21/07/2026

Berlim 2022 consagra as mulheres

Berlim - Numa edição em que o feminino se destacou, nada mais justo do que o Urso de Ouro ir para uma diretora - e foi para a catalã Carla Simón, pelo seu esplêndido Alcarrás, a crônica da vida de uma família de agricultores, plantadores de frutas nessa região ensolarada e que sofrem o assédio dos donos da terra para abandonarem sua casa, seu trabalho, sua vida.


O tema do filme é caro à diretora que, como lembrou no seu discurso de agradecimento, vem de uma família de plantadores de pêssegos naquela região catalã. O elenco, aliás, é todo amador, atuando num filme pela primeira vez e com uma naturalidade que se aproxima do documental, já que estão interpretando situações próximas à sua própria vida.

O prêmio principal em Berlim chega para consagrar uma jovem diretora de 36 anos, que assina aqui seu segundo filme, depois de uma estreia promissora com o intimista Verão 1993 - que em 2017 havia vencido em Berlim o prêmio de melhor filme de estreante.

Outras premiações
Outras mulheres fizeram a festa na Berlinale, caso da estreante mexicana Natalia Pérez Gallardo, vencedora do Urso de Prata (Prêmio do Júri) por seu impactante Robe of Gems/Manto de Gemas (foto ao lado, que escava as contradições de classe de uma família rica no México, numa região completamente dominada pelo crime organizado; e da francesa Claire Denis, uma veterana pela primeira vez na Berlinale e ganhadora do prêmio de direção pelo drama amoroso Avec Amour et Acharnement, estrelado por Juliette Binoche, Vincent Lindon e Grégoire Colin.

Também foram para mulheres outros Ursos de Prata, como o de roteiro (para Laila Stieler, pelo drama alemão Rabiye Kurnaz versus George W. Bush); interpretação principal (Meltem Kaptan, a enérgica protagonista deste mesmo filme, de Andreas Dresen); e interpretação coadjuvante (Laura Basuki, pelo drama indonésio Nana, de Kamila Andini). Em Berlim, como se recorda, o prêmio de atuação não é mais atribuído separadamente por gênero, sendo um prêmio neutro neste sentido.

A vez dos homens
Para os homens, ficaram prêmios respeitáveis, como o Grande Prêmio do Júri para o sul-coreano Hong Sang-soo e seu The Novelist’s Film (foto ao lado) - seu terceiro Urso de Prata seguido (em 2020, por A Mulher que Fugiu, em 2021, por Introduction). O Urso de Prata de contribuição artística foi atribuído ao documentário Everything will be ok, do cambojano Rithy Panh.

O belo drama suíço-alemão Drii Winter, de Michael Koch, ficou apenas com uma menção especial - que não dá direito a qualquer estatueta, como os Ursos. E o veterano Paolo Taviani, com seu belo Leonora Addio, saiu desta vez de mãos vazias.

Curta brasileiro
O curta brasileiro Manhã de Domingo, de Bruno Ribeiro, venceu o Urso de Prata (Prêmio do Júri) na competição do Festival de Berlim. Era o único título brasileiro na competição principal.

Competição principal

Urso de Ouro
Alcarrás, de Carla Simón (Espanha)

Grande Prêmio do Júri
The Novelist’s Film de Hong Sang-soo (Coreia do Sul)

Prêmio do Júri
Robe of Gems/Manta de Gemas, de Natália Pérez Gallardo (México)

Melhor direção
Claire Denis, por Avec Amour et Acharnement (França)

Roteiro
Laila Stieler, por Rabiye Kurnaz versus George W. Bush (Alemanha)

Melhor atuação principal
Meltem Kaptan, por Rabiye Kurnaz versus George W. Bush (Alemanha)

Melhor atuação coadjuvante
Laura Basuki, por Nana, de Kamila Andini (Indonésia)

Contribuição artística
Everything will be Ok, de Rithy Panh (Camboja/França)

Menção Especial
Drii Winter, de Michael Koch (Suíça/Alemanha)

Curtas

Urso de Ouro
Trap, de Anastasia Veber (Rússia/Lituânia)

Urso de Prata
Manhã de Domingo, Bruno Ribeiro (Brasil)

Menção especial
Bird in the Peninsula, de Atsuhi Wada (Japão)

Documentário

Melhor documentário
Mianmar Diaries, feito por um coletivo anônimo de dez diretores (Mianmar)

Menção Especial
No U-Turn, de Ike Nnaebue (Nigéria)

Seção Encounters

Melhor filme
Mutzenbacher, de Ruth Beckermann

Prêmio Especial do Júri
À vendredi, Robinson, de Mitra Farahani (França)

Melhor direção
Cyril Schäublin, por Unrest

Melhor primeiro filme
Sonne, de Kurdwin Ayub (Áustria)

Obs. Outras seções, como a Panorama, devem divulgar suas premiações nos próximos dias