Mexicano Reygadas entrega sua esfinge em Cannes com "Post Tenebras Lux"
- Por Neusa Barbosa, de Cannes
- 24/05/2012
- Tempo de leitura 5 minutos
Cannes - Outro habituê de Cannes, o mexicano Carlos Reygadas, desembarcou aqui sua mais recente esfinge cinematográfica, o intrigante Post Tenebras Lux, que lançou na imensa tela do Théâtre Debussy uma sucessão de imagens belas e hipnotizantes, que constroem a crônica de uma família.
Alegadamente, há um fundo autobiográfico neste relato, em que Reygadas evoca uma família burguesa e isolada em sua elegante casa no meio de um bosque, servida por empregados de origem indígena. A diferença social profunda do México é um dos subtextos de uma narrativa visivelmente apoiada nas memórias de um dos personagens de sua infância idílica e marcada por uma tragédia.
Como em filmes anteriores do diretor, Luz Silenciosa (Prêmio do Júri aqui), Batalha do Céu e Japón (vencedor do Caméra d’Or e menção especial na estréia do diretor), há um rigor formal profundo, um mergulho nas imagens, que evitam uma ligação tradicional, e também sequências de sexo, outras de profunda beleza, na natureza, envolvendo animais e crianças num mundo quase à parte.
O elemento dissonante nesse universo de sonho e de memória de um personagem é um demônio vermelho, fruto de um efeito especial, que visita a casa da família no começo e no fim – um detalhe intrigante que provocou não poucos risos na sessão de imprensa, na noite de quarta (23).
Em todo caso, o novo filme de Reygadas é uma obra de respeito, embora menos acessível do que seu trabalho anterior, Luz Silenciosa.

Recepção de Waltinho
O filme do diretor brasileiro Walter Salles, Na Estrada (que teve estréia remarcada para 15 de julho no Brasil), vem tendo recepção dividida na imprensa internacional. Na publicação inglesa Screen International, recebeu cotação de duas estrelas do crítico Lee Marshall.
Porém, na mesma revista, um júri formado por críticos de diversas nacionalidades, inclusive o brasileiro José Carlos Avellar e o francês Michel Ciment, da revista Positif, coloca o filme de Walter entre as cinco melhores cotações.
Nesse placar da Screen, os candidatos mais votados à Palma são o romeno Cristian Mungiu, e seu Beyond the Hills, e o austríaco Michael Haneke, com Amour. Já na publicação francesa Film Français, o painel dos críticos dá maioria de uma ou duas estrelas a Na Estrada.
Houve várias outras críticas favoráveis, como do crítico Kenneth Dura, no jornal L.A. Times, que escreveu: "A obra de Kerouac sobre juventude e liberdade finalmente chega das telas com suas virtudes e espírito intacto...O filme de Salles é um poema em tom lírico sobre as aventuras de Kerouac. Na Estrada, mais do que capta a pureza que se busca há muito tempo, como também, usa de jovens atores como Sam Riley como Sal, Garrett Hedlund como Dean e Kristen Stewart como Marylou, para mostrar que essa busca é eterna”.
Entre os franceses, falaram bem do filme críticos como Eric Libiot, da revista L’Express,considerando Salles “perfeito para o projeto”. Sobre o filme, comentou: “Na tela a surpresa é muito boa. O cenário foi destruído por um trator que passou sobre a costura da calça e, bizarramente, isso funciona. E eu aplaudo”.
Já na revista Première: “Walter Salles se incumbiu da missão, baseando-se na experiência adquirida com
Diários de Motocicleta
(2004)... Uma boa notícia: o cineasta brasileiro se saiu bem da empreitada, impondo a seu filme o mesmo ritmo
jazzy
que acompanhou e inspirou o jovem escritor”.
Outros críticos destacaram os atores. Barbara Théate, do Journal du Dimanche, elogiou muito Garret Hedlund, intérprete de Dean Moriarty: “Revelação do filme, Garrett Hedlund tem a sensualidade magnética de um jovem Marlon Brando”.Florence Colombani, do jornal Le Point, preferiu destacar Kristen Stewart: “Walter Salles consegue, graças, entre outros, à Bella de
Crepúsculo, Kristen Stewart, insolente e livre, dividir conosco a sensualidade febril do romance”. Clémentine Goldsza, da revista Elle, completou o elogio a Kristen: “A heroína de
Crepúsculo
não se deixou vampirizar. Kristen Stewart está
Na Estrada
da glória, na adaptação da obra-prima de Kerouac, apresentada em Cannes”.
Já na revista Première: “Walter Salles se incumbiu da missão, baseando-se na experiência adquirida com
Diários de Motocicleta
(2004)... Uma boa notícia: o cineasta brasileiro se saiu bem da empreitada, impondo a seu filme o mesmo ritmo
jazzy
que acompanhou e inspirou o jovem escritor”.
Outros críticos destacaram os atores. Barbara Théate, do Journal du Dimanche, elogiou muito Garret Hedlund, intérprete de Dean Moriarty: “Revelação do filme, Garrett Hedlund tem a sensualidade magnética de um jovem Marlon Brando”.Florence Colombani, do jornal Le Point, preferiu destacar Kristen Stewart: “Walter Salles consegue, graças, entre outros, à Bella de
Crepúsculo, Kristen Stewart, insolente e livre, dividir conosco a sensualidade febril do romance”. Clémentine Goldsza, da revista Elle, completou o elogio a Kristen: “A heroína de
Crepúsculo
não se deixou vampirizar. Kristen Stewart está
Na Estrada
da glória, na adaptação da obra-prima de Kerouac, apresentada em Cannes”.
Holy Motors
Só a patriotada mais explícita pode explicar a explosão de aplausos ao final da sessão de imprensa do terceiro concorrente francês à Palma de Ouro, Holy Motors, do pseudo-rebelde Leos Carax, ausente das telas desde 1999.
Com roteiro do próprio cineasta e estrelado por seu ator-fetiche, Denis Lavant (de Os Amantes da Pont-Neuf), o filme é um pretensioso cruzamento de alegoria e ficção científica, ao narrar o cotidiano de um misterioso e onipresente personagem, Oscar (Lavant), que se desloca por Paris no cumprimento de inúmeras missões.
Sempre a bordo de uma limusine, o personagem troca continuamente de roupa e maquiagem, assumindo inúmeros papeis na vida de outras pessoas – como louco furioso que invade um cemitério ou maluco que atira num banqueiro ou velho pai de família. O que parece estar por trás dessa mistura é uma discussão da própria representação, da própria arte cinematográfica, com inserções de humor questionável – como a “conversa” entre as limusines na garagem e a família mista de humanos e chimpanzés. Por tudo isso, cumpre a função de provocação da seleção 2012 e é obra para dividir radicalmente opiniões – ou se ama, ou se odeia. Eu odiei.
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