21/07/2026

"Deus e o Diabo na Terra do Sol" será exibido na seção Cannes Classics

Segundo longa de Glauber Rocha, considerado um marco do Cinema Novo e concorrente à Palma de Ouro em Cannes 1964, Deus e o Diabo da Terra do Sol foi selecionado para o 75º Festival de Cannes (17 a 28 de maio) e será exibido na seção Cannes Classics, dedicada a filmes clássicos e documentários sobre cinema..

Fazem parte da Cannes Classics cópias restauradas de Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly - comemorando o 70o aniversário do filme -, Vítimas da Tormenta, de Vittorio De Sica, O Processo, de Orson Welles, Poil de Carotte, de Julien Duvivier, La Maman et la Putain, de Jean Eustache, entre outros. Entre os documentários, figuram dois episódios da série The Last Movie Stars, sobre os atores Joanne Woodward e Paul Newman, dirigida pelo também ator Ethan Hawke, que estará presente em Cannes, Confira a lista completa dos filmes da seção abaixo.

Deus e o Diabo na Terra do Sol

A cópia a ser exibida em Cannes é uma versão restaurada em 4K, cuja realização exigiu um esforço conjunto de três anos entre o produtor Lino Meireles e a cineasta Paloma Rocha, filha de Glauber Rocha. O novo restauro foi realizado na Cinecolor, empresa parceira da Cinemateca Brasileira, onde estava armazenada a cópia em película – cinco latas de negativos 35mm em perfeitas condições. Apesar disso, parte da obra de Glauber foi perdida no incêndio que atingiu um dos galpões da Cinemateca, em São Paulo, em julho de 2021.

Considerado um dos clássicos incontestes do cinema brasileiro, Deus e o Diabo na Terra do Sol foi lançado nos cinemas brasileiros em julho de 1964, integrando o legado do diretor, falecido em 1981, responsável ainda por outros títulos magistrais, como Barravento (1962), Terra em Transe (1967), O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), e O Leão de Sete Cabeças (1970). No enredo do filme, o vaqueiro Manuel (Geraldo del Rey) e sua esposa Rosa (Yoná Magalhães) fogem para o sertão depois que ele mata um coronel que tenta enganá-lo. No ermo brasileiro, violento e assolado pela seca, eles encontram duas figuras icônicas: Sebastião (Lìdio Silva), que se diz divino, e Corisco (Othon Bastos), que se descreve como demoníaco. Amarrar seus destinos com essas figuras é uma decisão trágica, no entanto, pois o mercenário Antonio das Mortes (Maurício do Vale) está em seu encalço.

“É um ciclo completo para a nossa restauração, onde o filme será reexibido pela primeira vez no mesmo local em que estreou. Que seja um novo chamado de resistência cultural”, afirma o produtor Lino Meireles, diretor do premiado documentário Candango: Memórias do Festival”. “Num país com a cultura tão depreciada, com a produção artística sofrendo ataques, fizemos um esforço de contracorrente. Isso só é possível porque o filme tem a força própria dele”, explica a diretora Paloma Rocha.

Abaixo, a seleção completa do Cannes Classics:

La Maman et la Putain, de Bertrand Blier (1972)

Cantando na Chuva, de Stanley Donen e Gene Kelly (1952)

Thamp (The Circus Tent), de Aravindan Govindan (1978)
O Processo, de Orson Welles (1962)

Si J’Étais un Espion, de Bertrand Blier (1967)

Poil de Carotte, de Julien Duvivier (1932)

O Último Concerto de Rock, de Martin Scorsese (1978)

Itim, de Mike De Leon (1976)

As Pequenas Margaridas, de Vera Chytilová (1966)

Viva la Muerte!, de Fernando Arrabal (1971)

Documentários

The Last Movie Stars (episódios 3 e 4), de Ethan Hawke

Romy, a Free Woman, de Lucie Cariès

Jane Campion, Cinema Woman, de Julie Bertucelli

Gérard Philipe, Le Dernier Hiver du Cid, de Patrick Jeudy

Patrick Dewaere, Mon Héros, de Alexandre Moix

Hommage D’Une Fille à Son Père, de Fatou Cissé

L’Ombre de Goya par Jean-Claude Carrière, de José Luis Lopez-Linares

Tres en Deriva del Acto Creativo, de Fernando Solanas

Filme Oficial das Olimpíadas de Tóquio 2020 - Lado A, de Naomi Kawase

Visions of Eight, de Milos Forman, Youri Ozerov, Claude Lelouch, Mai Zetterling, Michael Pfleghar, Kon Ichikawa, Arthur Penn e John Schlesinger (1973)

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