vencedor de vários prêmios com O Artista), oferecendo agora uma comédia de humor negro, sobre uma equipe de filmagem de um filme de terror de baixo orçamento, com enredo sobre zumbis, e que é atacada por zumbis de verdade. No elenco, Matilda Anna Ingrid Lutz, Bérénice Bejo, Romain Duris e Luàna Bajrami.
Entre as muitas homenagens, a Palma de Ouro de carreira ao veterano ator e diretor norte-americano Forest Whitaker, que debutou em Cannes ganhando prêmio de melhor ator por Bird, de Clint Eastwood, em 1988. Mas a melhor de todas é rebatizar uma das salas do festival, a Salle du Soixantième, inaugurada na sexagésima edição, com o nome de Agnès Varda, uma das maiores diretoras em língua francesa de todos os tempos. Mais do que merecido.
Abaixo, a seleção:
Filme de abertura
Coupez! (Final Cut), de Michel Hazanavicius
Competição
Holy Spider, de Ali Abbasi
Les Amandiers, de Valeria Bruni Tedeschi
Crimes of the Future, de David Cronenberg
The Stars at Noon, de Claire Denis
Frére et Soeur, de Arnaud Desplechin
Tori and Lokita, de Jean-Pierre and Luc Dardenne
Close, de Lukas Dhont
Armageddon Time, de James Gray
Broker, de Hirokazu Kore-eda
Nostalgia, de Mario Martone
R.M.N., de Cristian Mungiu
Triangle of Sadness, de Ruben Ostlund
Decisions to Leave, de Park Chan-Wook
Showing Up, de Kelly Reichardt
Leila’s Brothers, de Saeed Roustayi
Boy from Heaven, de Tarik Saleh
Tchaikovsky’s Wife, de Kirill Serebrennikov
Hi-Han (Eo), de Jerzy Skolimowski
Le Otto Montagne, de Charlotte Vandermeersch e Felix Van Groeningen
Un Petit Frère, de Léonor Serraille
Tourment sur les îles, de Albert Serra
Un Certain Regard
Les Pires, de Lise Akoka and Romane Gueret
Burning Days, de Emin Alper
Metronom, de Alexandru Belc
Retour a Seoul, de Davy Chou
Sick of Myself, de Kristoffer Borgli
Domingo y La Niebla, de Ariel Escalante Meza
Plan 75, de Hayakawa Chie
Beast, de Riley Keough and Gina Gammell
Corsage, de Marie Kreutzer
Butterfly Vision, de Maksym Nakonechnyi
Volada Land, de Hlynur Palmason
Rodeo, de Lola Quivoron
Joyland, de Saim Sadiq
The Stranger, de Thomas M. Wright
The Silent Twins, de Agnieszka Smoczynska
Plus que Jamais, de
Emily Atef
Emily Atef
Mediterranean Fever, de
Maha Haj
Maha Haj
Le Bleu du Caftan, de Maryam Touzani
Harka, de Lotfy Nathan
Cannes Première
Outside Night, de Marco Bellocchio
Nos Frangins, de Rachid Bouchareb
Irma Vep, de Olivier Assayas (série)
Dodo, de Panos H. Koutras
Don Juan, de Serge Bozon
La Nuit du 12, de Dominik Moll
Chronique d’une Liaison Passagère, de Emmanuel Mouret
Sessões Especiais
The Natural History of Destruction, de Sergei Loznitsa
Jerry Lee Lewis: Trouble in Mind, de Ethan Coen
All That Breathes, de Shaunak Sen
Mi Pais Imaginario, de
Patricio Guzmán
Patricio Guzmán
The Vagabonds, de Doroteya Droumeva
Riposte Féministe, de Marie Perennès e Simon Depardon
Restos do Vento, de Tiago Guedes (Portugal)
Le Petit Nicolas Qu’est-ce on Attend pour Être Heureux ? de
Amandine Fredon e Benjamin Massoubre
For the Sake of Peace, de Christophe Castagne e Thomas Sametin
Mariupolis 2, de Mantas Kvedaravi?ius e Hanna Bilobrova
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