19/09/2026

Michael Haneke ganha segunda Palma de Ouro com "Amour"

Cannes – Num ano em que nenhum favoritismo explícito carregou os corações e mentes em Cannes, acabou sendo muito lógico um generoso distributivismo na entrega dos prêmios na 65ª. edição, encerrada hoje, mais uma vez debaixo de uma chuva insistente, que encharcou o tapete vermelho e os convidados de honra da premiação.
Mas a cobiçada Palma de Ouro acabou indo mesmo parar nas mãos do austríaco Michael Haneke, por Amour, uma duríssima história de grande amor, vivida por um casal octagenário – os maravilhosos Jean-Louis Trintignant e Emmanuele Riva. Haneke ganha sua segunda Palma três anos depois de A Fita Branca.
O segundo troféu mais importante, o Grande Prêmio do Júri, ficou para o italiano Reality, de Matteo Garrone – uma escolha que ficou com ar de patriotada, já que o júri principal foi presidido por seu compatriota Nanni Moretti. Havia filmes melhores para merecer esta distinção, caso do ucraniano In the Fog, de Sergei Loznitsa, que foi esnobado na premiação principal.
Foi também o segundo Grande Prêmio do Júri para Garrone, que levou o primeiro para Gomorra (2008).

Dois para a Romênia
Só um filme levou mais de um troféu, o drama romeno Beyond the Hills, de Cristian Mungiu. Visivelmente frustrado, o vencedor da Palma de Ouro 2007, Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias, recebeu o prêmio de melhor roteiro. Além disso, duas atrizes do filme, Cosmina Straban e Cristina Flutur, dividiram o troféu de melhor interpretação feminina.
The Angel’s Share, do inglês Ken Loach, venceu o Prêmio do Júri. Loach também fez a melhor declaração da noite, ao agradecer o troféu, elogiando “todos aqueles que, nestes tempos sombrios, resistem a planos de austeridade e cortes”.
O melhor diretor foi o mexicano Carlos Reygadas, com o intrigante Post Tenebras Lux. O México, aliás, já tinha vencido o prêmio principal da seção Un Certain Regard com o drama Después de Lucia, de Michel Franco.
O melhor ator foi o dinamarquês Mads Mikkelsen, protagonista de um dos dramas mais fortes da seleção 2012, Jagten/The Hunt, que aborda com muita propriedade o inferno que se desencadeia sobre a vida de um professor primário acusado de pedofilia.

Caméra d’Or
Um júri presidido pelo cineasta brasileiro Cacá Diegues acrescentou mais um prêmio à já admirável lista conquistada pelo norte-americano Benh Zeitlin com o poderoso Beasts of the Southern Wild, que ganhou aqui o Caméra d’or, que destaca o melhor estreante de todas as seções. Antes, Zeitlin havia vencido o prêmio da Fipresci aqui (na seção Un Certain Regard) e dois prêmios em Sundance – Grande Prêmio e fotografia -, onde teve sua première.
A Palma de curta coube ao turco Sessiz-Be Deng (Silent), dirigido por L. Rezan Yesilbas.

Um Certo Olhar
Na mais importante seção paralela do festival, o prêmio principal foi atribuído ao drama mexicano Después de Lucía, do estreante Michel Franco – que trata do muito oportuno tema do bullying.
O júri desta seção, presidido pelo ator Tim Roth, concedeu ainda uma menção especial do júri para a produção bósnia Djeca, da diretora Aida Begic.
O prêmio especial do júri ficou para Le Grand Soir, dos diretores Gustave Kervern e Benoit Délépine.
Houve divisão no prêmio de melhor atriz, que foi entregue à belga Emilie Dequenne, pelo filme À perdre la raison, de Joachim Lafosse, e a Suzanne Clément, por Laurence Anyways, de Xavier Dolan.
O júri ecumênico, por sua vez, premiou o drama dinamarquês The Hunt, de Thomas Vinterberg, como melhor filme.