"Os Olhos de Gana" destaca trabalho pioneiro de Chris Hesse
- Por Alysson Oliveira
- 15/04/2026
- Tempo de leitura 2 minutos
Uma das boas atrações do festival está neste documentário que destaca o trabalho pioneiro do ganense Chris Hesse no cinema do continente africano. Confira os detalhes:
Os Olhos de Gana
Duplamente ganhador do Oscar em documentário em curta-metragem, o canadense Ben Proudfoot estreia na direção de longas com Os Olhos de Gana, sobre o diretor de fotografia ganense Chris Hesse, de 93 anos, que estreou no cinema em 1952, fotografando o documentário inglês The Boy Kumasenu, produzido por uma equipe inglesa e dirigido por Sean Graham.
A ideia de Proudfoot é resgatar a história do cinema ganense por meio da trajetória de Hesse, que trabalhou até os anos 1990. E a jornada de Hesse é impressionante, pois é conhecido como o primeiro cinegrafista a filmar a crise do Congo, em 1960, iniciada logo depois que o país se tornou independente da Bélgica. Além de ministro presbiteriano, o diretor de fotografia ficou conhecido como o cinegrafista oficial de Kwame Nkrumah, que foi o primeiro presidente de Gana livre, entre 1960 e 1965.
Quando Nkrumah foi expulso do poder, os filmes feitos por Hesse foram banidos e queimados. Ao menos, era o que se acreditava, pois o fotógrafo escondeu, num cofre em Londres, os negativos de sua obra, que ficaram guardados na Inglaterra até ele revelar esse fato para Proudfoot, que acompanha também o processo de restauro e repatriamento desse material.
Hesse é uma figura central no cinema não só de seu país, mas de toda a África, exercendo influência até hoje e inspirando jovens cineastas, como o filme deixa bem claro. Ele acompanhou e filmou momentos-chave da história do continente durante todo o processo de independência de países como Congo, Argélia, e Guiné-Bissau.
Vemos em Os Olhos de Gana parte do material que já foi digitalizado, acompanhando Nkrumah em eventos públicos, na ONU e encontrando líderes mundiais. Mas Hesse também o registrou em momentos de descontração. E só essa fase da carreira de Hesse já justificaria esse documentário, mas Proudfoot, às vezes, não parece confiar no material que tem em mãos e exagera na música, por exemplo, busca um tom emotivo que não cabe de todo aqui. A presença de Barack e Michelle Obama entre os produtores executivos, certamente, ajuda a chamar a atenção para o longa.
São Paulo - Cinemateca Brasileira - Grande Otelo - 16/04/2026 às 16:00
Rio de Janeiro - Estação NET Rio - Sala 2 - 17/04/2026 às 18:00
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