Bola mais cantada, impossível - a cerimônia do 96o Oscar consagrou a vitória de Oppenheimer, de Christopher Nolan, conquistando 7 das 13 indicações, inclusive as mais cobiçadas, filme e direção, além de ator (Cillian Murphy) e ator coadjuvante (Robert Downey Jr.).
Fora isso, Oppenheimer ficou com os prêmios de montagem (Jennifer Lame), fotografia (Hoyten Hoytema) e trilha sonora original (Ludwig Göransson).
Fez bonito também Pobres criaturas, de Yorgos Lanthimos, levando quatro prêmios, inclusive o de melhor atriz para Emma Stone, que ficou com sua segunda estatueta (a primeira foi em 2017, pelo musical La la Lland). Os outros troféus foram por direção de arte, figurino e maquiagem/penteado, consagrando o visual criativo de um filme que já havia vencido o Leão de Ouro em Veneza em 2023.
Zona de interesse, do britânico Jonathan Glazer, venceu dois prêmios: melhor filme internacional e melhor som, destacando um dos aspectos mais inquietantes desta produção que retrata a família do administrador nazista do campo de extermínio de Auschwitz. Foi de Glazer, também, o discurso mais politizado da noite: “Estamos aqui como homens que refutam que seu judaísmo e o Holocausto sejam sequestrados por uma ocupação”. E completou, afirmando que as vítimas dos ataques do Hamas e de Israel na faixa de Gaza são alvo de uma “desumanização”, idêntica àquela que seu filme retrata.
Para o badalado e campeão de bilheteria mundial Barbie, de Greta Gerwig, que tinha 8 indicações, restou apenas um solitário Oscar, o de melhor canção original (What Was I Made For?), levado pela cantora Billie Eilish (seu segundo Oscar).
Os grandes esnobados da premiação foram mesmo Martin Scorsese, cujo vibrante Assassinos da lua das flores não recebeu nenhuma de suas 10 indicações, assim como Maestro, de Bradley Cooper (que recebera 7 nominações).
Deram-se melhor o francês Anatomia de uma queda, de Justine Triet, que venceu como roteiro original, assim como Ficção americana, cravando melhor roteiro adaptado para o promissor diretor estreante Cord Jefferson, e também Da’vine Randolph, como melhor atriz coadjuvante em Os rejeitados.
Ficaram para o Japão o Oscar de melhor longa de animação, consagrando mais uma vez o veterano Hayao Miyazaki com O menino e a garça, e também o de efeitos visuais para Godzilla minus one, premiando o esforço de uma produção que contou com um orçamento modesto em termos hollywoodianos (US$ 15 milhões) e uma equipe enxuta de artistas (35) para compor nada menos de 630 cenas de computação gráfica do filme.
O melhor documentário foi o ucraniano 20 dias em Mariupol, que retrata os primeiros dias da invasão russa nessa cidade. O diretor Mstyslav Chernov fez outro pronunciamento político: “Queria nunca ter feito este filme. Gostaria de trocar isso pela Rússia nunca ter atacado a Ucrânia e ocupado nossas cidades. Mas não posso mudar a história, não posso mudar o passado”.
